quarta-feira, fevereiro 04, 2009

A CRISE E O PACOTE AMERICANO por Enéas de Souza.

A crise mundial se desenha complexa. Primeiro, é preciso deter a crise americana e começar a revertê-la para um caminho de recuperação. No lado financeiro, continuam obstáculos poderosos: não se definiu um desenho para o novo sistema, não se encontrou um plano de regulação (uma Basiléia III, capaz de prevenir o risco sistêmico), não se completou a recapitalização dos bancos, não se solucionou a presença de ativos tóxicos nos seus patrimônios, o crédito continua em "crunch",etc.. No lado produtivo, o pacote aprovado na Câmara ainda está dependendo de decisão do Senado. O pacote é pouco, mas é um começo. Porém, existem senadores contra , talvez até democratas. Se o plano for derrotado, a crise dará mais um passo descendente, sem nenhuma força ascensional. E a aprovação é urgente, pois além de outras ajudas (educação, saúde, etc), prepara-se um aporte de mais de 300 bilhões de dólares para obras públicas. Seria uma medida tentando contrabalançar a crescente queda da produção e do emprego. As últimas notícias sobre a GM, Ford e Toyota são aterradoras, com quedas altamente expressivas nas suas atividades . Nesse sentido, a tendência ao aumento da crise é vasta e perigosa. E dado o efeito progressivo dos Estados Unidos no mundo, o resultado é um decréscimo desalentador, mesmo se existem promessas de programas de recuperação em vários países. Porque o problema nesta era do capital financeiro com os programas de recuperação é que o que se tenta sustentar é antes de mais nada o sistema financeiro, buscando o retorno do esperançoso crédito. Mas, não basta esse reformulação das finanças, a lógica do desenvolvimento produtivo tem um lado próprio e inarredável. E se esta não for transformada, realimentada, reformulada, e mesmo preparada para introduções tecnológicas, energéticas e organizacionais, a crise prosseguirá avassaladora. Por isso, o pacote é apenas uma aspirina, o que sempre pode diminuir a dor. Daria, não resta dúvida, para um pequeno recomeço, proporcionando um pequeno fôlego, para que novas idéias, novas ações, novos pensamentos pudessem ser dispendidos tanto para tratar de apagar o incêndio do desastre financeiro e produtivo, como para dar um novo impulso à economia como um todo. Se isso acontecesse, a economia mundial agradecia. Desde a China ao Brasil.

Um comentário:

André Scherer disse...

Bem-vindo Enéas... muito bom teu post... a coisa está complicada, como colocastes eles querem uma solução indolor para o rpoblema e ela não existe, dá uma olhadinha no post acima. Não achas?