<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643</id><updated>2012-02-14T04:04:58.579-02:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL    EconoBrasil</title><subtitle type='html'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL - Blog que visa discutir temas relacionados à economia internacional e brasileira, à globalização em todas as suas dimensões e à geopolítica internacional.

Editado pelos economistas André Scherer e Enéas de Souza.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>632</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-5172031699181907910</id><published>2012-02-09T00:48:00.002-02:00</published><updated>2012-02-09T09:07:43.970-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-size: large;"&gt;CRISE FINANCEIRA MUNDIAL&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;FUTEBOL E AEROPORTOS. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-large;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;A DECISÃO QUE INCOMODA&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Enéas de Souza&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;09 02 2012&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Está me inquietando, e a muitos brasileiros, essa coisa dos aeroportos. Começo por tentar pôr em ordem os meus pensamentos. E, ao mesmo tempo, começo a fazer perguntas, que talvez não saiba responder. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Primeiro, sobre a posição de princípios. Para mim, o Estado é o elemento fundamental no processo político e econômico de uma nação democrática. Substancial na política, decisivo na estratégia, incisivo no projeto nacional e flexível nas táticas. Fica, nessa passagem, uma pergunta para o que estamos discutindo: e os aeroportos são ou não são estratégicos? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Segundo, a privatização. Pessoalmente, não sou um estatista rígido, acho que é possível privatizar, só que sou contra as privatizações de pontos estratégicos. Indagação evidente: os aeroportos não são estratégicos para o país? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Terceiro, o estado atual do Estado nacional. Na dinâmica brasileira, com o passado neoliberal de privatizações chamado de “Privataria tucana” por Amaury Ribeiro Jr., o Brasil de Lula e Dilma vinha retomando a unidade do Estado. A pergunta é: os leilões das concessões dos aeroportos interrompem esse processo?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;DISTINÇÕES &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Para começar, na questão em discussão, temos que distinguir: privatização e concessões. A concessão é uma privatização temporária, controlada (há que olhar os editais e os contratos!). A privatização é uma transferência de propriedade. A questão, portanto é o tempo, o tempo das concessões. Filosoficamente, já falei: sou contra a privatização de entes estratégicos. Mas não sou contra concessões, porque como dizia Ignácio Rangel, a economia avança ligando setores que têm recursos financeiros com setores carentes. E a pergunta sequencial é: tem o Estado esses recursos?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A primeira coisa que inquieta é como sabemos pouco dessas concessões. Não houve grandes debates, não se sabe bem o que estava em jogo, não se ouviu os prós e os contras. Só agora que estourou a decisão e que a TV trouxe à imagem as figuras dos leilões e dos vencedores é que começou verdadeiramente a discussão. A ave do questionamento voou tarde e não é, obviamente, uma ave da sabedoria. Então, por que o governo não forçou o debate? Por que a mídia só agora disparou manchetes? (E mesmo aqui, quando divulgou, o fez de forma parcial e enganosa. Vejam o título da noticia de um jornal: “Governo privatiza aeroportos e estrangeiros ganham leilões”. É esse parcialismo obscurantista que enche a paciência dos leitores). Por que as facções – e mesmo a oposição – não tratou de debater o tema?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A RECUPERAÇÃO DO ESTADO BRASILEIRO&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O Estado brasileiro – por uma hegemonia que articulou na profundidade da sociedade as finanças e as multinacionais produtivas com o setor bancário nacional e parte da indústria, comércio e agrobusiness brasileiro – impôs à nação uma política neoliberal, através da presidência de Fernando Henrique Cardoso, no final e na dobra do século passado. No entanto, na época de Lula, houve uma alteração na geologia social, uma alteração, que deu origem a um novo pacto concreto. Pacto entre as citadas forças acima com outra parte da indústria brasileira, aliada nesse momento as frações populares. Claro, isso permitiu uma política coerente para os trabalhadores, desde que o capital a juros – como fala François Chesnais – continuasse ganhando o que vinha ganhando. Foi essa a condição indispensável. E como ele ganhava muito no mercado financeiro, principalmente com a política de juros altos e com os títulos públicos que eram um dos elementos fundamentais desse processo, a aliança progrediu. E o governo pode fazer uma política coerente para o setor dos trabalhadores e dos miseráveis. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O quadro começou efetivamente a mudar com a crise financeira de 2007/08, que trouxe um declínio da hegemonia das finanças. Veio uma competição forte entre as instituições financeiras e a possibilidade ampla de uma inclinada aliança entre o capital produtivo e a população (trabalhadores urbanos, operários, desempregados, trabalhadores rurais, etc.). Isso se expressou na tentativa – no Brasil, pelo menos – de recuperação do Estado que tinha sido desmontado e destruído nas suas partes pela política governamental fernandina. E também dilapidado insidiosamente pelas privatizações. A chave do itinerário de retorno à presença do Estado, um pouco antes da crise, foi o PAC, concebido pela Dilma quando estava na Casa Civil. Houve aí dois pássaros de envergadura, dois gestos de metamorfose. No subsolo do PAC vinha a ideia de planejamento, e no anúncio dos investimentos do governo, a recuperação da Petrobrás para o núcleo estratégico do Estado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Bem, a política econômica que Lula levou foi um longo processo de reativação social do Estado e da sua unidade, recuperando, em parte, a política monetária muito afetada pela política cambial, a política financeira (o indicativo expressivo é o movimento da taxa de juros brasileira) e a política fiscal, incluindo o controle do orçamento, do déficit e da dívida. E diga-se, que isso foi realizado num ambiente demoradamente neoliberal. Nessa paisagem econômica e política, é bom frisar, a questão do superávit fiscal é fundamental para manter uma segurança mínima do Estado em face dos possíveis ataques especulativos das finanças. Na verdade, o superávit fiscal, e mais a manutenção das reservas em dólares, faz parte da política de quem quer proteção e condição de ser minimamente autônomo, no mundo de hegemonia financeira e de política neoliberal vigente na mundialização. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;DE LULA A DILMA &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A decisão da Dilma sobre os aeroportos se dá dentro do processo de continuação do governo Lula. Antes de mais nada, Lula jogou, no cassino dos esportes, na dupla questão da Copa do Mundo e das Olimpíadas em função de alguns aspectos: 1) projeção do Brasil no mundo; 2) aprovação e orgulho nacional pela candidatura do Rio com um projeto de recuperação econômica e de prestígio da Cidade Maravilhosa (Inclui-se aí um subprojeto de deslocamento de São Paulo, enquanto lugar do tucanato); 3) afirmação ampla da popularidade de Lula, que culmina um processo de ter-se tornado o primeiro estadista do Ocidente em 2010. E por isso mesmo, um reforço na promoção da eleição da Dilma. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O ESPORTE COMO ACUMULAÇÃO DE CAPITAL&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Colocado assim, conquistado assim, a questão passou a ser como administrar esse projeto. É preciso salientar que a candidatura brasileira para sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas e a aprovação dessas propostas pelos respectivos comitês internacionais fizeram nosso país tornar-se parte desse pacote econômico mundial. Fez-se um laço com um tipo de capitalismo que passa pelos esportes, onde se aglutina um núcleo e um bloco de acumulação de capital (estádios, campos de treinamentos, acesso aos estádios, transporte público, etc.) numa reorganização, diga-se desordenada e caótica, do urbano. O futebol é uma fronteira da acumulação do capital nos novos tempos. Então, se pode interrogar: que acordos público-privados existiram, no momento da designação do Brasil, que o governo Lula decidiu como importante para o projeto do capitalismo no país?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Esses projetos dos estádios caíram, muito claramente, dentro de uma necessidade não só de avanço do capitalismo mundial e nacional produtivo, mas também da necessidade infraestrutural da economia brasileira, a saber, aeroportos, estradas, portos, saneamento básico, transporte urbano, etc. Então, é com esse pano de fundo que temos que compreender a questão atual dos aeroportos brasileiros. A Copa e as Olimpíadas são, em si, um projeto estratégico do governo brasileiro? Acho que não. Mas é irreversível? Sim. E se integra num movimento de articulação da infraestrutura brasileira? Sim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;ENTÃO, COMO ENTENDER O JOGO?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Então, tem que se entender esse projeto dentro de uma visão que a Dilma tem salientado do crescimento acelerado do Brasil, problema fundamental na competição interestatal. E para ter um crescimento acelerado – a experiência da China incentiva – não basta aporte de capitais locais e recursos públicos; é fundamental empresas que possam tomar crédito e investir. É o caso dos aeroportos. Então, temos dois problemas. Um é a questão do investimento em área estratégica. Bem, o que se pode dizer sobre informações na imprensa é que o investimento será no complexo aeroportuário, sabendo-se que o controle do espaço aéreo, que é o decisivo para o país, continua com o governo brasileiro. De qualquer forma, me parece que o problema é amplo: não bastam as instalações e investimentos do aeroporto, é preciso estrutura urbana que apóie o local. E isso não está em questão nesses leilões. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;(Parece que para ultrapassar o emperramento brasileiro é fundamental ir tocando o processo, independente das ressalvas teóricas, políticas, econômicas, etc., que possam ser colocadas. Por exemplo: no caso dos aeroportos, como disse, falta a parte de apoio do acesso urbano. Mas, se for esperar a solução disso, não vai sair. Então, vamos indo adiante, porque depois se arruma, depois se arranja. E se não se arrumar, pelo menos algo saiu. É o pragmatismo brasileiro. Faz e depois vê, e depois se arruma. Naturalmente que já é um progresso, pois é o contrário de ir levando a coisa com a barriga. O contrário do neoliberalismo que era canalizar tudo para o mercado financeiro.)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Os críticos dos sindicatos colocaram uma questão importante: o Estado tem dinheiro, sim; por que não usar o superávit fiscal primário? Bem, isso é verdade. Até já comentamos acima. Só que queríamos apresentar o tema pela questão da estratégia nacional e de uma política econômica adequada para tal. Assim, se o Brasil busca a estratégia do crescimento acelerado, é preciso contar com recursos nacionais e internacionais, mas também é fundamental que o país tenha uma estrutura econômica robusta. E, obviamente, a política econômica tem que se proteger, numa mundialização com predominância financeira, dos ataques dos inimigos do país e, certamente, um deles é a atitude especulativa das finanças. Para que o país possa buscar o crescimento acelerado, ele tem que se resguardar. Logo, a economia brasileira tem que usar esses dois protetores, o superávit fiscal, para não entrar numa crise do pagamento dos juros como outros países, e a reserva em dólares, para não sofrer ataque especulativo por parte do setor financeiro. Então – como “bola de segurança”, como diz o pessoal do voleibol – o Brasil não poderia fazer essa aventura aparentemente fácil, a de usar o seu superávit primário, para construir os aeroportos. A hipótese contrária teria um risco muito elevado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Um outro problema é, sem dúvida, as críticas que poderiam surgir no futuro sobre o ritmo e o término das obras. Veja o leitor, que aí temos um gesto político importante. Dando à iniciativa privada – incluindo estrangeiros – a execução das obras, Dilma se acautela quanto a comentários ferozes e violentos da oposição ao governo, sobretudo da auto-proclamada imprensa livre, pelo andamento dos trabalhos, atrasos, aumentos de preços, etc., inevitáveis em construções desse porte. Na verdade, a imprensa vai ter que bater no tambor do próprio setor privado, o que fará com mais suavidade. Claro, sobrarão críticas ao governo, mas será em muito menor grau. (De qualquer forma, a questão importante será a da fiscalização das obras, do cronograma, da exigência de cumprimento das etapas. E aí sim, o governo jogará de mão se quiser. E com apoio da própria mídia!)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;(Porém há algo que está no cruzamento da expansão econômica do Brasil, da construção de estádios e aeroportos, da estrutura hoteleira e da estrutura das cidades. É que essas obras têm um odor de corrupção, um cheiro de multiplicação excessiva de recursos públicos para que tudo fique pronto para a Copa. Há cheiro de ataque ao Tesouro Nacional, há cheiro de chantagem as mais diversas. E isso tudo vai ficar em pauta até 2014/2016. Nesse sentido, o povo e a sociedade brasileira estão inquietos. E sobretudo, isso pode ser expresso por um “filósofo brasileiro”, o Barão de Itararé, com aquela célebre frase: negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados. E daí a inquietude de todos com essa solução das concessões, que envolve uma parte do setor privado que é extremamente ágil para o bem e para o mal. Quem não se lembra das polêmicas sobre as obras do Pan-Americano? Por isso, a tensão de parte da sociedade com esses pontos que discutimos aqui.)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;FINALIZANDO&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Finalizando, de fato tenho muitas dúvidas sobre o modo como foi conduzida a decisão dessas concessões. Os pontos que podem sustentar a postura do governo são: o crescimento acelerado, o manejo da política econômica, as necessidades de capital, (com o fato técnico da manutenção do controle do espaço aéreo pelo governo brasileiro), um passo a mais na aliança com o setor privado, a necessidade de bloquear as criticas da imprensa privada anti-governo, e a imperiosidade de manter a política econômica de controle dentro de uma inserção neoliberal na economia e na política mundial. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Terá sido uma boa o lance de Lula? Dado o lance, houve astúcia, prudência e sagacidade na solução da Dilma? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-5172031699181907910?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/5172031699181907910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=5172031699181907910' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/5172031699181907910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/5172031699181907910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2012/02/crise-financeira-mundial-futebol-e.html' title=''/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-8100732562454441953</id><published>2012-02-06T14:49:00.000-02:00</published><updated>2012-02-06T14:53:11.040-02:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: A forte queda no uso de petróleo e gasolina nos EUA prenuncia um novo padrão energético?</title><content type='html'>&lt;a href="http://globaleconomicanalysis.blogspot.com/2012/02/huge-plunge-in-petroleum-and-gasoline.html"&gt;Mish's Global Economic Trend Analysis: Huge Plunge In Petroleum and Gasoline Usage&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) ou será apenas mais um reflexo da enorme crise econômica que assola aquele país?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-8100732562454441953?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/8100732562454441953/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=8100732562454441953' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/8100732562454441953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/8100732562454441953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2012/02/crise-financeira-mundial-forte-queda-no.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: A forte queda no uso de petróleo e gasolina nos EUA prenuncia um novo padrão energético?'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-7198302280445792328</id><published>2012-02-02T05:57:00.001-02:00</published><updated>2012-02-02T05:57:31.842-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;CRISE FINANCEIRA MUNDIAL&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;DILMA &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;E A ARTE DE FAZER&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;A FISIONOMIA DE UMA ÉPOCA&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Enéas de Souza&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;02 02 2012&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A Dilma tem uma inteligência estratégica que une, tanto na concepção como na prática, a Grande com a pequena política. Não é um jeito trivial, não, é uma força de ser. Tem a vocação de um pensamento nítido que não vacila no gesto. O que parece ser uma ligação da teoria com a prática: o conhecimento está irmanado com uma velha idéia grega, a do kairós, que quer dizer o senso de oportunidade. Nela há uma fraternidade dialética entre a idéia e a hora da ocasião. E o efeito deste movimento é o melhor possível – até agora, ao menos – pois a surpresa dos opositores, o aplauso dos adeptos e a indiferença dos que “não gostam e não entendem de política” se expressam numa aprovação inédita do país à presidenta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Vou tratar da sua presidência de uma maneira rápida e sintética. Sei que a questão é vasta. Mas começo por colocar na roda e na pauta alguns aspectos que tenho por relevantes. Deixo para mais tarde uma melhor e mais ampla análise sobre a política da Dilma. Aproveito a sua viagem a Cuba para fazer uma pequena reflexão sobre este ano e um mês que tivemos de seu trabalho. O que se pode dizer sobre o assunto?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;LULA E DILMA, A SOMA DE UM PROJETO DE PODER&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A primeira coisa que gostaria de salientar é a continuação do lulismo, num agora lulismo-dilmismo. Parece incrível que as pessoas não notem este prosseguimento. E não notam. E não notam porque avaliam que a Dilma, para ser continuação do Lula, teria que ser uma cópia. Ela não é uma imitação, isso já ficou abusivamente claro. Portanto, é um continuar com qualidade própria. E quando Dilma faz algo diferente do que pensam que Lula faria, querem destacá-la dele. Esse país não está sabendo pensar. Como dizia um velho professor da direita na faculdade de Economia, “unir sem confundir” é preciso. Relacionar e diferenciar. Ver que a realidade tem uma solda e uma luz que põe os pontos do mundo no seu lugar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Pois Lula e Dilma fazem parte do mesmo jogo. Um projeto de poder. Um projeto de poder nacional para transformar tanto o capitalismo financeiro e o neoliberalismo político como a condição do Brasil e da população brasileira. A estratégia da Dilma vai se fazendo, continuando e transformando a escultura de Lula, tanto na geopolítica como na geoeconomia. Não podemos deixar de salientar que com a Dilma houve um aumento de força neste projeto de poder. Juntos, Lula e Dilma, constroem um acréscimo de plasticidade na trajetória petista. Duas estrelas valem mais do que uma, tem mais céu e mais presença no combate político, tanto partidário, quanto entre nações. O lulismo se dilata, se fortalece, se adensa com o aporte da Dilma. Por isso, digo lulismo-dilmismo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A DANÇA DA GEOPOLÍTICA E DA GEOECONOMIA&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A crise do capitalismo pôs em questão o capitalismo financeiro e o neoliberalismo, e dividiu o eixo único do poder americano em dois, o novo eixo de Tio Sam e o eixo chinês, que se encontram num longo processo de constituição. Pois, na confusão do baile, a estratégia do Brasil, nesse momento, navega com algumas peculiaridades. A primeira coisa a constar é que o país tem que flutuar no jogo político, seja por causa da proximidade do comércio exterior com a China, seja porque os Estados Unidos trabalham em formas disfarçadas de protecionismo, seja porque os chineses têm ações predatórias nas relações com os outros países (África e mesmo América Latina, por exemplo), seja porque os americanos têm formas financeiras devastadoras. E por aí nós vamos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O Brasil já mostrou que é um player médio no jogo internacional das nações, mas que não tem capacidade de organizar nem a geopolítica, nem a geoeconomia mundial. Dada a evolução da crise atual, aquela presença exuberante de Lula e do Brasil nos últimos anos não poderia continuar. Cabe aproveitar pequenas intervenções para marcar pontos, para segurar campos conquistados, aguardando o ressurgimento criativo no futuro para novos avanços. Trata-se, logo, de manter e reforçar a nossa posição. Assim, faz a Dilma. O discurso na ONU, a presença no G-20, a viagem à China, etc. Contudo, o horizonte da geoeconomia e da geopolítica mundial está a indicar que deve-se ir além de um reforço do estado atual do país. O salto sobre a crise passa por ordenar uma determinada região do mundo. A China arruma a Ásia e o Brasil amalgama a América do Sul, talvez a América Latina.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;No caso brasileiro, a expansão da presença do Brasil no colorido continente sul-americano carrega um processo que projeta integrações produtivas, aduaneiras, integrações de infra-estrutura, de transporte, integrações educacionais e culturais, etc. O espaço deste itinerário adquire uma potencialidade altamente desejável e promissora. E essa flor, esse girassol, amadurecerá plenamente quando o rosto escuro do protecionismo chegar. Ele abrirá uma nova etapa da crise mundial – talvez no fim de 2012, quem sabe no decorrer de 2013. Nesse quadro, a integração regional será absolutamente decisiva para esses países. A América do Sul passa a ser, nessa paisagem, uma jogada geopolítica e uma jogada geoeconômica. Trata-se de uma oportunidade semelhante àquela que o Brasil teve por ocasião da crise dos anos trinta, só que agora num território continental. Dilma está com essa bola toda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;No campo geoeconômico, o principal norte é o futuro da economia mundial. No meu modo de ver, toda esta crise econômica serve para pautar a passagem de um padrão de acumulação de capital para outro, esse novo centrado na expansão das tecnologias de comunicação e informação, de novos materiais, das ciências médicas, etc. Essa passagem é longa e demorada, cheia de convulsões e rebuliços. Basta lembrar o que foi a crise da Grande Depressão. Portanto, temos um longo caminho a percorrer. Todavia – cabe salientar um ponto decisivo – o Brasil parece já estar neste futuro. Não pelo lado da fronteira tecnológica de vanguarda, mas pelo lado de uma certa infra-estrutura desse padrão. O Brasil vai de energia, de alimentos e de minérios. Contudo, é fundamental não ficar nessa primarização: o desenho da economia brasileira deve traçar um planejamento para a área de inovações e de tecnologia. E isso que daria ao país uma posição melhor na nova divisão internacional do trabalho. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;É o curto prazo que está envolto num terreno de incertezas e de ameaças. Pois, se as contas do governo vão bem, o Brasil, como um atleta de salto triplo, se prepara – e essa é uma das preocupações da Dilma – para bloquear os efeitos da crise européia, para encarar as múltiplas facetas e repercussões do protecionismo variado, para conter o expansionismo complicado dos chineses. E, no entanto, o Brasil também não pode deixar de considerar as perspectivas de uma expansão do mercado interno. A vitamina virá de um programa de investimentos (PAC, Minha Casa, Minha Vida, por exemplo), acompanhado do consumo da classe mais necessitada, através dos gastos dos programas sociais do governo. E, como ampliação do mercado interno, pode-se apostar em tentativas de superar as questões vinculadas ao que se chama de desindustrialização da economia produtiva por causa do efeito chinês. Completa o espelho da incerteza atual os temores da repercussão da crise européia, o que Guido Mantega chama de guerra cambial, o tratamento mais consistente da taxa de juros e da atração insistente dos capitais financeiros pelo Brasil, etc.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A NOVIDADE ESTRATÉGICA DA DILMA&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Pensem os leitores, dispam seus preconceitos, e pensem mais atentamente o que Dilma está construindo no subtexto de sua presidência. De um lado, a unificação do Estado, que ela trabalha desde os tempos da Casa Civil e cujo maior êxito é a convergência do Banco Central com o governo. E de outro lado, dar uma cara nova à política, o que está se constituindo, a meu ver, como uma surpreendente novidade da área. Ousamos dizer que ela tenta mudar politicamente a política, introduzindo o campo dos valores como uma passagem de nível, como uma tarde de sol num inverno social. Vou tentar explicar. A política é conflito, combate, diferença, tensão, discórdia. Perspectivas opostas, basicamente, valores distintos. Nela jogamos com a alteridade. Tudo aí se complica pois está presente a figura do outro. O outro é meu adversário, pode ser meu inimigo. O outro me escapa. Não sou capaz de fazer com que ele faça o que eu quero a não ser que ele esteja disposto a querer o mesmo. Na política contemporânea, houve o incremento de um padrão onde os valores da chantagem, da corrupção, da violência, por exemplo, predominam. O poder pelo poder. O realismo político passou a ser: se o outro não tem valores, ah! meu caro, eu também não preciso ter. Não preciso assumir valores coerentes, afirmativos, de uma cultura crítica, de um desenvolvimento social, da busca de um bem estar, da construção de um bem comum. Logo, valores coletivos, valores da dignidade, da legitimidade, da solidariedade, da liberdade, da fraternidade, da democracia. Valores para um poder criativo. Posso, pelo contrário, assumir os valores da força, da violência, da porrada, da prepotência, do ludibrio, do engano, do engodo, da burla, do exercício único do mando como o valor que interessa. Houve assim uma espécie de abolição de valores de um tipo em detrimento de outro no quadro da modernidade do jogo político. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Dilma vem articulando nos seus atos um conjunto de valores que não responde automaticamente aos atos dos adversários, ao menos, no mesmo nível deles. E isso tanto no jogo político partidário, parlamentar e ministerial como no jogo político da mundialização. Se duvidam, vejam o tema da corrupção de ministros e dos ocupantes de segundo escalão do governo. Ou a questão dos direitos humanos nos planos nacionais, como nos casos do Irã, de Cuba e dos Estados Unidos. Memorável o seu encontro com as madres de Mayo na sacada da Casa Rosada. Memorável também a resposta em Cuba sobre a questão dos direitos humanos. Todos os países cometem delitos, disse ela. O Brasil, Cuba e os Estados Unidos. Chamou a atenção para Guantánamo, que curiosamente os “defensores” dos direitos humanos não falam. Com atitudes como essas, Dilma vai compondo uma cesta de valores que passam pelas já citadas questões da corrupção e dos direitos humanos, como também pela presença das mulheres em cargos públicos de destaque, como a obstinação na erradicação da miséria, como a civilidade no trato da política. E assim, a viagem no campo dos valores vai se fazendo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Gostaria de chamar a atenção para o tema da corrupção. Trata-se de algo profundo. O capitalismo financeiro fazendo de tudo – homens, coisas e valores – um negócio, corrompeu fortemente as relações humanas e políticas. A política se tornou, em muitos momentos, um caso de compra e venda, de chantagem, misturando favores políticos e cargos. Dilma tem se dedicado a reverter essas coisas. E fez da chantagem, inclusive midiática de denúncia da corrupção, uma forma de alavanca para romper com estas práticas. E fez de tal forma que baliza a própria base do governo na escolha de ministeriáveis, como também provoca a elevação ética no campo da política. Faz dos valores um componente do político, de tal forma, que cria um ambiente, uma atmosfera que vai transformando e enfatizando a política. Os valores tornam-se um ponto de referência em qualquer negociação. Ou seja, o combate principal se dá entre valores, embora, na sua prudência e astúcia, Dilma sempre saiba que a política é relação de forças, imposição de vontade. E que o menos ruim é melhor que o péssimo. E só se sabe isso quando se joga com valores. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A UNIÃO DA GRANDE E DA PEQUENA POLÍTICA&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Essas pequenas considerações servem para mostrar que a estratégia da Dilma é capaz de unir a Grande e a pequena política. Porque se Dilma se dedica a desenvolver a política, a estratégia e o projeto nacional – uma herança do governo Lula – ela não a defende somente em nome da política e da economia, mas a sustenta em nome de valores, que é a única forma capaz de fornecer critérios para decidir tanto no ar da Grande política como no solo da pequena política. Dilma age com valores que lhe permitem dar uma distinção à política na floresta agreste do capitalismo selvagem. E essa transformação tem sido feita progressivamente, sem alarde. E, de repente, as pessoas tomam consciência da energia e da sutileza da Dilma. A sua estratégica envolve uma concepção de valores como um toque sutil no combate pela metamorfose da política. São valores que não deixam de ter contundência, pois a política é um jogo pelo poder, é a arte de fazer a fisionomia de uma época.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-7198302280445792328?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/7198302280445792328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=7198302280445792328' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/7198302280445792328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/7198302280445792328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2012/02/crise-financeira-mundial-dilma-e-arte.html' title=''/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-5039334201845087298</id><published>2012-02-01T14:20:00.000-02:00</published><updated>2012-02-01T16:24:21.221-02:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Economics in the Age of Deleveraging</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.creditwritedowns.com/2012/02/economics-in-the-age-of-deleveraging.html#.Tylk8689BA4.blogger"&gt;Economics in the Age of Deleveraging&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse é um artigo bastante importante e interessante (publicado pelo blog Credit Writedowns) para quem quer entender os mecanismos que afetam a política monetária e fiscal na crise pós-2007. Não por acaso, uma das primeiras postagens desse blog, ainda em 2007, se chamava &lt;a href="http://econobrasil.blogspot.com/2007/08/o-medo-da-cascata-de-desalavancagem.html"&gt;"O medo da cascata de desalavancagem sistêmica"&lt;/a&gt;. As coisas andaram bastante mais lentas do que  pensava naquele momento graças a forte reação dos Estados e dos Bancos Centrais, principalmente após os episódios de 2008. No entanto, o processo de "niponização" das maiores economias ocidentais continua e se trata de uma Depressão, com "D", de aparência soft...&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No momento, sem uma alteração político-estrutural profunda, é o melhor dos mundos possíveis.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-5039334201845087298?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/5039334201845087298/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=5039334201845087298' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/5039334201845087298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/5039334201845087298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2012/02/crise-financeira-mundial-economics-in.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Economics in the Age of Deleveraging'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-6389000002117794481</id><published>2012-01-27T19:38:00.001-02:00</published><updated>2012-01-27T19:38:40.170-02:00</updated><title type='text'>Márcio Pochmann apresenta a situação social no RS, na FEE, dia 31/01</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://rsurgente.opsblog.org/files/marciopochmannnaFEE250.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://rsurgente.opsblog.org/files/marciopochmannnaFEE250.jpg" width="225" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-6389000002117794481?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/6389000002117794481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=6389000002117794481' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/6389000002117794481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/6389000002117794481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2012/01/marcio-pochmann-apresenta-situacao.html' title='Márcio Pochmann apresenta a situação social no RS, na FEE, dia 31/01'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-7800598341328881355</id><published>2012-01-26T05:48:00.000-02:00</published><updated>2012-01-26T10:48:46.566-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;CRISE FINANCEIRA MUNDIAL&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;VAI DAR OBAMA DUAS VEZES?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Enéas de Souza&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;28 02 2012&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Anteontem à meia-noite, eram nove horas – nove horas nos Estados Unidos – e apareceu na tela, sorridente, “keep smiling”, Barak Obama, para discursar diante do Congresso Americano, na fala ao país chamada de “state of nation”, o estado da nação. Sim, Obama sorria plenamente, um modo cálido de entrar em contato com políticos, militares e convidados, beijando mulheres e cumprimentando homens. Estava plenamente no seu papel, no seu papel de centro do encontro. Um papel a ser representado diante da televisão. E aqui está a primeira chave de sua entrada esfuziante. Sim, Obama fez uma presidência medíocre, devorado pela sua ingenuidade e pela força impiedosa das finanças. Anteontem, no entanto, parecia ao contrário, parecia que tinha cumprido extremamente bem o seu mandato e que havia reconhecimento geral disso. Um político carrega, como um intérprete de uma peça, um personagem. Age, sobretudo, com a pele de um ator antigo, veste uma máscara que é a figura e a expressão do seu papel como autoridade. Na sociedade do espetáculo, a política culmina na construção de uma imagem. E foi em cima dela que Obama desenvolveu a sua apresentação. Talvez fosse melhor dizer, o seu espetáculo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Anteontem, Obama sorria, demonstrando confiança, força, dando a impressão que a sua missão não tinha terminado, mas que tinha feito, no período atual da presidência, um desempenho se não excepcional, ao menos extremamente bom. Sua imagem queria dizer algo a mais; olhem para mim e vejam o que eu vou fazer no segundo mandato. Vocês podem acreditar no que digo. E, tudo porque Obama sabe que o seu melhor, ou pelo menos, um dos aspectos mais significantes de sua atuação, é a retórica, a capacidade que ele tem como orador de encantar as pessoas quer pela ênfase certa, quer pelo tom preciso, quer pelo adequado gesto. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;E numa época da comunicação via TV, Obama tem certeza que o que importa neste jogo é a ficção dos planos médios e do grande plano. O principal é o rosto, os olhos, a voz, o movimento do braço, das mãos, no jogo mágico do visível e do sonoro. A composição de um personagem. E nisso convenhamos ele é mestre. Desenvolveu todo o seu arsenal de arte dramática tentando não se embrenhar em Shakespeare, mas quem sabe compondo um misto de personagens de Paul Auster, de Phillip Roth e de Don Melillo. Talvez até se achasse traços de uma ou outra figura dramática de Gore Vidal. Naturalmente, para fazer um discurso sublinhando os seus pequenos grandes êxitos. Um grande orador trabalha assim. E põe sutilmente uma emoção fascinante no discurso que está fazendo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Disse ele, Obama, que estava vendo e enxergando o “american people” capturado pelos bancos e pela injustiça fiscal. Introduziu e projetou a recuperação da indústria americana e obviamente dos empregos. Insistiu, querendo dar um brilho de humanidade, no projeto de regularizar a questão da imigração. E, depois, desenhando o que já tinha desenhado logo início da sua presidência, tratou de espichar a esperança na construção de um futuro pleno de grandeza, de energia, de renovação tecnológica e de saída definitiva da crise. O frêmito começou com a ideia de retorno dos soldados do Afeganistão e do Iraque à América. Obama disse: eu trouxe a paz. E dilatou a sua palavra na hora de falar da volta dos empregos pelo retorno das indústrias aos Estados Unidos. Assim, no teatro da política ou na política da televisão, Obama apostou na construção de um personagem, de um homem, de um presidente, firme no desempenho de todo o seu mandato até agora. Postura que não transitou em julgado, transitou em imagem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Conseguirá Obama, com essa oratória midiática, convencer os americanos a votarem nele - e não nos republicanos?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;AS BASES DO ENRÊDO DE OBAMA II&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A intriga da novela Obama II faz com que o personagem-título encare, com olhos estudiosos, a crise geopolítica e geoeconômica dos últimos tempos. São duas problemáticas distintas - pássaros de plumagens diferenciadas - mas, ao mesmo tempo unidas. Vejam só: para Obama, de um lado, é preciso sair da geopolítica do terrorismo, implantada por Bush e seu escudeiro Cheney, de caça da energia petrolífera sob o pretexto de combater o terror no Oriente Médio. E de outro, há que transformar o campo geoeconômico, superando o modelo instalado pelas finanças, que montou mercados financeiros especulativos em paralelo com uma produção de bens de capital, bens de consumo duráveis e não duráveis, e que se derramou para o exterior e atingiu a Ásia. A jogada financeira tinha como objetivo agregar a China na função de exportadora para o mercado americano, com a finalidade de baixar o custo de reprodução de mão de obra dos Estados Unidos. E claro fazer dos saldos comerciais resultantes - as reservas, enfim - recursos para amparar, via a aplicações em títulos do Tesouro, a dívida fiscal de Tio Sam. Contudo no desenvolvimento e no fim desse processo, a China, com estratégia lúcida e clara, acabou por se constituir numa grande potência produtiva. A questão que pairava sobre o discurso de terça-feira, 23 de janeiro, era: e agora, Estados Unidos? E agora, Obama? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Ora, a queda do modelo das finanças americanas, em 2007/08, desmanchou aquilo que foi o centro da geopolítica dos anos 90 e do início do século XXI, a hegemonia absoluta dos Estados Unidos. E desfez a trama desta unipolaridade indisfarçável, que levou ao insuperável Fukuyama dizer que a História tinha acabado. Só que o eixo americano que era único, tornou-se frágil e se partiu. De um lado ficou o que chamo de o eixo americano e do outro, o eixo chinês. Traduzindo: entramos numa nova fase da geopolítica e da geoconomia. Estados Unidos e China passarão a serem os polos antagônicos da nova tensão política e econômica. Vem na correnteza, como um barco em desalinho, a necessidade de reformular a economia mundial. Mudanças produtivas e financeiras que sejam capazes de recuperar e expandir inclusive o comércio planetário. Emerge no fundo do cenário a forma ainda difusa da dinâmica de um novo padrão de acumulação, que por enquanto é apenas uma ideia-norte. Ela coloca, como uma alavanca imaginária, no horizonte do longo prazo a transformação da sociedade capitalista. O que Obama encarou foi exatamente esse futuro. Um futuro para ele ainda não totalmente claro. Porém, foi certamente com um olhar pousado no porvir que discursou. E botou no coração da nação a indagação: o que é que nós americanos queremos?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;COM QUEM VAI O ELEITORADO AMERICANO?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Conversando um desses dias com uma amiga que mora nos Estados Unidos, ela me disse: “Olha, Enéas, ninguém está gostando muito do Obama. Mas, acho que vai ganhar, porque ele é o menos ruim dos candidatos.” Fico, então, pensando sobre o discurso de anteontem do Obama. Sem dúvida, ao lançar pontos chamejantes para diversos campos da população, verdadeiras iscas de votos, contrastando suas posições com as dos republicanos, ele mostra que apesar do grande cerco que as finanças fizeram ao seu governo, ele continua ter clareza sobre a situação e sobre o futuro. E mais, falou enfático, cumpri pelo menos dois pontos decisivos para os Estados Unidos: a questão da paz e a questão da indústria. Neste último ponto pelo menos foi um primeiro passo, um bom recomeço, com a retomada da indústria automobilística e a recuperação de Detroit. Nas postulações que fez para a mudança das condições econômicas tratou dos impostos dos ricos, da justiça tributária, do incentivo aos pequenos empresários, da inovação tecnológica, da energia - e do grande lance feminista: a igualdade de salários para homens e mulheres pelo mesmo trabalho. Tudo isso tem o seu emblema visionário, tudo isso está ainda em estado de promessa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Mas, recordando a imagem construída, a imagem produzida pela performance de Obama, fiquei pensando que a minha amiga talvez possa ter razão. O voto no menos pior, no menos ruim, num ambiente de descrença da política e do político, pode dar, pela produção da imagem de um presidente persistente e trabalhando para o Bem Comum, a vitória a Obama. Mesmo porque ele tem um discurso coerente e uma retórica perturbante. E diante da confusão e do lado tosco dos candidatos republicanos, o brilho de terça-feira permite o surgimento de uma pergunta que estala: vai dar Obama duas vezes?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-7800598341328881355?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/7800598341328881355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=7800598341328881355' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/7800598341328881355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/7800598341328881355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2012/01/crise-financeira-mundial-vai-dar-obama.html' title=''/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-5541110649286969679</id><published>2012-01-22T09:20:00.001-02:00</published><updated>2012-01-22T09:20:13.334-02:00</updated><title type='text'>Entrevista com Andre Orlean</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://mobile.lemonde.fr/economie/article/2012/01/22/le-marche-gouverne_1631984_3234.html"&gt;"Dans la zone euro, c'est le march&amp;#233; qui gouverne" - LeMonde.fr&lt;/a&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-5541110649286969679?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/5541110649286969679/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=5541110649286969679' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/5541110649286969679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/5541110649286969679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2012/01/entrevista-com-andre-orlean.html' title='Entrevista com Andre Orlean'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-3423421384293428253</id><published>2012-01-21T11:23:00.001-02:00</published><updated>2012-01-21T11:23:28.758-02:00</updated><title type='text'>CHAVS: A culpa é da vítima no capitalismo</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://www.pagina12.com.ar/diario/elmundo/4-185908-2012-01-21.html"&gt;P&amp;#225;gina/12 :: El mundo :: Nuevos estereotipos para promover el ajuste&lt;/a&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-3423421384293428253?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/3423421384293428253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=3423421384293428253' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/3423421384293428253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/3423421384293428253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2012/01/chavs-culpa-e-da-vitima-no-capitalismo.html' title='CHAVS: A culpa é da vítima no capitalismo'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-7053436851970768424</id><published>2012-01-19T00:23:00.000-02:00</published><updated>2012-01-19T13:03:38.126-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;CRISE FINANCEIRA MUNDIAL&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;CADÊ A EUROPA &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;OU &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;A CANÇÃO DO TRIPLO&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;A&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Enéas de Souza&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;19/01/2012&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;1) A canção do triplo A é uma canção de ninar das finanças. Se uma Agência de Ratings canta a música, as entidades financeiras e os Estados adormecem, e viajam no mundo econômico na leveza da lucratividade do capital. Quando a melodia escasseia, as pausas e o silêncio do som acontecem. Meu Deus, o mundo vem abaixo. E a sociedade também.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;2) As finanças são com as aranhas e soltam uma teia sobre os humanos e suas instituições. Primeiro ponto: desregulamentam a economia&amp;nbsp;e&amp;nbsp;retiram o Estado de possíveis e quaisquer controles. E elas chamam Estado mínimo a essa desregulamentação como chamam as negociações diárias dos mercados – que tendem muitas vezes à anarquia – de mercado livre, de “free market”. (Não há mercado que não sofra indefinidamente de desgaste e deformação, nem que seja isento de violência e de caos. Olhem a história de cada mercado, de cada produto. O de automóveis, por exemplo. Lembram-se das histórias do Ford? Pensem sobre o petróleo. Foi sempre um mercado puro?).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;3) Pois não é que as finanças levaram o tombo avassalador de 2007/08 e até agora não tomaram jeito. Caíram, só que não foram derrotadas. E inventaram, via Estado, a sua salvação: dos Estados Unidos à Europa. Jogaram o filho que era delas – os ativos podres – para a entidade estatal: toma que o filho é teu. Conclusão: o Estado transformou e ampliou e fez – para gáudio e júbilo das finanças, e tristeza e infelicidade dos trabalhadores e da população – de uma crise financeira, uma crise fiscal também. E as finanças, que tinham armado o cassino especulativo com sucesso, quando deu a pane, correram para o Estado, clamando para que fosse protagonista do que os americanos chamam de “bailout”: a salvação das instituições financeiras. Mas, depois, Madalenas arrependidas, o que fizeram as finanças? Usaram os lobbies para impedir, nos Legislativos, qualquer busca de regulação do mercado financeiro e usaram as Agências de Ratings para chantagear os Estados e os títulos soberanos deles. Mas, paralelamente, atacaram igualmente os títulos privados de capitais mais fracos. Ou seja, duplo movimento: paralisar o Estado para impedir transformações sociais, e prosseguir, à custa do Estado e dos seus concorrentes, o processo de concentração e centralização de capital. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;4) As finanças tem um projeto de mundo. E nele está uma visão de civilização, como está também uma visão de política econômica. Essa se resume nas seguintes etapas: (a) na fase de ascensão do ciclo, o que interessa é desregulamentação e Estado mínimo; (b) na fase do estouro da boiada, salvação do setor financeiro com endividamento do Estado (vejam só: com a parte saudável da própria finanças) instalando uma dupla crise: financeira e fiscal. É possível o desdobramento de uma terceira crise, a crise monetária dos países ou até, in extremis, da moeda mundial; (c) e na fase do descenso cíclico, as finanças são ditatoriais: controle da ação do Estado, controle de gastos, suspensão de investimento e de consumo, cortes de salários e de funcionários, de saúde e previdência – de aposentadorias, evidentemente – de educação e cultura. Nesse projeto itinerário, as finanças vão ao extremo, como nos Estados Unidos, onde chegam a paralisar o Estado com controle de gastos e teto do endividamento. Ou vão ao extremo, como na proposta da Alemanha: punição para quem avançar sobre o teto do déficit e se endividar mais do que um limite, ambos propostos como um percentual do PIB. E, se possível, inscritos na Constituição. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;5) Obviamente, que tanta lucidez dá escuridão. Pena que não possamos usar a beleza da palavra inglesa, que Shakespeare usa iluminadamente, “darkness”. O resultado é um efeito dramático sobre o Estado, sobre a esfera produtiva, sobre a economia, sobre a sociedade. Logo, dá-se o efeito recessivo. E por que buscam elas a recessão? Porque as finanças só conseguem multiplicar o seu cabedal com estabilidade. E essa é alcançada através de um endividamento aceitável e de um gasto comprimido do Estado, que, ficando em ordem, permite uma economia sem regulação. Mas, as perguntas fatais vêm agora: e a produção durante esse tempo foi salva? Começou-se a fazer investimento e a dar empregos? A sociedade avançou, depois da salvação dos bancos, para novos patamares de bem estar? E os bancos podres foram eliminados? E o Bem Comum foi privilegiado todo esse tempo? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O povo pode até ser ingênuo e pode até ser enganado, mas não é burro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;6) É aí que entra a canção de ninar. Para fingir seriedade –quando é arma de chantagem – as finanças enjambraram um instrumento maravilhoso, as Agências de Ratings. Elas têm uma escala de notas que servem para classificar empresas, instituições financeiras e os Estados. E atenção: essas notas servem para balizar aplicações de entidades privadas e públicas. De um lado, podem permitir que no futuro se suspendam essas aplicações; ou que os banqueiros e os chamados “investidores” – na verdade, especuladores – aumentem as taxas de juros em seu benefício. E de outro lado, no campo macro, com repercussões em toda a economia, podem assegurar que aumentem desbragadamente o interdito, a proibição de empréstimos aos Estados absurdamente endividados (endividados, é claro, com a ajuda deles). E dependendo do tamanho do país, da potencialidade de sua economia, da capacidade de segurança dos pagamentos dessa nação, a ameaça é grave. E vejam, um escândalo, basta uma rebaixa da nota de uma agência apenas. Estamos no samba e nas finanças de uma nota só. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;7) Qual é a estratégia das finanças? É impor, no mínimo, ao que eu chamo de “eixo econômico americano” da mundialização, uma ordem. Uma ordem que diz aos Estados Unidos: controle do orçamento, dos gastos e da dívida. No subtexto dizem: dêem dinheiro para nós via FED, que nós damos crédito para a sociedade. O que é uma mentira. Eles voltam a especular ou tentam se capitalizar. Na realidade, impõem uma contração ao resto dos agentes econômicos com a picante observação: não perturbem o saneamento do Estado e da economia (sic!). E para a Europa uma ordem semelhante, com uma ameaça nítida: vamos acabar com vocês porque vocês estão em nossas mãos. Façam a recessão ou nós acabamos com qualquer veleidade de Europa, seja ela a que for: seja a dos capitais, seja a da população.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;8) Vamos olhar ainda mais de perto para a Europa. Primeiro: a Europa não tem um Estado, tem um Banco Central e um Fundo Financeiro. Segundo: o alvo das finanças é o mesmo da Alemanha. Controle de gastos, da dívida, nada de investimentos e preocupação com o emprego. Terceiro: constata-se que as finanças jogam no campo financeiro e a Alemanha atua no campo político. Quarto: desqualificar a França como interlocutora econômica e política. A perda do triplo A faz isso, anula a liderança política dos franceses. Logo, vitória para Alemanha. Quinto: percebe-se o pacto subterrâneo – a ação conjugada das finanças e da Alemanha – sobre o resto: as finanças rebaixando as notas de vários países, ameaçando rebaixar a nota do Fundo Financeiro Europeu e criando ameaça para os países e para os bancos desses países. E a Alemanha insistindo permanentemente numa política econômica de austeridade, batalhando para não quebrar e para ampliar as regras europeias de restrição, sendo uma delas a que impede que o Banco Central faça empréstimos diretos aos países. Vejam, são regras que favorecem aos bancos, que simplesmente tomam empréstimos a 1% do Banco Central europeu e emprestam a 3, 4, 5, 6, 20% à França, Espanha, Itália, Grécia, etc. É ou não é um esquema que favorece os bancos? São regras que quebram qualquer mobilidade ativa dos países e dos Estados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;9) Desçamos um pouco mais para o efeito do rebaixamento das notas, que funciona como um efeito cascata, uma cachoeira em cima dos países e de suas entidades econômicas e da sociedade como um todo. Pego, como exemplo, a França. O rebaixamento da sua nota afeta diretamente bancos, companhias públicas, companhias territoriais, companhias aéreas, etc., etc. O que se pode perceber é que esse ataque conjugado economicamente das finanças (via, sobretudo, Agência de Ratings) e político, via Alemanha, leva o jogo para um triunfo político e econômico da Alemanha e uma derrota monumental da França (e de Sarkozy, em particular). E, ao mesmo tempo, conduz a economia europeia para uma recessão prolongada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;10) Quais os efeitos geopolíticos dessa pausa que não refresca do ataque das finanças? O efeito global dos ataques são enquadrar o Estado americano e europeu aos desígnios financeiros, mantendo a desregulamentação; criar estabilidade para novas expansões especulativas; e desequilibrar o mercado em favor das finanças americanas, obviamente as mais fortes. Nos Estados Unidos, uma busca de ganho delas pela concentração e centralização de capital. Talvez por pressão social, e se Obama ganhar as eleições, ocorra uma busca de retomada produtiva via algum programa modesto de estímulo fiscal. Geopoliticamente, pode-se prever que os americanos vão incentivar a indústria bélica em função de sua nova política de estratégia militar e de cerco à China e ao Irã. Claro, decorrerá daí, dependendo da extensão dos conflitos, um avanço na indústria bélica, principalmente na tecnologia aeronáutica. Não se pode desconsiderar que essa estratégia militar vem condicionada por uma tentativa de bloquear a China militar e economicamente, principalmente pelo lado comercial. Daí que o cerco vai se expressar também no campo marítimo, dada a vantagem americana em porta-aviões. O conflito trará um capítulo centrado em combates localizados, com predominância estratégica da aeronáutica e da marinha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;11) Na Europa, a consequência é o apequenamento do continente, o triunfo da política econômica de austeridade da Alemanha, a decadência da França, a diminuição da finanças europeias (salvo, talvez, aquelas da Alemanha), uma queda da produção e da competição da Europa no mercado mundial. Conclusão: recessão comprida, com inclinação política para a direita (talvez escape a França, onde teríamos um governo socialista frágil). Na mexida geral, assusta os reposicionamentos claros da Grécia, de Portugal, da Espanha e da Itália e, inclusive, da França, no contexto europeu e mundial. O que vemos são políticas econômicas que não trarão nem investimentos, nem renovações tecnológicas e muito menos empregos. A boa notícia será a tentativa de reencontrar dentro da ainda hegemonia das finanças americanas (do eixo Wall Street–City, melhor dito), um novo lugar (e hierarquicamente inferior) para os setores financeiros e produtivos da Europa. E tudo isso, numa realidade que se torna voluptuosa, porque o reposicionamento começa pela disputa surda e aberta entre os Estados Unidos e a China nas múltiplas lideranças do mundo (industrial, agrícola, tecnológico, militar, cultural, social, ideológico, etc.). O movimento geral da dinâmica do capital financeiro desloca os atores dos seus lugares no jogo de cena mundial, enquanto ouve-se ao fundo a canção de ninar do triplo A.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;CONTO FUTURISTA ATUAL&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Estão no Juízo Final, Sarkozy, Angela Merkel e banqueiros europeus e americanos. Deus pergunta: “Cadê a Europa?” Ouve-se a canção de ninar do triplo A. E escuta-se, de modo sepulcral, um silêncio prolongado. Deus pergunta de novo: “Cadê a Europa?”. E aí, a turma da política e da economia, envergonhados, respondem em coro sussurrando: “As finanças comeram!”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;(A cortina do palco, ao contrário da alta velocidade das comunicações do sistema financeiro, fecha-se num ritmo lento e continuado.)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-7053436851970768424?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/7053436851970768424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=7053436851970768424' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/7053436851970768424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/7053436851970768424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2012/01/crise-financeira-mundial-cade-europa-ou.html' title=''/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-8495950151173414507</id><published>2012-01-11T22:52:00.001-02:00</published><updated>2012-01-11T22:52:35.533-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-size: large;"&gt;CRISE FINANCEIRA MUNDIAL&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;O MAR REVOLTO &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;DA TEORIA &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;E DA REALIDADE&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-size: large;"&gt;Enéas de Souza&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;12/02/2012&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Não quero transformar esta coluna em arena de discussão teórica. Neste último ano sempre emergiram pontos que gostaria de abordar e de fazer uma incursão no nível das idéias. Volta e meia, faço umas aventuras; e, tenho dado desta forma uma escapada da análise conjuntural e esticado umas braçadas na beira desta praia. Mas, foram ficando alguns temas de discussão, que mergulham na travessia explicativa das análises e da conjuntura. Nos últimos textos que escrevi exalaram perguntas amplas. Vou dizer alguma coisa sobre uma e outra questão, conversar um pouco sobre um e outro tema, assim como os músicos dialogam numa reunião deles. Talvez, melhor seria dizer: estamos afinando os instrumentos para futuros comentários.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O SONO EXCESSIVO DOS HOMENS&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Meu amigo Paulo Timm já me colocou várias vezes a questão do capitalismo e da teoria do Estado. E acho que ele tem razão. É preciso tentar ver que a gente deve olhar maduramente para estes teores. Timm indaga das razões porque muitos ficam apegados às ideias de Marx do século XIX. Talvez a gente tenha que deslocar o caminho da pergunta. O importante é perceber que o mundo se movimenta e que a teoria também. O teórico em economia, olhando com atenção, é um caçador que colhe a trajetória da caça. O mundo não segue as ideias; são as ideias que seguem o mundo. E o que queremos entender é o que está aí e o que anda por aí; que se move e que avança. Acho que temos que entender que o capitalismo é uma estrutura dinâmica e não estática. Trata-se de uma estrutura onde os seus elementos se modificam alterando as suas relações. Mas sempre continua como uma estrutura, só que é uma estrutura na qual o capitalismo põe um vestido novo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Mas, o homem tem um sono muitas vezes excessivo. E este sono o leva a deixar de lado o que está acontecendo. Dorme. Assim é mais fácil achar que Marx tem razão e pronto. Ponto final. Nada mais equivocado, porém. Porque a estrutura que deu origem a “O Capital” já se transformou. Seguramente, carrega no seu DNA aquela estrutura, mas o mundo agora tem cara diferente, cospe fogo de canhões de outra potência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A ESTRUTURA É UM NAVIO QUE NÃO PÁRA NO CAIS&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Se a gente ler o livro III de “O Capital” de Marx, editado por Engels, a gente percebe o método dele: acompanhamento detalhado dos fatos empíricos; e ao mesmo tempo, uma exposição de dados e de acontecimentos que se organiza a partir de uma teoria que vai se fazendo na sequência da lógica do capital - que é a teoria desta estrutura dinâmica. Daí que o fundamental é seguir esta lógica que se altera e se transforma à medida que a história se modifica. As categorias desta lógica têm origem na própria realidade, mas são desenvolvidas conceitual e articuladamente, numa unidade e uma ordenação própria da teoria. É esta que dá sentido ao que está acontecendo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A DANÇA DOS DIÁLOGOS POSSÍVEIS E IMPOSSÍVEIS&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;E nenhuma teoria se faz sem a conversa cruzada. O diálogo com autores economistas, marxistas e não marxistas, como Keynes, Schumpeter, Minsky, ou mesmo contemporâneos como Krugmann, Stieglitz, Borio, Aglietta, Orléan, Chesnais, Harvey, Carlota Perez, etc. valem a pena. Ouvir um pouco de política vinda de Agamben, Rancière, Hannah Arendt, ou mesmo Carl Schmidtt, e tantos outros de outras áreas como Eric Hobsbawn, como Guy Debord, como Claude Lefort, etc. etc., não faz mal a ninguém. E a maioria destes autores, acredite o leitor, são descartados. E isso sem considerar os “diálogos impossíveis” com Max Weber, Durkheim, Freud e Lacan por exemplo. E sempre nos perguntamos: que tal escutar a literatura, ler o cinema e ver a filosofia contemporânea? Nunca esquecer que Marx achava que Balzac tinha dado uma contribuição fundamental para a compreensão do capitalismo. Pensá-lo, é, portanto, pensá-lo junto com.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;QUAL É O RITMO QUE TOCA O CAPITAL?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Assim, os temas do capitalismo financeiro e o avanço do capital pelas órbitas financeiras e produtivas são fundamentais. Também, a Maria da Conceição já tinha alertado que a dinâmica do capital passa pelas áreas do comércio e dos serviços. Aonde tiver uma trilha, uma trama, uma possibilidade (vejam a indústria da comunicação, da imprensa à TV) o capital está presente, funcionando como verdadeira caixa de bondade ou de maldades do mundo contemporâneo. Constrói e avança, mas destrói e inunda. E a sociedade liderada por ele e que tenta organizar a vida econômica, política, social e cultural, merece a nossa consideração. Porque vivemos a civilização (e a barbárie) do referido capital. E para criticá-la com rigor cabe saber como este personagem se movimenta. Daí neste momento a questão imprescindível do Estado. Como este se constitui, como se organiza, como se desintegra, como se une e se reúne, como é múltiplo e como é unitário, como é força e como é .... etc. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;De qualquer forma, me parece que é preciso fazer um duplo movimento: ser o mais exaustivo possível na descrição do que está acontecendo e tentar uma interpretação que atenda a lógica do capital no seu movimento. E nesta lógica é obvio ver como os grupos sociais a encaram. No caso, o velho Marx tinha uma postura vigorosa: tratar das relações sociais de produção em face do desenvolvimento das forças produtivas. Em resumo: observar, tanto quanto puder o olho e a inteligência, como os homens brigam no dia a dia nas suas múltiplas atividades; e ver como isso rebate sobre as transformações das bases tecnológicas da história de agora. Pois é isso que está em questão: como o capitalismo vai se desdobrar em suas dimensões econômicas, políticas, sociais e ideológicas nesta necessidade de ir adiante? E ele só vai adiante se revolucionar a sua indispensável tecnologia. Quem vai ganhar, quem vai perder, como a sociedade vai se conduzir, como o Estado vai liderar - sim, está aí o ritmo do capital. Um ritmo de jazz e de tango.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;CAPITALISMO DE ESTADO NO MICROSCÓPIO DA POLÍTICA&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Tenho tentado mostrar que na fase atual a grande questão é como o capitalismo vai avançar. E o que tenho tentado dizer é que o impasse deste capitalismo gerido pelas finanças, dado o bloqueio do avanço das forças produtivas, vai sair do domínio do Estado. Pois, pode-se constar que o Estado está em pauta por toda a parte. Mais para um lado mais para outro. As finanças procurando manter o Estado subordinado a elas, a produção tentando descobrir um jeito de incliná-lo a seu destino. E as classes subalternas, com suas manifestações diversas, tem conseguido alcançar muito pouco da mudança. Contudo se manifestam, seja com as greves da Europa, seja com o movimento “Occupy Wall Street, seja com “a primavera árabe”, etc. Mas, nada é como Toni Negri pensava; que todo e qualquer movimento já é uma ameaça ao capitalismo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Minha amiga Tania Faillace me escreveu dizendo que estou previlegiando o capitalismo de Estado. Estou sim. Mas, vamos ver as nuances. Há uma retomada do Estado em todo o mundo. Porque é a única forma de combater as finanças, que desregulamentou tudo, e deixou as funções sociais (saúde, educação, previdência e cultura) como fronteira de expansão do capital, diminuindo fortemente os investimentos e a expansão do emprego. O que teve como consequência, desde 2007/2008, uma paralisia da expansão da economia. O que coloca na frente do palco a luta aberta de todos os grupos sociais. Na minha visão, o único grupo que pode reunir tudo neste avanço é o capital produtivo. Só que ele tem que conquistar o Estado. Mas, o desenvolvimento geoeconômico não se dá sem o espaço geopolítico. E neste sentido, já existe um setor que tem o Estado no seu horizonte, que é o capital produtivo da China. Porque nela o Estado por visão política desenvolve a produção como um passo prioritário. E subordina, no avanço geopolítico, as finanças, que estão submetidas à estratégia do Estado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;É natural, nos dias de hoje, que se pense em apoiar o Estado. E pergunta-se: o Estado só sobrevive como capitalismo de Estado? Não, claro que não. O que estou dizendo é que o capitalismo de Estado chinês é o ponto do jogo econômico onde a unidade do Estado foi mais longe. E, como fruto disso, conseguiu dominar pelo menos, por enquanto, as finanças, colocando-a no rastro do setor produtivo. Mais do que isso: como instrumento do projeto estratégico chinês. Na China, a política está definindo a economia, e, por essa razão, é o polo mais ativo da economia mundial na realidade que corre.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O que não quer dizer que eu defenda o capitalismo de Estado, apenas estou salientando que na necessidade do capitalismo avançar partindo do Estado, o capitalismo de Estado chinês saiu na frente. E naturalmente, Tanya, numa dimensão, e meu amigo Fernando Saraiva, noutra, colocam a questão: quem mais atende ao bem comum? Certamente, não é o capitalismo de Estado. O mais importante no momento, a meu ver, com ou sem capitalismo de Estado, é a democracia, porque é ela que sacode o Estado quando ele é autoritário e pode afastá-lo do totalitarismo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;E o capitalismo de Estado pode ser uma tentação muito forte neste momento. Mas, contém um ponto fraco: o Estado sem o contrapeso da sociedade torna-se um poder abusivo, quem sabe incontrolável. A tentação do autoritarismo vai ser forte no próximo passo, pode inclusive vir junto com toda essa tecnologia de comunicação e informação. Basta só ver a discussão do futuro da internet, onde alguns governos, o poder econômico e as forças militares, etc. projetam em açambarcar e controlar o setor. Portanto, é um tema agudo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A SINOPSE DA ÓPERA DO CAPITALISMO ATUAL&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Passando decisivamente da teoria e das especulações à realidade, o que tentei colocar se encaminha na seguinte direção:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;1) As finanças só serão derrotadas ou atuarão para a sociedade somente se o Estado for transformado numa entidade que beneficie e apoie a produção, o investimento e o emprego;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;2) o capitalismo de Estado chinês está impondo à dinâmica geopolítica e geoconômica mundial a sua marca, inclusive por favorecer à produção e não necessariamente às finanças, em função de uma estratégia nacional bem concertada. Para o bem ou para o mal, a China é um exemplo;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;3) para fazer frente ao capitalismo chinês só um fortalecimento da área produtiva dos demais países, principalmente dos Estados Unidos. Mas, é preciso transformar neles o papel do Estado, enfatizando o investimento e o emprego, e adequando o financeiro à produção;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;4) toda a dinâmica econômica e política do mundo vai girar, então, em torno desse capitalismo de Estado e do papel do Estado nos demais países. E da passagem ou não da liderança econômica para o setor produtivo. E isto vai levar tempo. Precisa, no mínimo, reorganizar a estrutura da produção ao redor de um novo padrão de acumulação centrado nas tecnologias de comunicação e informação, nos novos materiais, na biotecnologia, etc;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;5) não se pode descartar uma formidável resistência das finanças inclinando-se para um engessamento da economia e forçando uma gestão de política econômica obscurantistamente recessiva dos Estados Unidos e da Europa. E tendo ainda como meta atingir - e quem sabe alcançando - à China e os emergentes, usando inclusive elementos bélicos, para desorganizar por tempo indeterminado o sistema com o objetivo de triunfo do financeiro;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;6) a questão política central é o tema da democracia, entendida não apenas como eleições livres, mas como a construção do bem comum, onde entram os temas da produção, da distribuição da renda, das políticas sociais, da retomada da cultura como uma forma de defender uma mudança, tão revolucionário quanto possível, do padrão de civilização do capitalismo. Este padrão atual, de corte financeiro, além de todos os problemas econômicos, políticos e sociais que estamos falando, ele é fulminantemente anticultural, antiartístico, antipensamento e antiético. Engana a população com um falso hedonismo e com os malabarismos do cálculo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Assim, é preciso pensar o capitalismo para frente, observando que há dois adversários fundamentais para a sociedade: primeiro: a vitória indefinida das finanças; segundo, as formas não democráticas de gestão do Estado. Cabe, então, reativar fundamentalmente a democracia como ponto de resistência a natural selvageria do sistema. E claro, a democracia não é propriedade de ninguém, mas sim construção da maioria - e extensiva a todos. E é, irreversivelmente, uma conquista diária.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-8495950151173414507?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/8495950151173414507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=8495950151173414507' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/8495950151173414507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/8495950151173414507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2012/01/crise-financeira-mundial-o-mar-revolto.html' title=''/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-3372248125267479641</id><published>2012-01-04T23:30:00.000-02:00</published><updated>2012-01-04T23:38:05.910-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size: large;"&gt;CRISE FINANCEIRA MUNDIAL&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;A CARA &lt;/span&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;VISÍVEL &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;DO ANO NOVO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Enéas de Souza&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;05 01 2012&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Um analista de conjuntura tem que ter, como os antigos adivinhos, uma arte especial, o dom de ler as tendências que já estão presentes. Ou os signos da realidade, diria Nietzsche. Calcas da Ilíada, “ótimo augure de pássaros”, Tirésias que, no Édipo de Sófocles, por causa da sua cegueira, descobre os indícios e as informações ocultas que lhe chegavam ou possuía. Pois o analista de conjuntura tem um pouco de Calcas e de Tirésias, mas também tem um pouco de Lênin, quando chega à Rússia e lança as “Teses de Abril”; e tem um pouco de Keynes tentando propor o Bankor para organizar o capitalismo e salvar a Inglaterra. E todos – todos! – na razão ou no desespero, lemos a conjuntura. O problema é conseguir captar a abertura que os seus sinais nos dão. Hoje, se temos o entendimento adequado, eles nos revelam o movimento, o sentido e a direção do capital. Se não, somos como os pilotos de Fórmula 1, o pára-brisa é a nossa interpretação; se o carro bate, as nossas ideias voam aos pedaços. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;2012 é um ano complexo, deve ser um ano de inflexão. Primeiro, porque no contexto do conflito entre os eixos americano e chinês, o elemento dinâmico do sistema é esse último. A China está se preparando economicamente para dominar o mundo a médio prazo. (Mas também se condiciona, a mais longo prazo, no lado militar, para encarar os americanos). Na economia, sua manufatura está sobrando, sua competitividade aumenta, talvez – e aqui está o decisivo – comece a entrar nas tecnologias de ponta. Monetariamente prepara o Yuan para ser moeda de reserva, a partir de acordos bilaterais com diversos países, para, logo adiante, torná-lo reserva de valor. A China vai ter que arranjar um modo de sua moeda ser aceita de uma maneira generalizada sem que suas manipulações sejam consideradas abusivas. (Atenção: não vamos entrar na ideologia americana de que o fluxo livre do dólar não é manejado, nem manipulado, por favor!! É só ver o que o FED andou fazendo e faz, ou o que os oligopólios financeiros fazem com as moedas. Livre mercado? Argh!). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Voltando à China. Com o processo de protecionismo agora avançando fortemente no mundo, ela vai ficar bem posicionada no mercado externo, com a hegemonia sobretudo na Ásia, e tentando destruir seus competidores – o Brasil que se proteja. E, ao mesmo tempo, vai voltar-se cada vez mais para o mercado interno. E a China tem estratégia nacional e tem uma postura de liberdade na política econômica para efetuar tal atuação. Tudo porque a China tem um Estado unitário. (Vejam bem, amados e contrastantes leitores: não estou defendendo a China e suas soluções, estou mostrando como as soluções que eles acharam estão incidindo sobre a realidade! É mais que evidente que há uma questão de fundo na realidade contemporânea, valendo integralmente nesta mundialização: qual é o Estado que servirá ao bem comum?)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O adversário imediato, o rival mimético, como falaria René Girard, é os Estados Unidos. Só que aqui a coisa está muito complicada. A classe dominante está dividida, até mesmo os financistas estão em disputa, o processo de concentração e centralização de capital continua, e mesmo se as finanças e as empresas crescem, a economia patina, porque uma economia só é de vanguarda e forte se o emprego cresce e transborda. No auge dos anos 90 do século passado, os Estados Unidos tinham 4% de desemprego, considerada uma taxa de pleno emprego. Hoje, a verdadeira taxa é de 16%. Bom, e não se conta o emprego clandestino que existia naqueles anos, quando mexicanos, brasileiros, europeus do leste, asiáticos e africanos estavam empregados, mas não entravam nas estatísticas. Hoje, esse pessoal emigra para outros lugares. Para o Brasil, inclusive. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Politicamente, os americanos estão, por consequência, divididos. O Estado está paralisado pelas resoluções dos deputados sobre o limite da divida e o controle os gastos. E o Fed continua mandando a serviço das finanças. E as agências de ratings – expressão do capital financeiro – estão entrando na linha de suicídio, jogando contra o Estado americano e contra os estados europeus. 2012 vai ser mais um ano de paralisia ou de lento crescimento nos “States”. E vejam, o problema da economia americana, que é uma economia líder, não é só crescer. É crescer para ampliar a sua liderança. Como? Construindo um conjunto de novas indústrias com novas tecnologias para comandar a arquitetura de um novo padrão de acumulação. Aqui é que está o ponto: os americanos têm política econômica para tal? Não! Por quê? Porque as finanças não cedem. E nem pensam e nem compreendem o seu novo papel neste padrão. E a atividade produtiva – dada a sua estrutura financeirizada, através da corporate governance (governança corporativa) – não tem bala para bater as finanças. Os lucros das grandes empresas ainda têm um componente financeiro elevado. Falta, então, a reorganização da economia, do planejamento, do financiamento, ou, no mínimo, de uma programação do investimento de natureza estatal em diálogo com as multinacionais, o que depende da política. E enquanto isso não ocorrer, a tentação bélica pode se antecipar, pois como o poder estatal do país está cindido, o gesto das armas pode ocorrer. (Olha o Irã e o estreito de Ormuz!)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A Europa, graças à vocação financeira dos seus países, está sendo empurrada para o fundo do poço de uma maneira grave, porque não só vai perder posição no contexto das economias (para Brasil, Rússia e Índia), como vai dilapidar sua socialização, vai incrementar a luta de classes através de uma direitização absolutamente visível – de Portugal à Alemanha. Não vai ser fácil os socialistas ganharem na França. E a política das finanças é corte de gastos, limitação do déficit e da dívida pública, corte de funcionários, corte de salários, diminuição dos gastos sociais, etc. Tudo aquilo que uma recessão/depressão gosta: a espiral do suicídio. Dessa forma, não há investimento autônomo do Estado e muito menos do setor privado. E claro, não teremos consumo e nem investimento derivado desse. Logo, o desemprego vai ficar mais sombrio. Pobre população desta Europa das Finanças, que não pensa sequer num Estado político europeu!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Já o Brasil está numa situação aparentemente boa. Primeiro, estamos já inseridos na nova mundialização através do petróleo, da produção de alimentos e dos minerais. O nosso desafio é não ficar estourando de felicidade por estarmos bem. Precisamos reposicionar a nossa indústria, seja para a competição internacional, seja para o retorno à expansão do mercado interno. A dificuldade maior será articular a relação de força dos grupos sociais que desequilibre a atual posição das finanças (bancos nacionais e instituições financeiras internacionais) em favor da indústria e dos trabalhadores. E ainda, na dimensão ideológica, que rompa com a possível direitização das classes médias ascendentes, que adoram o governo, mas que a qualquer solavanco maior da economia estarão brigando contra ele. E com um problema mais complexo. Como articular o desenvolvimento dessa relação de grupos sociais com a composição política partidária e a reforma política encravada em dúvidas, visando um poder maior do país? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Dessa maneira, o que se pode ver neste início de 2012 é o eixo econômico chinês – composto da Ásia, da América Latina (Brasil, incluído), África – se mexendo para um movimento dinâmico, obviamente com a China correndo a maratona, e os demais, corridas de média e curta distância. E o eixo americano, senão parando, pelo menos mais lento, com os Estados Unidos bloqueado por lutas internas, a Inglaterra no meio do barulho americano e europeu, e a Europa, talvez passando sem pudor, do purgatório da economia e da política para a sem esperança do Inferno. (É o que diria o nosso amigo Dante: “Lasciate ogne speranza voi ch´intrate”). E, quem sabe, nessa passagem é que pode estar a grande ameaça do conflito bélico, talvez algum Napoleão europeu tente puxar a espada da guerra contra o Irã, numa busca de votos e dominância geopolítica de desespero, antecipando o desejo militar americano. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Esso é o sentimento que aparece agora, na virada do ano, quando a maré está enchendo. Mas, no preamar, o medo da ressaca existe. E, portanto, a pergunta assustadora: se a maré alta se expandir mais longe do que devia, haverá uma certa devastação no mundo, como a voluptuosidade que Capitu fez no coração de Bentinho, no romance “Don Casmurro” de Machado de Assis? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;﻿&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-3372248125267479641?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/3372248125267479641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=3372248125267479641' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/3372248125267479641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/3372248125267479641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2012/01/crise-financeira-mundial-cara-visivel.html' title=''/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-4928035621546206801</id><published>2011-12-29T00:37:00.003-02:00</published><updated>2011-12-29T00:37:34.445-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;CRISE FINANCEIRA MUNDIAL&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-large;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;A REVERSÃO&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-large;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;DO ESTADO &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-large;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;PRÓ-FINANÇAS&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Enéas de Souza&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;29/12/2011&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Tenho falado que é o Estado que vai intervir e liderar a transformação da atual sociedade capitalista, de financeira-produtiva para produtiva-financeira. Mas, amiga e leitora, a arquiteta Glenda, traz aos meus comentários da semana passada, “Por quem estouram os foguetes neste Natal”, uma dupla questão. Nas suas palavras: “Concordo com tudo, só que me ficam algumas dúvidas, a primeira: será que ainda existe ‘Estado’? Aquele que cuidava da ‘res pública’, aquele que supostamente existiria para promover o ‘bem público’? Acho que está (o Estado) reduzido a um fantoche, um brinquedo nas mãos do ‘mercado’ e dos bancos! Em segundo lugar, tem uma questão crucial que é este ‘embate’ entre Ocidente e Oriente: conhecendo-se as diferenças cruciais entre as mentes ocidentais (que tiveram sua inspiração primordial – num exercício de síntese muito redutor, é verdade – no pensamento, ciência e políticas gregas e, fundamentalmente no Direito romano) e as mentes orientais, sempre ferrenhamente autoritárias e ditatoriais, pergunto: qual o papel da China, da Índia, Irã, Iraque, etc., neste quadro apocalíptico?”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Glenda tem toda a razão sobre o Estado atual. E por quê? Em primeiro lugar, porque hoje o citado personagem é resultado de uma construção e de uma institucionalização política que dá ênfase e saliência ao projeto das finanças. Não se pode esquecer que institucionalização vem de “instituire”, que quer dizer “o que permite viver”. É o que permite viver a supremacia do capital e das finanças. E nesse embalo, o Estado deixa de lado tanto o bem comum, quanto a dimensão pública da sociedade. E ele se transforma – pela sua atuação, pela prevalência de mecanismos onde a taxa de juros é o principal definidor de impostos, tributos, taxas, multas, descontos, desonerações e incentivos, e mesmo de políticas públicas, etc. – no que chamo de Estado financeiro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Podemos perguntar: em que consistiu fundamentalmente este projeto neoliberal das finanças para o Estado?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O projeto das finanças foi uma lenta e longa noite que visou a destruição do Estado nacional (1979-2007/8). Deu-se, então, como a repartição do átomo. Houve uma ruptura na unidade e no entrelaçamento de instituições e órgãos estatais que comandavam a política, a estratégia e o projeto nacional. Tal cirurgia esquartejadora, infindo espetáculo macabro, envolveu a separação e a anulação e, em muitos momentos, a cooptação da direção do Estado. Fantasma aterrador. Duas de suas grandes forças institucionais – o Banco Central e a Fazenda – se tornaram, no mais das vezes, órgãos auxiliares das Finanças. Só que, dentro do Estado, eram forças dominantes. E para completar a destruição da unidade, um dos elementos decisivos da operação do Sistema Financeiro, foi tornar ineficiente ou eliminar completamente o Ministério de Planejamento. Obviamente, essa bala mortal, transformou o Estado numa ‘stultifera navis’, um Titanic navegando sem rumo. Culminou essa operação tríplice por liquidar uma política econômica e social global, ficando o Estado apenas a conduzir uma política econômica reduzida, dedicada à expansão voluptuosa do sistema financeiro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Ou seja, armou uma política subalterna de Estado com um composto de política monetária, cambial, financeira e fiscal, com o objetivo nobre de garantir a estabilidade da economia, no entanto, para que as instituições financeiras surfassem nas ondas da especulação. E o resto, se não foi silêncio como diria Hamlet, foi a metamorfose de zonas da política pública a expansão do capital inversor nas fronteiras internas do próprio Estado: previdência, saúde, educação e cultura. Com isso, o processo de socialização foi abandonado até mesmo como busca de longo prazo. E como um véu enganador, o futuro desapareceu do horizonte das sociedades. Surgiu, então, a grande festa do cassino e do carrossel financeiro, que atirava sobras para o setor produtivo e migalhas para a população. Houve momentos exitosos em que as pessoas se sentiram felizes. Só que o desastre americano, em todos os sentidos, revelou que, no outro lado da lua, o rei exibia seu corpo nu. Pois só existem perspectivas duradouras para toda a sociedade, se e somente se o longo prazo organiza o curto. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Mas qual foi a curva que levou as finanças ao seu trajeto declinante? Foi a carta mais audaciosa, a mais alta, como uma árvore secular: a desregulamentação progressiva e doida do mercado financeiro. Foi aí que, como um cavalo selvagem, a especulação tornou-se uma correnteza indomável, levando de arrasto inúmeros capitais e ativos financeiros. Ela – a desregulamentação – está arruinando todos os Estados dos países desenvolvidos, dos Estados Unidos à França. Isto foi o resultado de uma combinação de ações do executivo e de congressos, permitindo, no caso mais exemplar – os Estados Unidos – que as alavancagens (cada dólar se transformando, sem controle, em trinta, quarenta, cinquenta outros) provocassem as extrapolações da securitização e da hipotecarização. E vejam que nesse processo ocorreu também uma aliança dentro do Estado contra o Estado, a partir de poderosas forças que atravessaram os congressos nacionais e, muitas vezes, o próprio judiciário.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Já se pode ver que o projeto neoliberal sempre procurou afastar o Estado da economia, liquidar funções fundamentais dele como a mais vital, a do planejamento de curto e longo prazo. Para ver o descolamento do Estado com a população, a questão do emprego foi relegada ao setor privado, a uma política microeconômica. Veja-se a perfídia: o Estado, sobretudo na crise, tem que sustentar o nível do emprego da sociedade, o contrário do que se faz hoje, quando é forçado a cortar na própria carne e começa pela exclusão de funcionários, pela liquidação da previdência e das aposentadorias e a supressão dos programas sociais, etc., como em Portugal e na Grécia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Mas, Glenda, veja só a perfídia desse neoliberalismo. Cortaram o Estado em pedaços para melhor repartir o domínio do Estado para o capital, com hegemonia do financeiro, como já falamos acima. Mas, no entanto, estamos no coração do artifício e da cilada. Aparentemente, a fragmentação do Estado nos dava a impressão de que ele estava sem força. E isso era verdade. Mas somente dentro de uma linha: estava sem força contra o capital e contra as finanças, principalmente. Mas contra o cidadão, esta força era cada vez mais sem limites. Porque Estado tem o monopólio da força, ele é coerção, e as finanças sempre usaram a coerção do Estado contra o cidadão, e não contra o Estado, porque, na verdade, quem o ocupava era a própria Finanças. A burocracia que poderia visar, pelas suas funções, o bem comum, tramava, por compadrio, com a força econômica dominante, a capação da res pública. Chesnais, François Chesnais, disse muito bem: o que temos é a ditadura do capital financeiro. Por isso, o público desabou, mas o poder do Estado, não. E as finanças sempre souberam usá-lo como nunca, apoiado no domínio financeiro sobre o político em geral. No entanto, está havendo, inclusive no Brasil, um princípio de reversão do Estado, onde a sua reunificação está num movimento que vai se acelerar. Múltiplas pressões encaminham o ente estatal a liderar a construção de um novo padrão de acumulação. Chegar até lá e reconstruir é um longo processo de desmontagem das instituições liberais e a construção de novas. Não há como negar que a China, dando saltos avassaladores, tem mostrado o êxito da unidade do Estado no combate à crise atual. A tendência parece vigorosa. É daí que nasce o mar da reversão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;(PS. Quanto à segunda questão, não sei responder com segurança. Mas, o que posso dizer é que ela tem que ser pensada não num confronto entre Ocidente e Oriente, mas num confronto de fundos antropológicos, sociológicos e históricos das nações na dinâmica do capital, no seu processo de reprodução. Por isso, o Estado chinês – por mais que tenha as influências históricas das suas dinastias, da Revolução comunista de Mao, da sua cultura histórica milenar – vai sendo direcionado pelo processo de valorização do capital. Claro, o Estado do capital nos Estados Unidos é diferente do Estado do capital da China. As tradições das nações dão a cor da sua experiência no desenvolvimento do capitalismo. Mas, o primeiro, enquanto sobreviver, será o capitalismo. E isso faz parte da luta geopolítica das nações. O comunismo foi o último movimento que se opôs, e foi derrotado, diga-se, pelas suas próprias contradições. No confronto do Ocidente e do Oriente, o importante é saber, em termos de economia, se existe a possibilidade de construção de um outro sistema que possa se opor ao citado capitalismo. Do contrário, será apenas o modificar da forma externa de desenvolvimento do capital, porque o capital é o seu próprio construtor, já que é ele que revoluciona a si mesmo. E a sua destruição terá que ser um processo revolucionário de base política, econômica, social e ideológica – que, no momento, está fora de cogitação e de construção).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-4928035621546206801?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/4928035621546206801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=4928035621546206801' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/4928035621546206801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/4928035621546206801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/12/crise-financeira-mundial-reversao-do.html' title=''/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-7521575811871874347</id><published>2011-12-25T12:58:00.001-02:00</published><updated>2011-12-25T12:58:50.824-02:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Escudo imperfeito protege EUA da crise européia</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://mobile.nytimes.com/article?a=884463&amp;single=0&amp;f=115"&gt;NYT: Fed's Moves Offer a Shield Aga&lt;/a&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-7521575811871874347?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/7521575811871874347/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=7521575811871874347' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/7521575811871874347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/7521575811871874347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/12/crise-financeira-mundial-escudo.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Escudo imperfeito protege EUA da crise européia'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-6182110357547165508</id><published>2011-12-22T00:33:00.000-02:00</published><updated>2011-12-22T00:33:42.595-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;CRISE FINANCEIRA MUNDIAL&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;POR QUEM ESTOURAM&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;OS FOGUETES NESTE NATAL?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Enéas de Souza&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Estamos num processo longo de reformulação da economia capitalista, desde a crise de 2007/2008. Neste Natal, a gente pode fazer um balanço para onde ela vai. E examinar, busca de lucidez, que tendências estão inscritas no seu movimento e na sua dinâmica, uma vez que o mundo se mexe apesar das aparências. Daí a pergunta: para onde está indo o capitalismo? Nada mais próximo do que falava o nosso Fellini: “E la nave va”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A DINÂMICA DO CAPITAL ESTÁ NO IMPASSE&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Quando se olha a realidade atual, o que é que nós vemos? Olhamos uma economia que chegou a um auge nos fatídicos anos de 2007/2008 e desabou. Chegar a um auge quer dizer que esta economia criou capital demais, superacumulou e, portanto, quando se chega a um excesso, a um transbordar, o capital – que sobra e que não dá lucro – precisa ser queimado, destruído, eliminado. Isto significa que a acumulação não vai adiante, não há mais espaço para crescer. Ao mesmo tempo, toda a lucratividade do sistema cai e é preciso recuperá-la; mas sabe-se que os mesmos procedimentos não podem ser repetidos. No caso das finanças, toda aquela enxurrada de papéis que se tornaram apodrecidos não conseguem mais serem utilizados, são papéis ilíquidos, são mecanismos emperrados. Ari Barroso tinha razão: são “Folhas Mortas”. E as instituições que as possuem se tornaram insolventes. Foi aí que entrou o Estado e o Banco Central dando força às instituições financeiras, fazendo operações de salvações gigantescas ou pondo liquidez na caixa e nos ativos dos bancos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Então, os bancos ficaram se equilibrando e se salvaram, mas o problema é que a superacumulação indica claramente que o processo não vai adiante, que cada vez mais há empecilhos. O espaço de acumulação se reduziu, os mercados encolheram e a lucratividade também. Ora, foi assim na securitização com a grande história da crise imobiliária, está sendo assim na crise dos títulos soberanos, e continua assim na questão da re-hipotecarização. Logo, a arena de valorização do capital ficou pequena para tanta fome de lucros e de valorização. E quando o espaço encurta, os capitais tem que lutar entre si, com todas as armas, com todos os machados, com todas as facas, com todas as navalhas. Este é um processo de luta à morte dos capitais. Ele já destruiu várias instituições financeiras. Entre elas, a Lehman Brothers, a Fannie Mae e, recentemente, a MF Global. Isto quer dizer que alguns capitais já morreram (por exemplo, o Unibanco no Brasil) e outros vão morrer. Não há expansão da lucratividade para todo mundo; o que há é concentração e centralização de capital. Os mercados – tão celebrados – sumiram para alguns capitais. O capital vive um impasse: vai levar muito tempo para que essa autofagia traga uma abundância de lucros para todas as suas frações, da financeira à produtiva, sem que a economia altere profundamente o seu padrão de acumulação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;DE ONDE VEM A REVERSÃO DA FASE ATUAL?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;É possível recompor a possibilidade de acumulação de capital, de modo substancial, através de uma vasta metamorfose tecnológica. E como pode ser? Ela se dará por meio de uma passagem, de uma transição. Vemos, de um lado, uma economia produtiva que está se desmanchando, que está apanhando e que vai estacionar e regredir nos próximos anos. Nela, a tecnologia já chegou ao seu limite, há várias coisas que podem ser acrescidas, mas a sua liderança atingiu uma zona de saturação. De setor líder vai passar a ser um setor em processo de envelhecimento e comandado por outro(s). Seus incrementos serão sempre de produtividade e jamais de invenções revolucionárias, como é o caso da indústria automobilística. Todavia, algumas outras indústrias, como a eletrônica, têm saltado para transformações decisivas, tanto na questão da produção, como na questão da distribuição – ou, como se chama de outra maneira, na esfera da circulação do capital. Isto quer dizer que uma parte do novo padrão de acumulação – as novas tecnologias de comunicação e informação – vai progressivamente ocupar o seu lugar, a posição de liderança dinâmica. É exatamente pela tecnologia que o capitalismo pode sair do seu impasse de aumento da valorização do capital.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A BARCAROLA DO ESTADO AVANÇA NO MAR DOS CAPITAIS.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Contudo, o ponto chave para a transformação da economia é o Estado. E aqui temos que salientar duas coisas. A primeira é que o Estado tem que se livrar do aprisionamento das finanças, que levaram a quebra de alguns Estados nacionais, através do entupimento das dívidas soberanas. Ou seja, os Estados têm que abandonar essa ligação cariada. Eles não podem se recuperar para salvar e apoiar novamente as instituições financeiras falidas. Se isto acontecer, tudo será como no Japão, nada se mexerá, nem as finanças, nem a produção, nem a sociedade e nem o Estado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;(Os americanos estão singrando nesse caminho e nessa rota, só as eleições podem alterá-los. E a Europa? Bem, a Europa está pior. Veja o BCE: não empresta para os Estados, mas empresta para os bancos, sob o suposto inverossímil de que esses comprarão as dívidas daqueles. Ah! essa idéia só pode ser de um homem das finanças: Mario Draghi, aquele que comandava a Goldman Sachs, quando essa auxiliou a Grécia a falsificar as contas para entrar na Comunidade do Euro... Porque o concreto é o seguinte: o banco especula e não compra dívidas para salvar os Estados. Só por essa razão é que o BCE faz a festa das finanças e encaminha o desastre europeu para mais uma falsa esperança.)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Para que o capitalismo se resolva, o Estado precisa desatar a crise fiscal, escapando da longa mão especulativa e anti-social das finanças. A segunda coisa é que é preciso deslocar a fonte de atenção da estratégia dos Estados, ela deve deixar de se ater às finanças e passar a se preocupar com o investimento e com o emprego. As finanças jamais financiarão um Estado em profunda crise e jamais passarão recursos da especulação para a aplicação produtiva espontaneamente. Por isso, o Estado é o ator principal. Portanto, a questão é uma questão política. E as indagações são as seguintes: como é que politicamente o Estado vai passar à liderança do processo econômico e resolver seus problemas de financiamento? A ênfase do novo financiamento será através de novos endividamentos? E eles serão de que origem? Ou o financiamento virá através de aumentos de impostos? E como? Ou será através de uma situação mista, endividamento e tributos? Ou o Estado, num caso extremo, financiará a si próprio porque nacionalizará ou socializará os bancos? De qualquer forma, a pergunta subsequente é imperiosa: o Estado vai se financiar para quê? A única resposta válida: o financiamento deve ser para um projeto de longo prazo da economia, que é a construção desse novo padrão de acumulação já citado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A questão toda que aparece neste Natal é a incerteza da definição e o tempo para essa mudança, já que ela depende da capacidade de resistência das finanças, da amplitude política dos capitalistas e dos trabalhadores para instalarem um Estado com um projeto de longo prazo, e das negociações políticas e econômicas capaz de dirigir o Estado para a arquitetura de um novo padrão de acumulação. Se o impasse triunfar, a mundialização pode desembocar, quem sabe, na instauração do bélico, de um escuro neoliberalismo financeiro de guerra. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-6182110357547165508?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/6182110357547165508/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=6182110357547165508' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/6182110357547165508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/6182110357547165508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/12/crise-financeira-mundial-por-quem.html' title=''/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-8122102004558705554</id><published>2011-12-15T09:02:00.000-02:00</published><updated>2011-12-15T09:04:39.024-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;CRISE FINANCEIRA MUNDIAL:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;DILMA NA TENSÃO &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;DO CURTO E DO LONGO PRAZO&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Enéas de Souza&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Um ano de Dilma. Há muita coisa a falar sobre a sua presença no cenário nacional e internacional. Vir depois de Lula não é fácil, porque Lula fez um trabalho sensacional e empolgante. O que é surpreendente para os adversários é que ela está se saindo bem, está fazendo as suas tarefas. Como se dizia antigamente, a Dilma é quadro. Mas, agora, ela ultrapassou essa etapa, ela é a comandante do país. Só que pegou uma conjuntura movediça, voluptuosa e errática. Numa palavra: ameaçadora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Olhem, leitores controversos, qual é a situação em que se encontra a presidenta. Em primeiro lugar, há dois problemas imediatos. Um de curto prazo: como armar a defesa brasileira em torno da ameaça constante do vendaval da crise. E nele a pergunta chave é: qual o momento exato em que a conjuntura internacional será irreversível? Dilma vai precisar de sintonia fina e de uma sensibilidade antenada, como a de um escritor como Borges. Ou, como Pamouk. Mas, há um segundo ponto, um problema de transição: como desenvolver um projeto nacional no meio da constância dos ventos e dos aguaceiros? Aqui já é o longo prazo que está chegando à porta e perguntando à Dilma: o que tens para me agradar?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;(A essa última pergunta, nos seus devidos momentos, Collor não tinha resposta e Itamar só tinha suspeitas. Já Fernando Henrique, foi indolente: deram-lhe o neoliberalismo e ele aceitou. Talvez tenha sido que nem Riobaldo, só que sem Diadorim. E Lula, por sua vez, chegou para descortinar um horizonte ao Brasil na política externa e para desenvolver, igualmente, uma luta contra a miséria, uma política de sustentação coerente para os que fizeram e fazem as verdadeiras raízes do Brasil).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Assim, a questão do curto e do longo prazo é uma realidade terrível, porque, como a economia capitalista está em transformação, as crises americanas, europeia (incluindo Inglaterra) e a tendência da China, a diminuir seu crescimento, mostram que o mundo do capital vai mudar profundamente. É o que sempre vínhamos dizendo: a busca de um novo padrão de acumulação. Ou seja, algo de adventício vem chegando. Como diria Carlota Perez: estamos na zona do “turning point”, só que este momento leva tempo para se encaixar. Enquanto ele não chega, vivemos a turbulência do curto prazo. E os estragos do capitalismo neoliberal obrigam aos países a cuidar das devastações do imediato (vide agora o novo problema da re-hipotecarização, como faz notar o meu amigo André Scherer).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Bem, no meu modo de ver, a grande jogada de Dilma é exatamente colocar uma atenção muito forte sobre o curto prazo, sem descuidar de olhar, pelo menos de quando em vez, para o longo. Como assim? Explicite melhor! O que penso ser a estratégia da Dilma para o termo imediato já começou desde os primeiros dias de seu governo. Claro, tudo se inaugura com um princípio, que é uma estratégia: a reunificação do Estado. Ela é um grande lance para o Brasil se desvincular deste neoliberalismo financeiro, cujo objetivo foi sempre desarmar a entidade estatal de sua capacidade de efetuar política econômica, de pensar e articular o curto com o longo prazo, de proteger a sociedade de eventuais desastres dos mercados financeiros que afetam o investimento produtivo e o emprego, a inanidade pública diante da crescente miséria e fome do mundo. O resultado desse processo de financeirização da economia e da sociedade foi um Estado fragmentado, no mínimo dividido entre Governo de um lado e Fazenda e Banco Central de outro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Foi essa cissiparidade econômica que Dilma conseguiu obstaculizar e dar um passo gigantesco para a reunificação do Estado. Se Lula já tinha conseguido colocar a Fazenda no bom caminho, Dilma alcançou um feito memorável. Sem impedir a autonomia do Banco Central, articulou para o órgão uma presidência que tem uma visão de economia semelhante a do próprio Governo. Faz muitos anos que não existia essa identidade na área econômica. No limite, o Banco Central de Meirelles, pelo menos, era sempre as Finanças governando o país. Agora, o Banco Central pensa também no crescimento econômico da nação. Olhem, para confirmação, no movimento da taxa de juros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O que significa isso? Significa que para que um país possa vencer sem grandes rombos no seu casco de navegação esta brutal crise internacional ele tem que ter minimamente uma unidade. E Tombini, pelo menos até agora, tornou-se um presidente alinhado com o Estado Nacional. E daí vem a visão de Dilma. É preciso preparar fortemente o Brasil para defender-se da furiosa disputa econômica do momento atual, efeito da queda da produção dos países líderes ocidentais, da queda do comércio internacional, da devastação alucinada das finanças, da procura invasiva de especulações vigorosas, da débâcle do eixo americano (USA-Inglaterra e Europa) e dum avanço menor do eixo chinês como rebote desse eixo americano sobre ele.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Esmiuçando um pouco, Dilma tem então duas preocupações no curto prazo: a primeira é defender-se dos efeitos negativos da recessão mundial a caminho de uma depressão. E a segunda: recuar, fechar-se se for necessário, para uma certa proteção da economia brasileira, voltando-se, atingido um ponto crítico, para o mercado interno. Essa manobra visa reaver um capitalismo estatal, como o da Petrobrás, incentivando o capitalismo privado produtivo, até para uma expansão internacional, e procurando medidas, controles, ações na área financeira que protejam o próprio setor bancário. Isto quer dizer que Dilma trabalha numa dupla dimensão: manter as relações com o que está vivo do capitalismo internacional e uma reativação das estruturas internas do nosso capitalismo para que se mantenha o investimento e o consumo e se mude a situação de áreas industriais prejudicadas nessa mundialização, sobretudo aquelas afetadas pelos chineses. Tudo é uma questão de momento, de oportunidade, de ter o olfato para o que vai ocorrer. E, sem nenhuma dúvida, puxar o gatilho no momento agudo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O ponto mais complexo, no entanto, é o do longo prazo. Por quê? Exatamente porque o Brasil não é um país líder do capitalismo, não tem nem um setor industrial nem tecnologia de ponta. E aqui talvez esteja uma das grandes dificuldades para Dilma. Por um lado, o Brasil está encaminhado para o novo padrão internacional de acumulação, pois a sua inserção está praticamente garantida através do petróleo, da mineração e da produção de alimento. Só que se ficarmos nisso será cometer o equívoco da Argentina no século XIX e XX. Seria paralisarmos nossas pretensões na trajetória da produção primária. E, portanto, ficarmos dançando um excessivo e prolongado tango. O problema, então, é como conseguir envolver o país numa estratégia de longo prazo, englobando um itinerário industrial onde as novas tecnologias de comunicação e informação, da biotecnologia, dos novos materiais, etc., façam a sua parte. Isso vai exigir, além de planejamento, investimentos estatais e investimentos privados, locais e estrangeiros, e uma estratégia que envolva além de um projeto nacional, econômico e político, um desdobramento para as áreas da educação, da ciência e tecnologia, e da cultura. Mas não, é claro, como um projeto adicional, e sim como um projeto essencial do país. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-8122102004558705554?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/8122102004558705554/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=8122102004558705554' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/8122102004558705554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/8122102004558705554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/12/crise-financeira-internacional-dilma-na.html' title=''/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-6220044176020393571</id><published>2011-12-15T02:38:00.001-02:00</published><updated>2011-12-15T02:38:06.760-02:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Mais sobre as "re-hipotecas"</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://www.creditwritedowns.com/2011/12/re-hypothecation-in-gold-securities.html"&gt;The ABCs of Re-hypothecation in Gold and Securities Markets: What You Need to Know | Credit Writedowns&lt;/a&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-6220044176020393571?l=econobrasil.blogspot.com' 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rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-4934427332342060104</id><published>2011-12-13T17:25:00.001-02:00</published><updated>2011-12-13T17:25:08.161-02:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Fed gastou 29 trilhões para salvar Wall Street... até o momento!</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://www.creditwritedowns.com/2011/12/bernankes-29-trillion-dollar-fog-of-deceit.html"&gt;Credit WritedownsBernanke&amp;#8217;s 29 Trillion Dollar Fog of Deceit | Credit Writedowns&lt;/a&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-4934427332342060104?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/4934427332342060104/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=4934427332342060104' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/4934427332342060104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/4934427332342060104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/12/crise-financeira-mundial-fed-gastou-29.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Fed gastou 29 trilhões para salvar Wall Street... até o momento!'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' 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href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/7281156779045922107/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=7281156779045922107' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/7281156779045922107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/7281156779045922107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/12/crise-financeira-mundial-sistema.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Sistema financeiro europeu e as dificuldades de funding'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-6628372462140017769</id><published>2011-12-11T09:30:00.001-02:00</published><updated>2011-12-11T09:36:41.654-02:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Fisk e a ditadura financeira</title><content type='html'>&lt;blockquote class="tr_bq" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: 13px; line-height: 18px;"&gt;&lt;i&gt;"I didn't need Charles Ferguson's Inside Job on BBC2 this week – though it helped – to teach me that the ratings agencies and the US banks are interchangeable, that their personnel move seamlessly between agency, bank and US government. The ratings lads (almost always lads, of course) who AAA-rated sub-prime loans and derivatives in America are now – via their poisonous influence on the markets – clawing down the people of Europe by threatening to lower or withdraw the very same ratings from European nations which they lavished upon criminals before the financial crash in the US. I believe that understatement tends to win arguments. But, forgive me, who are these creatures whose ratings agencies now put more fear into the French than Rommel did in 1940&lt;/i&gt;?"&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talentoso. Falei sobre essa picaretagem no Clube de Cultura terça e ontem estávamos comentando o assunto de novo, né Enéas? Muito bom esse artigo do Robert Fisk.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.independent.co.uk/opinion/commentators/fisk/robert-fisk-bankers-are-the-dictators-of-the-west-6275084.html"&gt;http://www.independent.co.uk/opinion/commentators/fisk/robert-fisk-bankers-are-the-dictators-of-the-west-6275084.html&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-6628372462140017769?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/6628372462140017769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=6628372462140017769' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/6628372462140017769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/6628372462140017769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/12/crise-financeira-mundial-fisk-e.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Fisk e a ditadura financeira'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-240637455080518077</id><published>2011-12-11T08:22:00.000-02:00</published><updated>2011-12-11T08:22:26.989-02:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: The Merkelization of Europe - By Paul Hockenos | Foreign Policy</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.foreignpolicy.com/articles/2011/12/09/_merkelization_of_europe#.TuSEHHRSraM.blogger"&gt;The Merkelization of Europe - By Paul Hockenos | Foreign Policy&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-240637455080518077?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/240637455080518077/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=240637455080518077' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/240637455080518077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/240637455080518077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/12/crise-financeira-mundial-merkelization.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: The Merkelization of Europe - By Paul Hockenos | Foreign Policy'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-7118572449439256793</id><published>2011-12-08T16:08:00.001-02:00</published><updated>2011-12-08T16:08:21.416-02:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Por que a falência da corretora MF Global (e seus desdobramentos) ameaçam o sistema financeiro mundial</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://newsandinsight.thomsonreuters.com/Securities/Insight/2011/12_-_December/MF_Global_and_the_great_Wall_St_re-hypothecation_scandal/"&gt;MF Global and the great Wall St re-hypothecation scandal&lt;/a&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-7118572449439256793?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/7118572449439256793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=7118572449439256793' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/7118572449439256793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/7118572449439256793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/12/crise-financeira-mundial-por-que.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Por que a falência da corretora MF Global (e seus desdobramentos) ameaçam o sistema financeiro mundial'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-1399027979236545578</id><published>2011-12-08T14:32:00.001-02:00</published><updated>2011-12-08T14:32:33.005-02:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Re-hipotecas ou a hora da verdade para o sistema financeiro mundial</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://www.zerohedge.com/news/why-uk-trail-mf-global-collapse-may-have-apocalyptic-consequences-eurozone-canadian-banks-jeffe"&gt;Why The UK Trail Of The MF Global Collapse May Have "Apocalyptic" Consequences For The Eurozone, Canadian Banks, Jefferies And Everyone Else | ZeroHedge&lt;/a&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-1399027979236545578?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/1399027979236545578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=1399027979236545578' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/1399027979236545578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/1399027979236545578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/12/crise-financeira-mundial-re-hipotecas.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Re-hipotecas ou a hora da verdade para o sistema financeiro mundial'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-8985338717156221005</id><published>2011-12-06T20:22:00.001-02:00</published><updated>2011-12-06T20:33:10.147-02:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Debate no Clube de Cultura</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amanhã e quinta-feira (07 e 08/12) ocorrerá o debate&lt;b&gt; "Crise Financeira Mundial: e o Brasil?"&lt;/b&gt; , no Clube de Cultura, situado na Rua Ramiro Barcelos,1853.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amanhã estará em debate a conjuntura internacional e o desenrolar da crise financeira, com o economista André Scherer. Quinta-feira o tema será a conjuntura nacional frente à crise internacional, com a participação do economista Augusto Pinho de Bem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Clube de Cultura se notabiliza ao longo das décadas &amp;nbsp;por promover debates que estimulam a difusão do pensamento crítico, tendo nos estudantes da capital seu público principal. As palestras dessa semana se iniciam às 19:00 hs.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-8985338717156221005?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/8985338717156221005/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=8985338717156221005' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/8985338717156221005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/8985338717156221005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/12/crise-financeira-mundial-debate-no.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Debate no Clube de Cultura'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-5266204642481433680</id><published>2011-12-05T22:40:00.001-02:00</published><updated>2011-12-05T22:40:13.758-02:00</updated><title type='text'>CRIDE FINANCEIRA MUNDIAL: Desempenho do G7+ Austrália em 2011</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://research.stlouisfed.org/economy/?utm_source=Twitter&amp;utm_medium=SM&amp;utm_campaign=Twitter"&gt;Tracking the Global Economy - St. Louis Fed&lt;/a&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-5266204642481433680?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/5266204642481433680/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=5266204642481433680' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/5266204642481433680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/5266204642481433680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/12/cride-financeira-mundial-desempenho-do.html' title='CRIDE FINANCEIRA MUNDIAL: Desempenho do G7+ Austrália em 2011'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-1662679358686926048</id><published>2011-12-05T11:08:00.000-02:00</published><updated>2011-12-05T11:08:32.623-02:00</updated><title type='text'>Diário Gauche: A obsessão por ‘austeridade econômica’ é querer ap...</title><content type='html'>&lt;a href="http://diariogauche.blogspot.com/2011/12/obsessao-por-austeridade-economica-e.html?spref=bl"&gt;Diário Gauche: A obsessão por ‘austeridade econômica’ é querer ap...&lt;/a&gt;: Matando o euro  Pode o euro ser salvo? Não faz muito tempo, disseram que o pior resultado possível seria um calote da Grécia. Agora, um de...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-1662679358686926048?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/1662679358686926048/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=1662679358686926048' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/1662679358686926048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/1662679358686926048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/12/diario-gauche-obsessao-por-austeridade.html' title='Diário Gauche: A obsessão por ‘austeridade econômica’ é querer ap...'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-4178360772929997761</id><published>2011-12-03T17:12:00.001-02:00</published><updated>2011-12-03T17:12:14.529-02:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: O alerta de Soros</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://www.ieco.clarin.com/economia/Soros-colapsar-sistema-financiero_0_602339902.html"&gt;Soros: &amp;#8220;Est&amp;#225; por colapsar el sistema financiero&amp;#8221;&lt;/a&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-4178360772929997761?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/4178360772929997761/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=4178360772929997761' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/4178360772929997761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/4178360772929997761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/12/crise-financeira-mundial-o-alerta-de.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: O alerta de Soros'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-250987543722931736</id><published>2011-12-03T16:26:00.001-02:00</published><updated>2011-12-03T16:26:41.807-02:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: A estratégia chinesa</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://www.aepet.org.br/site/colunas/pagina/184/Barbas-de-molho"&gt;AEPET&lt;/a&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-250987543722931736?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' 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todo o Brasil para debaterem políticas de desenvolvimento local e a promoção dos Arranjos Produtivos Locais (APLs).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-5421453198536562237?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/5421453198536562237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=5421453198536562237' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/5421453198536562237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/5421453198536562237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/11/debates-fee-os-desafios-do.html' title='DEBATES FEE: Os Desafios do Desenvolvimento Local'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-qtzn2JtJZ-Y/TtZnIjr-08I/AAAAAAAAAP4/8RezFibsr8w/s72-c/JpgCartaz+APLs' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-462746974446444807</id><published>2011-11-26T10:22:00.001-02:00</published><updated>2011-11-26T10:22:55.772-02:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: A China vai resistir à desaceleração global?</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;p&gt;N&amp;#227;o h&amp;#225; modelo exportador puro na China ao menos desde 2008. Mas pode a China crescer taxas atuais por longo per&amp;#237;odo sem o suporte das economias ocidentais? Tomara, pois os efeitos de uma desacelera&amp;#231;&amp;#227;o chinesa seriam desastrosos para a economia mundial.&lt;br&gt;&lt;a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19059"&gt;Carta Maior - Internacional - Os ventos da crise tamb&amp;#233;m batem &amp;#224; porta da China&lt;/a&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-462746974446444807?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/462746974446444807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=462746974446444807' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/462746974446444807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/462746974446444807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/11/crise-financeira-mundial-china-vai.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: A China vai resistir à desaceleração global?'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-7944715937341882129</id><published>2011-11-22T23:45:00.001-02:00</published><updated>2011-11-22T23:45:38.131-02:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Não existe crise européia e sim crise financeira mundial</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://www.VoxEU.org/index.php?q=node/7317"&gt;Sovereign spreads and banks&amp;#8217; fragility | vox - Research-based policy analysis and commentary from leading economists&lt;/a&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-7944715937341882129?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/7944715937341882129/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=7944715937341882129' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/7944715937341882129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/7944715937341882129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/11/crise-financeira-mundial-nao-existe.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Não existe crise européia e sim crise financeira mundial'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-2726234348898898598</id><published>2011-11-22T23:25:00.001-02:00</published><updated>2011-11-22T23:25:27.286-02:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Fundos apostam aposentadorias nos hedge funds</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://dealbook.nytimes.com/2011/11/22/despite-a-rough-year-hedge-funds-maintain-their-mystique/?partner=rss&amp;emc=rss"&gt;Despite a Rough Year, Hedge Funds Maintain Their Mystique - NYTimes.com&lt;/a&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-2726234348898898598?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/2726234348898898598/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=2726234348898898598' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/2726234348898898598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/2726234348898898598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/11/crise-financeira-mundial-fundos-apostam.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Fundos apostam aposentadorias nos hedge funds'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-3310497750279350694</id><published>2011-11-22T20:31:00.001-02:00</published><updated>2011-11-22T20:33:34.645-02:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Sátira expõe idiotia da salvação do sistema financeiro: afinal, quem paga a conta?</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://tobefree.files.wordpress.com/2011/06/sheep3_dees.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://tobefree.files.wordpress.com/2011/06/sheep3_dees.jpg" width="258" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-3310497750279350694?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/3310497750279350694/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=3310497750279350694' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/3310497750279350694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/3310497750279350694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/11/crise-financeira-mundial-satira-expoe.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Sátira expõe idiotia da salvação do sistema financeiro: afinal, quem paga a conta?'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-1304332955791370763</id><published>2011-11-19T13:43:00.001-02:00</published><updated>2011-11-19T13:45:19.646-02:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Crise imobiliária espanhola força reestruturação bancária</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://mobile.bloomberg.com/news/2011-11-17/spain-s-unsellable-real-estate-assets-threaten-smaller-banks.html"&gt;Spanish Banks Have $41B of &amp;#8216;Unsellable&amp;#8217; Real Estate- Bloomberg&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-1304332955791370763?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/1304332955791370763/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=1304332955791370763' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/1304332955791370763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/1304332955791370763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/11/spanish-banks-have-41b-of-real-estate.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Crise imobiliária espanhola força reestruturação bancária'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-3032731905939104847</id><published>2011-11-18T07:56:00.001-02:00</published><updated>2011-11-20T15:28:12.300-02:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Gráfico interativo mostra teia de dívidas externas</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.bbc.co.uk/news/business-15748696?utm_source=twitterfeed&amp;amp;utm_medium=twitter"&gt;BBC News - Eurozone debt web: Who owes what to whom?&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-3032731905939104847?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/3032731905939104847/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=3032731905939104847' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/3032731905939104847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/3032731905939104847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/11/bbc-news-eurozone-debt-web-who-owes.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Gráfico interativo mostra teia de dívidas externas'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-5912201631936309707</id><published>2011-11-17T23:02:00.001-02:00</published><updated>2011-11-17T23:03:51.207-02:00</updated><title type='text'>DEBATES FEE/ESCOLA DO LEGISLATIVO: A desordem mundial</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www2.al.rs.gov.br/sisfotografia/Upload/2011/11/16/120381_G.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://www2.al.rs.gov.br/sisfotografia/Upload/2011/11/16/120381_G.jpg" width="225" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-5912201631936309707?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/5912201631936309707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=5912201631936309707' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/5912201631936309707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/5912201631936309707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/11/debates-feeescola-do-legislativo.html' title='DEBATES FEE/ESCOLA DO LEGISLATIVO: A desordem mundial'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-6047601108991249799</id><published>2011-11-17T18:34:00.001-02:00</published><updated>2011-11-17T18:34:41.488-02:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Funding em dólar mostra aversão ao risco extrema e desalavancavem forçada no mercado financeiro dos EUA</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://www.zerohedge.com/news/global-dollar-liquidity-freeze-leads-pervasive-liquidations"&gt;Global Dollar Liquidity Freeze Leads To Pervasive Sell Off | ZeroHedge&lt;/a&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-6047601108991249799?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/6047601108991249799/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=6047601108991249799' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/6047601108991249799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/6047601108991249799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/11/global-dollar-liquidity-freeze-leads-to.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Funding em dólar mostra aversão ao risco extrema e desalavancavem forçada no mercado financeiro dos EUA'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-825942234840282002</id><published>2011-11-14T13:00:00.001-02:00</published><updated>2011-11-14T13:00:57.995-02:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Lordon e a tese da desglobalização</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-crise-mundial-e-a-desglobalizacao?utm_source=twitterfeed&amp;utm_medium=twitter"&gt;A crise mundial e a desglobaliza&amp;#231;&amp;#227;o | Brasilianas.Org&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vai com calma Lordon. Teremos de voltar a essa discuss&amp;#227;o em algum momento.&lt;br&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-825942234840282002?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/825942234840282002/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=825942234840282002' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/825942234840282002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/825942234840282002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/11/crise-financeira-mundial-lordon-e-tese.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Lordon e a tese da desglobalização'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-7814223238631362034</id><published>2011-11-13T16:52:00.001-02:00</published><updated>2011-11-14T14:12:29.649-02:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Europa sem uma solução séria para a crise</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.zerohedge.com/news/guest-post-euro-fiasco-suicide-formula-efsf"&gt;Guest Post: The Euro Fiasco Suicide Formula (EFSF) | ZeroHedge&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' 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Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-6518486150293336193</id><published>2011-11-13T16:04:00.001-02:00</published><updated>2011-11-13T16:07:12.973-02:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Como resolver uma falência bancária nos EUA</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://www.economist.com/node/21538164?fsrc=scn/tw/te/ar/frightsimulator"&gt;Too big to fail: Fright simulator | The Economist&lt;/a&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-6518486150293336193?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link 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src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-6106782665581264939</id><published>2011-11-11T21:35:00.001-02:00</published><updated>2011-11-11T21:35:47.559-02:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Como a Sony ganha dinheiro?</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://static7.businessinsider.com/image/4ebda7136bb3f7431b000009/chart-of-the-day-sai-sony-earned-income-november-11-2011.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://static7.businessinsider.com/image/4ebda7136bb3f7431b000009/chart-of-the-day-sai-sony-earned-income-november-11-2011.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' 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Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-4588281167813549949</id><published>2011-11-09T23:43:00.003-02:00</published><updated>2011-11-11T21:39:38.091-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;CRISE FINANCEIRA MUNDIAL:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;O FRACASSO POLÍTICO&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;DAS FINANÇAS E DO G-20&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Por Enéas de Souza&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;10 de novembro de 2011&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;1&lt;/strong&gt;) Coisa curiosa: a Europa e o G-20 encenaram uma comédia em Cannes, talvez seja a antecipação do próximo festival. Só que, fora do elenco dos protagonistas, apareceu um sátiro grego, quem sabe um misto de bufão e clown, Papandreou, que roubou a cena. Parecia, quem sabe, um personagem da comédia dell´arte de Goldoni infiltrado numa figura dramática de Aristófanes. Então, para quem é afeito ao cultivo das imagens, dava gosto ver aquela gente poderosa tentando manter a pose de que eram importantes. Naturalmente que o pessoal dos emergentes entrou de sangue doce. O chinês dava o seu sorriso Colgate de Pequim – dentes reluzentes, olhos entre irônicos e orgulhosos, roupa impecável, como se os que passaram o terno passaram junto a figura da autoridade. Mas estava feliz: a China vem jogando bem e só, só fustigando os Estados Unidos e a Europa. Trouxe o dragão para a sala quando disse, numa das manobras americanas e européias para flexibilizar o câmbio, que aí mexiam com a China, mexiam com ele; e, portanto, deu o sinal de veto. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;2&lt;/strong&gt;) A grande mídia que atuou muito no encontro, vuvuzela dos infernos, foi a européia. Claro, esse G-20 teve o conteúdo de uma manobra da região para ver se arrumava uns trocos com os emergentes, tipo Brasil, e alguma grana pesada com a China. Botaram muitas fotos e vastas coberturas de tevê para Merkel e Sarkozy. Como disse a Dilma: “por que eu vou botar dinheiro no fundo europeu se nem os europeus botaram?” Por aí vocês vêem como foi a reunião. E Dilma comentou e falou mais um pouco. Achou a reunião um sucesso relativo. E se considerar que a Europa tomou consciência que eles estão na alça de mira, tudo bem, foi isso mesmo. Os europeus que sempre cantaram de “prima donna” ou de tenor de sucesso, junto com os seus irmãos maiores, os “brothers” americanos, descobriram não a náusea existencial do Sartre, mas a falta de solidariedade entre eles mesmos. Estão vendo a espiral da caminhada para o fundo do poço. Mas, leitor cartesiano, leitor que duvida de tudo, poderíamos esperar algo mais de líderes como Berlusconi e seu número de bufo prolongado, de Sarkozy e sua visão midiática do mundo, de Obama que está pela bola sete, de dona Merkel e sua Alemanha ciosa dos trocados ou de Zapatero que está indo embora do poder? Claro que não. Sim, a Dilma tem razão; foi um sucesso relativo; a Europa se deu conta que ela própria é quem tem que sair do buraco. Imagina o Brasil dando uma graninha para o Fundo de Resgate Europeu? Assim, generosamente, sem pedir nada em troca? Ah, os emergentes propuseram dar sim. Dar uma contribuição, mas via FMI, com a condição de mudar a estrutura e a arquitetura do Fundo. E, claro, mudar a realidade do Fundo é difícil, ninguém cede se não estiver nas últimas. Fácil é tentar tirar dos mais pobres. Mudou-se de assunto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;3&lt;/strong&gt;) O G-20 evidenciou o que temos dito aqui. O eixo único americano se partiu em dois, e o que ficou com os Estados Unidos, Inglaterra e Europa está se decompondo, enquanto o eixo que tem a liderança, já não tão discreta, da China continua a passada lenta, gradual, ocupando espaço. Ora, o G-20 botou no time as camisetas dos titulares nos Estados Unidos e na China, e pôs a Europa com as camisetas dos reservas e os demais emergentes, temporariamente, ficaram como titulares, titulares passageiros ou possíveis, reorganizando o jogo. Assim, o que se quer constatar é que o G-20 foi uma reunião para Europa ver que está na hora dela achar uma solução. Porque ela estava – e ainda está – caminhando rumo à zona do precipício.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;4&lt;/strong&gt;) O interessante foi o número de Papandreou; encestaram o que deu o líder da terra de Helena. Mas, ele pensou, refletiu, calculou. E no palco mundial da mídia encenou o numero cômico da vingança. Quando a Europa festejava o pacote renovado para a Grécia, Papandreou jogou a carta do referendo. Foi um caldeirão de água lançado nas costas da turma européia, em pleno G-20. Claro, Papandreou estava blefando e, sobretudo, estava devolvendo o passa-pé dos grandes países. Olha aqui, vocês me encurralaram, mas eu também encurralo vocês. E saiu aristofanicamente rindo. Logo em seguida, a Grande Mídia pintou um quadro de que a Europa e o G-20, insultados, enquadraram o político grego. Deu para dar boas gargalhadas. E gozem mais um pouco. E se sai mesmo o tal de referendo? Na verdade, tudo não passou de uma delícia vingativa de Papandreou. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;5&lt;/strong&gt;) Agora vamos tentar ampliar a nossa interpretação. É preciso ver que estamos num jogo onde as finanças internacionais blefam, atacam e fazem um ataque insaciável, jogando a gasolina do medo e do caos social no mundo. A Grande Mídia, tuba canora como diria Camões, está do mesmo lado, riscando o fósforo do temor. Foi-se o tempo em que a mídia informava; hoje, dá notícias pela metade, mente, inventa e, de quando em vez, chantageia tanto quanto faz propaganda. Clama pela liberdade de imprensa e se enxerga liberdade de empresa. Vendendo a sua mercadoria, inocula a ideologia das finanças. E as finanças, depois de terem sofrido um colapso nervoso em 2007/2008, na crise do mercado financeiro americano – que se desdobrou para a Europa e o mundo – conseguiu, via medidas de salvação e doação dos Bancos Centrais e de vários governos, se equilibrar. Só que, da crise financeira, passou-se à crise fiscal e, da crise fiscal, o mico viajou para o Estado. Desde lá, estamos atravessando a crise desse, o que significa também, com diversos matizes, uma polpuda crise política. Essas realidades são o resultado do movimento da luta furiosa dos capitais entre si, mas também do combate complexo deles contra as nações. Tudo porque as finanças, no seu neoliberalismo, apesar de dizerem que o Estado deve ficar fora da economia, não podem viver sem o Estado. Primeiro, para que elas possam, no período de crescimento, exatamente se expandir, enquanto o Estado garante estabilidade e paz social. E segundo, para quando o ciclo desce, capa protetora, salvar as instituições financeiras. E tudo, crédulo leitor, em nome do poético nome de “evitar o risco sistêmico”. Salvam-se os bancos, os investidores não perdem a propriedade desses e muito poucos dirigentes deixam os seus cargos e os bônus. Aquilo que seria natural, o conúbio finanças e Estado não nacionalizam, nem estatizam essas corporações, põe o prejuízo ou no Banco Central ou na dívida pública. E, quando o próprio Estado entra em crise, encontra-se uma ficção adequada, a recomposição do Estado, para que as finanças possam se recuperar e retomar o seu domínio. Tudo em cima das demais camadas da sociedade. E o que é pior: em nosso nome.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;6&lt;/strong&gt;) Por isso, quando as finanças caem, elas caem perdendo o apoio social. Vejam o movimento do Tea Party e do Occupy Wall Steet. E, mais que lógico, também arrastam para o abismo o Estado, que ingressa no cone de sombra de uma crise. Porque não há outro ponto e outra regra: as finanças só sobrevivem para especular tranquilamente (sic!) com a economia estabilizada e com calma social. E quem garante isso? O Estado. Qual é o movimento das finanças? É tentar forçar que o Estado retome a estabilidade. Como? Cortando gastos, em alguns casos, aumentando impostos, mas sempre buscando demitir funcionários, diminuindo ou eliminando aposentadorias e, em alguns países, privatizando previdência, saúde, educação e cultura. E assim chegamos a uma segunda etapa do neoliberalismo: para a falência do neoliberalismo, mais liberalismo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;7&lt;/strong&gt;) Porém, a estratégia é sempre a mesma. Endivida-se um Estado, joga-se uma agência de ratings em cima para diminuir a sua nota e especula-se contra os títulos desse país. E logo se fabrica a cena midiática do “Grande Caos” da política e da nação. E sabem como é que se faz esse jogo, que tem o cheiro de uma jogatina de Las Vegas? É assim: um título do país é lançado com uma taxa de juros X no mercado primário, por intermédio de um banco ou um pool deles. Quando o título é passado para o mercado secundário, onde todos podem comprar, os capitais, os próprios bancos intervenientes, atacam este papel, exaurindo sua sustentabilidade, obrigando-o a pagar um prêmio de risco, de por exemplo X mais 1, 2, 3, 4, 5, 6, etc. % a mais. O título italiano ontem, no mercado secundário, chegou a pagar um prêmio de 5,7, acima da taxa básica que é 3%. Ora, esse prêmio de risco força o país, quando for lançar um novo título soberano no mercado primário, a levantar a taxa de juro para por esse novo ativo possa encontrar comprador. Ou seja, está apresentada a espiral da especulação e a depredação de um Estado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Claro, já percebemos então, que a mão que poupa é a mesma mão que pede e escorcha. Resultado: força-se tanto ao endividamento do Estado quanto a desvalorização dos seus ativos. E depois, soltam-se os cães ladradores das agências de ratings e, no rastro da bruxa, se traz a turma do FMI (no caso da Europa, também o Fundo de Estabilização Financeira Européia) para dar as receitas básicas ao Estado dito “soberano”. Ora, o país que já estava em crise econômica, dá um mergulho patético na piscina fiscal e pratica o arrocho financeiro sobre o próprio Estado. E logo, logo, entra em recessão, até conseguir - às custas do desemprego, da abdicação de políticas públicas privatizando empresas e serviços estatais, e da liquidação da estrutura e arquitetura do próprio Estado, incluindo pessoal burocrático adequado, tanto em número como em qualidade – um determinado momento de razoável equilíbrio, que geralmente leva anos, às vezes décadas, a chegar. É isto que aconteceu no Brasil, salvo do neoliberalismo por Lula. E é este o destino de Portugal, da Espanha, da Itália se continuarem e forem nessa estrada da vida. E é isso o que o primeiro ministro Fillon está forçando, junto com Sarkozy, para que a França siga, inclusive para escapar da rebaixa das notas das agências de ratings. Fazem parte de um tempo chamado de “tempo de austeridade”. Ora, em bom português de antigamente, se diria: co´os diabos, austeridade para quem?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;8&lt;/strong&gt;) E para a solução dessas crises sempre surgem engenharias econômicas complexas para que o capital privado recupere não apenas o seu dinheiro, mas o fruto de sua especulação. E como na especulação, ele ganha somas monumentais, obviamente que pode, com a generosidade dos assaltos, fazer algum perdão, mesmo que este perdão seja pago pelos Estados dos capitais emprestadores. Exemplo vivo na Europa, o dos bancos franceses, espanhóis, italianos e mesmo alemães. Sem contar aquela dos países que já sucumbiram com Portugal e Grécia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;9&lt;/strong&gt;) Ora, o G-20 mostrou o seguinte: I) a inércia americana – seja pela paralisia provocada pelo Congresso, amarrando o governo com o teto da dívida e com a limitação dos gastos, seja porque Obama não pôde nem tinha condições políticas americanas e internacionais de ser protagonista; II) a reboldosa na Europa – com as finanças e os Estados engolfados, em longa agonia, na tempestade financeira, fiscal e política. Peter Breughel pintaria hoje, a partir dessa situação, uma nova “dança da morte”; III) a incapacidade do núcleo líder da União Européia – a França e a Alemanha já demonstraram, quase à saciedade, que não têm talento para dar uma solução à UE. Sarkozy está enrolado na disputa para a presidência com François Hollande, com um futuro, para ele, sombrio, pois, num possível 2º turno, este, François Hollande, ganharia de 68 a 32%, segundo sondagens atuais. E Ângela Merkel, criticada por suas manobras no plano externo, está muito preocupada com o plano interno socialmente. Tenta roubar as perspectivas dos adversários mais à esquerda, através da proposta de um salário mínimo profissional, bem como fechando as usinas nucleares.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;10&lt;/strong&gt;) Uma outra coisa importante, como a de Papandreou, aconteceu fora do G-20: a entrada de Mario Draghi na presidência do Banco Central Europeu. Ele é italiano, economista do MIT e da Goldman Sachs, tendo dirigido, na parte internacional dessa, a secção européia, exatamente no momento da fraudulenta entrada da Grécia na União Européia, quando a Goldman fez um trabalho de consultoria para a nação grega. Portanto, como dizem os portenhos: Ojo! E Draghi já descartou a idéia do Banco Europeu ser o emprestador em última instância, rompendo com uma recente posição de Trichet. O que joga água no chopp de um avanço político na Europa. Ou seja, parece que o objetivo do sistema financeiro é continuar mantendo um espaço inatingível pelo Estado de controle da sua ação dinâmica, impedindo que haja um Estado supra-europeu. Ou seja, pode-se conjeturar que a luta entre os capitais se decida pelos mais fortes e pelos Estados nacionais mais capazes de sustentar um apoio aos seus bancos. Uma concentração de riqueza e de poder. Quando a concorrência se estreita, cada capital quer a morte do rival. E a concorrência se estreita porque há cada vez menos possibilidades de negócios à sombra dos títulos privados e públicos. E a competição dos Estados se desloca pela melhor e mais astuta política de uns sobre outro. Pode-se até conjeturar que, ao menos uma parte da Itália, mesmo em desaforada ópera-bufa almeje deslocar a França de sua posição de liderança.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;11&lt;/strong&gt;) E o que o G-20 revelou profundamente foi o segredo mais visível de todo este começo de século: a incapacidade das lideranças políticas européias, sobretudo da França e da Alemanha, de alcançar uma solução inventiva. E enquanto a política não encontra saída, os capitais continuam massacrando, desesperadamente, os países e os Estados e as populações. Sempre na expectativa de passarem à frente dos seus concorrentes na luta especulativa e sempre na busca de uma solução de aperto dos Estados e das populações. O objetivo é chegar a um ponto base, a um Estado equilibrado ou controlável em termos de dívida, de déficit e de orçamento fiscal. Por outro lado, todo o problema das finanças passa sempre por manter a liquidez, alcançar fontes de alavancagens para decididas especulações e títulos apetitosos, forçando os Estados a entrarem no seu jogo, a despeito do grande desastre social. Por isso, a reação anti-finanças no mundo todo; embora esse movimento se esboce com uma pequena contundência de quem sofreu e não sabia quando estavam lhe roubando a carteira, botando-lhe a mão no bolso. O mundo agora se exalta, sai às ruas, grita. Ouviremos, então, quando algum grande escritor escrever sobre este tempo, uma frase como esta, ao estilo da Ilíada de Homero: “Canta Musa, contra os Ataques das Finanças, a Ira da População”?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;12&lt;/strong&gt;) Dilma tem razão. O G-2O foi um sucesso parcial, porque circunscreveu, neste momento, a crise no colo da Europa. Mas não mudou a organização para-estatal do sistema econômico, do tipo FMI, seja no seu elenco de quotas com dominância americana e européia, seja no seu pensamento de solução da crise. Mostrou, igualmente, a debilidade do Fundo de Resgate, e a rasteira que a Europa queria passar nos emergentes. E lá no fundo, aparece a China, sorridente, dando os seus passos progressivos e adventícios. Ao menos no campo econômico – pois, no geopolítico, a coisa é diferente – os americanos estão tentando cerca-la e constrange-la. Mas, paira no mundo, ainda, a visão econômica das finanças. A solução proposta cabe sempre no tambor do revolver financeiro. Contudo, a questão subterrânea é outra, sufocada pelas finanças: onde está o lado do crescimento e do emprego? Onde está a tentativa dos Estados liderarem os processos de investimento produtivo e de expansão tecnológica? As finanças e os Estados continuam movidos pelo curto prazo. O longo prazo e o novo padrão de acumulação, que poderiam dominar as iniciativas públicas e reorganizar a economia, com as finanças passando a apoiar a produção, ainda estão longe do horizonte da luta forte que travam capitais e Estados, sob as mais diversas cores e mais faceiros matizes. E a presença dos trabalhadores, dos estudantes, dos jovens, dos indigentes, dos pobres é ainda muito tímida no cenário mundial. Mas, com muitos processos e praticamente sem nenhuma proposta. Enquanto isso ocorrer, as finanças continuarão com o seu projeto de resolver tudo isso financeiramente. Tudo isso, com a subordinação dos Estados, com o desemprego, com a diminuição das garantias sociais e, sobretudo, com uma paralisia da dinâmica econômica produtiva, onde a competição fica restrita à produtividade do capital, e jamais na passagem para o investimento, na direção de um novo padrão de desenvolvimento, ou seja, na direção de um novo padrão tecno-econômico, como diria um schumpeteriano. O que evidencia o total fracasso da economia das finanças, que está fragmentando a unidade do eixo americano e, principalmente, está reposicionando a Europa, seja pelo desmanchamento econômico, seja pelo apequenamento político. Foi isso que apareceu no G-20 de Cannes, enquanto a China olhava sonhadoramente as oportunidades que virão, enquanto as eleições americanas não decidirem o outro lado da fogueira dos capitais e dos países. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;PS&lt;/strong&gt; – Entro em férias. Só que, primeiro, vou apresentar e comentar na Maison du Brésil, em Paris, um ciclo de “Cinema Brésilien Contemporain”, de 21 a 25 deste mês. Serão exibidos: “Edifício Master” de Eduardo Coutinho, “Santiago” de João Moreira Salles, “Crime Delicado” de Beto Brandt, “O Homem que Copiava” de Jorge Furtado e “Lavoura Arcaica” de Luiz Fernando Carvalho. E lá, no dia 22, Robson de Freitas Pereira e eu lançaremos nosso livro “O Divã e a Tela”. Estarão também presentes as colegas psicanalistas Lucia Serrano Pereira e Ana Lucília Rodrigues, que escreveram um artigo na referida obra. Depois do ciclo, as férias. Bordeaux no Café Corse, omelette parmentier no Boul´Mitch e livros na&amp;nbsp;Compagnie, na la Hune e na l´Écume des pages. E uma conversa livre com os amigos parisienses, desde os temas artísticos até as questões políticas e econômicas, sem excluir, claro, as maldades sobre os inimigos do coração. Retorno na metade de dezembro. Até lá!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-4588281167813549949?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/4588281167813549949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=4588281167813549949' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/4588281167813549949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/4588281167813549949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/11/crise-financeira-mundial-o-fracasso.html' title=''/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-8274340840361692085</id><published>2011-11-03T00:27:00.001-02:00</published><updated>2011-11-03T01:04:37.081-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;CRISE FINANCEIRA MUNDIAL:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;A ELEIÇÃO DE CRISTINA &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;FAZ AVANÇAR A AMÉRICA LATINA? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Por Enéas de Souza&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;03 de novembro de 2011 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;Cena Um&lt;/strong&gt; – Estou na Plaza de Mayo, Buenos Aires, domingo à noite, dia da eleição argentina; uma grande multidão de crianças, jovens, adultos e velhos, com tiaras, fitas, bandeiras, gritos e pulos, comemoram a vitória de Cristina Kirchner. Um vendedor berra furiosamente, no meio da massa, a sua mercadoria: “Cerveza! Cerveza! Cerveza!”. Ninguém se preocupa e se incomoda. Há um desejo forte de comemoração. Comemorar a vitória e esperar que a presidenta apareça. Há uma alegria sincera e intensa. As bandeiras dançam, um locutor anima a festa e todo mundo celebra o acontecimento. Em alguns momentos, na noite cheia de faixas e balões, estouram canções de louvor à Cristina e, como num estádio de futebol, as pessoas pulam de alegria. Não diria que há uma euforia exuberante, mas há um entusiasmo contente e moderado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;Cena Dois&lt;/strong&gt; – Vou num taxi conversando com o motorista, perguntando sobre as eleições e tentando compreender o seu mau humor cada vez mais consistente e graúdo. A certa altura, ele me diz: “Não gosto de política. Os políticos são todos ladrões. Eu não votei em Cristina, votei no Rodriguez Saa. Não quero mais falar do meu país” (O seu candidato não fez sequer 8%). E vejo que está irredutível, não quer mesmo mais falar sobre o assunto. Está furioso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&lt;strong&gt;PRIMEIRA CONCLUSÃO: O FRACASSO DO NEOLIBERALISMO &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O que a gente percebe é que o insuficiente neoliberalismo teve um baque enorme com essa vitória da Cristina. A população vem percebendo desde 2001 que o neoliberalismo foi uma tragédia para a Argentina. E por isso, com a vitória da presidenta, ela consegue entender que o país está na eminência de escapar da crise absoluta – de “uma crise que parecia terminal” diria Ricardo Forster no seu livro “El litígio por la democracia”. O que evidencia que Kirchner e Cristina inverteram a curva da destruição do país, tratando de diminuir e conseguindo, até agora, tirar muita gente da pobreza e da indigência. E o povo ainda está desconfiado, depois de tanta lambada, de tanto cinismo e tanto banditismo do tempo de Menem. Ele começa a acreditar, pelo menos uma boa parte dele. A Cena Um, que narramos acima, tem o pendor de mostrar um grupo de pessoas, mais de 50% dos votantes, acreditando, achando, um pouco desconfiados é verdade, que é possível avançar, ganhar e progredir. Festejam. E não se trata apenas de retórica, o que se sente é que existe um projeto do Kirchnerismo, que Cristina leva adiante e que tem sintonia com a gente humilde. E esse projeto tem uma face imediata: acabar com o neoliberalismo. Pois foi esse neoliberalismo de Menem, que dando sequência à catastrófica política econômica de Martinez de Hoz dos anos 80, levou a nação ao caos total. Não se tem idéia da profundidade enorme da devastação social, política, econômica a que chegou a Argentina no início dos anos 2000. E foi isso que Kirchner e Cristina bloquearam e começaram a reverter. Martinez de Hoz – não o mágico mas o delirante de Hoz – dizia, na sua vigarice neoliberal: “Achicar el Estado, agrandar la Nación”. Uma piada. Acabou com o país e o Estado ficou em frangalhos. Em “ruínas” como disse Kirchner numa conversa com José Pablo Feinmann. No entanto, o neoliberalismo está batido, mas ainda não vencido &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A SUSTENTAÇÃO EXTERNA DO MOVIMENTO INTERNO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O movimento de recuperação da Argentina segue o mesmo processo do Brasil. De um lado, o Estado retoma minimamente a liderança e tem um projeto nacional. E de outro lado, para expandir a economia do país, tem que ter uma presença internacional. E essa presença se dará em união com as demais nações latino-americanas. Cristina tem certeza, como Kirchner já tinha, a saída para os países desta região – portanto, para a Argentina, inclusive – é latino-americana. O que significa incrementar fortemente uma defesa comum para a área, seja através de políticas comuns, seja através de uma atuação vigorosa em fóruns como o G-20 onde, juntamente com o Brasil, a Argentina pode propor diversos temas. E entre eles se destaca a busca de abertura de mercado para os produtos agrícolas, que os países avançados tratam de manter um protecionismo de longa data. Essa posição poderá ser acompanhada por uma política interna que, além do incremento da produção desses bens citados, permita também que ocorra uma industrialização mais forte dos referidos produtos. Naturalmente que, para tal, é indispensável que o Estado desenvolva políticas de fomento que assegurem aos industriais argentinos um apoio bastante forte em termos de produção, de inovação, exportação, etc. Se isso ocorrer, a tradução social será tanto no aumento do produto como na ampliação do emprego. Ora, o Estado pode tentar seguir esse rumo, justamente porque conseguiu dar uma consistência à política fiscal. O que está ainda fora de controle é a questão inflacionária. Uma pressão contundente, que funciona como um espelho das tensões da economia e da política do país. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;CRISTINA PARA MUDAR O ESTADO DE COISAS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Portanto, o kirchnerismo de Cristina vai ampliar aliança dos setores capitalistas nacionais com os setores operários, dos trabalhadores do setor serviço, intelectuais e universitários, mas também com setores indigentes e pobres e desempregados, porque sem essa aliança – uma aliança populista – será impossível avançar nesse projeto. Um governo que não tenha base popular não tem como se manter. E é por isso que esta vitória aplastante afeta a pequena burguesia – Cena Dois – que se sente ameaçada, pois ela, como certos setores agrários, pensa em termos relativos. Se eu não pioro, mas os outros melhoram, na verdade, estou piorando relativamente. E a proposta de Cristina é certamente avançar a economia nacional, mas ao mesmo tempo dar ênfase aos setores desfavorecidos pelo neoliberalismo, o que desagrada aqueles que pretendiam, na pior das hipóteses, manter o estado de coisas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A COMBINAÇÃO INSUPERÁVEL DA VITÓRIA &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Porém, a verdade é que Cristina desmanchou, pelo menos por mais um tempo – com habilidade, astúcia, coragem e inexorabilidade – as hostes adversárias e os seus contendores. Seguramente, ela foi a grande vencedora, ela deu um passo a mais na sua trajetória, mas não se pode esquecer que a morte de Kirchner está na base deste triunfo. Foi uma combinação detonante: o peso de um passado que deu certo com um futuro que pode ser tão promissor quanto possível. E por quê? Porque a população sentiu que, no meio de erros, de problemas, equívocos, etc., há um projeto que pretende incluir o maior número de pessoas, sobretudo os de má situação de renda e de condição social precária. E isso se não é uma certeza, é, ao menos, uma promessa que elas podem acreditar. Porque o neoliberalismo que prometia riqueza a todos foi a causa da dinamite que jogou a Argentina no espelho do abismo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;&amp;nbsp;Cena Três&lt;/strong&gt; – Estamos na virada de domingo para segunda, a música solta e vibrante, uma multidão que celebra e que tem esperanças. Com uma lavada alma, vibrando em cima de uma campanha exitosa, Cristina dança e baila com um sorriso, pela primeira vez, em público, serena, e aceitando um pequeno repouso depois da morte de Nestor, seu companheiro de jornadas. Uma vez, em 2006/7 ouvi, quando saia de um táxi, a frase derradeira que condenava o casal, contra o qual o motorista empilhava e empilhava argumentos. No fundo, todo argentino, de um modo geral é um político ativo. Tem posição e tem idéias. Ele gritou: “Y lo peor és que la pareja és indecente”. Lembrei-me dele quando Cristina dançava só, dançando a vitória em forma de profunda maioria. Sim, “la pareja” tinha dado a volta por cima, a barragem neoliberal, oriunda sobretudo da mídia, tinha perdido. A morte de Nestor e a firmeza de Cristina estavam constituindo uma nova figura política do casal. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;AS ENCRUZILHADAS DA ARGENTINA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Quando a gente olha para uma possível trajetória da Argentina, o que se percebe é que ela vai ter que passar por vários desafios. Entre eles, se podem notar, com saliência, os seguintes: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;01. Deixar de lado o ideário e as instituições neoliberais que destruíram o Estado e a Argentina; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;02. Voltar a ter uma política econômica, política e social que se refira permanentemente à igualdade e a justiça;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;03. Repensar o seu passado peronista (o bom e o mau), revisar a sua memória menenmista, e projetar um novo estágio do kirchernismo-cristinismo; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;04. Criar novas figuras do poder e da política – ou seja, o seu futuro em função de um novo projeto de nação; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;05. Trabalhar para a criação de um Estado dominado, como dizia Kirchner, por “valores e convicções”, que articule projeto nacional, política econômica autônoma, planejamento e uma política externa. E que mantenha a liberdade de imprensa, a democracia, mas não seja prisioneira do setor midiático; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;06. Fazer da política econômica e social um instrumento de reformulação da área industrial, de uma sustentação do setor agrário, de resultados fiscais importantes, definindo políticas cambiais e protecionistas adequadas à nação, bem as questões de educação, saúde, previdência e cultura; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;07. Introduzir na política externa uma forte união com o Brasil, na organização de uma América do Sul e de uma América Latina sólidas, ativas e sempre proposicionais; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;08. Adequar os seus interesses econômicos para a construção de um processo de integração infra-estrutural (estradas, portos, aeroportos, reorganização urbana, etc.) da América do Sul, combinando apoio ao setor capitalista, mas contrabalançando o poder discriminatório do capital com uma intervenção estatal reequilibradora da situação salarial, de aspectos sociais, etc.; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;09. Dar o exemplo de sua política de defesa dos direitos humanos para os países menos adiantados no tema na região; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;10. Ajudar a formular uma política e uma estratégia para a América Latina no mundo, de tal modo que a sua execução se torne protagonista nos cenários mundiais, nestes tempos de crise; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;11. Buscar o equacionamento de uma política econômica que relacione: as empresas multinacionais que atuam no espaço planetário, mas que passam por espaços nacionais com os Estados Nacionais sul-americanos e latino-americanos, individual e coletivamente, para equilibrar a relação de forças entre corporações produtivas e Estados; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;12. Controlar com a força do Estado o capital financeiro estrangeiro e nacional, apoiar fortemente o setor produtivo local, mas, sobretudo, pensar que a nova configuração econômica tem que se direcionar para um novo padrão tecnológico que virá, envolvendo energia, meio ambiente, comunicação, informação, biotecnologia, etc.; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;13. Ter clareza das possibilidades e dos limites da integração da América do Sul e da América Latina, na dinâmica da solução da crise geopolítica e geoeconômica que assola o neoliberalismo financeiro de guerra. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A VIAGEM E A VOLTA &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Fiquei um tempo na Argentina e vi a atmosfera de uma cidade, Buenos Aires. Do que olhei, do que li, do que conversei, com amigos e desconhecidos, cheguei a algumas conclusões, que estão aí. Tenho a clara e nítida sensação que a Argentina deu um salto, imperceptível para alguns, evidente para outros. O conflito, no entanto, se aguça, vai assumir novas formas, teremos novos desafios e novas dimensões. Tudo está em aberto, nada é certo. A direita prepara o contra-ataque, embora esteja na defensiva. É a hora de aproveitar o que Borges chamava de “fervor compartido”. São mais de 50% que apóiam o governo. E no campo internacional, temos sempre a pergunta que vai animar as nossas relações: poderão a Argentina de Cristina e o Brasil de Dilma acertar o passo numa estratégia e num projeto sul-americano/latino-americano para o mundo? Já se poderá ver alguma coisa na reunião do G-20 nesta semana, em Cannes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-8274340840361692085?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/8274340840361692085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=8274340840361692085' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/8274340840361692085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/8274340840361692085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/11/crise-financeira-mundial-eleicao-de.html' title=''/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-8369508784084709809</id><published>2011-10-30T23:24:00.001-02:00</published><updated>2011-10-30T23:24:20.988-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://www.VoxEU.org/index.php?q=node/7180"&gt;Investment banking | vox - Research-based policy analysis and commentary from leading economists&lt;/a&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-8369508784084709809?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/8369508784084709809/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=8369508784084709809' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/8369508784084709809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/8369508784084709809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/10/investment-banking-vox-research-based.html' title=''/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-1393259578635537101</id><published>2011-10-30T14:10:00.001-02:00</published><updated>2011-10-30T14:12:33.322-02:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Falta de regulação abriu caminho para a criminalidade</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://www.creditwritedowns.com/2011/10/how-government-is-to-blame-for-global-financial-crisis.html"&gt;How government is to blame for global financial crisis | Credit Writedowns&lt;/a&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-1393259578635537101?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/1393259578635537101/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=1393259578635537101' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/1393259578635537101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/1393259578635537101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/10/crise-financeira-mundial-falta-de.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Falta de regulação abriu caminho para a criminalidade'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-7620669554447498438</id><published>2011-10-27T09:32:00.001-02:00</published><updated>2011-10-27T09:32:25.623-02:00</updated><title type='text'>DEBATES FEE: A  atualidade do marxismo hoje!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-RqLjaF3CmUw/TqhYJE8L3yI/AAAAAAAAL7E/ld-DfBoZWac/s1600/Fee+Programa%25C3%25A7%25C3%25A3o%2529-Page-1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="842" src="http://2.bp.blogspot.com/-RqLjaF3CmUw/TqhYJE8L3yI/AAAAAAAAL7E/ld-DfBoZWac/s1600/Fee+Programa%25C3%25A7%25C3%25A3o%2529-Page-1.jpg" width="595" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-7620669554447498438?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/7620669554447498438/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=7620669554447498438' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/7620669554447498438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/7620669554447498438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/10/debates-fee-atualidade-do-marxismo-hoje.html' title='DEBATES FEE: A  atualidade do marxismo hoje!'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-RqLjaF3CmUw/TqhYJE8L3yI/AAAAAAAAL7E/ld-DfBoZWac/s72-c/Fee+Programa%25C3%25A7%25C3%25A3o%2529-Page-1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-671811916916975995</id><published>2011-10-23T12:41:00.001-02:00</published><updated>2011-10-23T12:41:16.000-02:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: It's all connected!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.zerohedge.com/sites/default/files/images/user5/imageroot/2011/10/who%20owes%20what.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://www.zerohedge.com/sites/default/files/images/user5/imageroot/2011/10/who%20owes%20what.jpg" width="292" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-671811916916975995?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/671811916916975995/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=671811916916975995' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/671811916916975995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/671811916916975995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/10/crise-financeira-mundial-its-all.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: It&apos;s all connected!'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-8854577982064427964</id><published>2011-10-21T16:12:00.000-02:00</published><updated>2011-10-21T16:13:51.659-02:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL:  "Crise ampliará a presença do Estado"; por André Scherer</title><content type='html'>Segue a entrevista &lt;a href="http://www.coreconrs.org.br/portal/attachments/article/627/coluna%20JC%20-%2021%20de%20outubro%20%20de%202011%20Andre%20Scherer%20.pdf"&gt;concedida à coluna que o CORECON-RS tem no Jornal do Comércio de Porto Alegre &lt;/a&gt;e que é publicada toda sexta-feira:&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red; font-size: large;"&gt;Crise ampliará presença do Estado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos recentes debates sobre a crise mundial, a pressão&amp;nbsp;é grande para que os europeus resolvam rapidamente a crise e os problemas de seus bancos fragilizados. Para o economista André Scherer (CORECON/RS - 4888), a crise europeia tem potencial para impactar&amp;nbsp;fortemente a economia mundial. Confira abaixo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;CORECON/RS – Quais as razões que levaram a crise&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;internacional, que envolve países da Zona do Euro?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;André Scherer - A crise financeira mundial iniciou-se ainda em 2007, com o fim da bolha especulativa imobiliária&amp;nbsp;nos EUA. Essa crise mudou de fase em 2008, quando,&amp;nbsp;após o episódio da falência do banco de investimentos&amp;nbsp;Lehman Brothers, o crédito parou de irrigar a economia,&amp;nbsp;os mercados financeiros perderam liquidez e a economia&amp;nbsp;“produtiva” foi fortemente afetada, também em caráter&amp;nbsp;mundial, com quedas expressivas no volume do comércio&amp;nbsp;internacional. Nesta fase da crise, a situação é mais grave&amp;nbsp;na Europa, uma vez que a moeda por lá foi constituída&amp;nbsp;sem o suporte de um tesouro e de uma União fiscal. É isso&amp;nbsp;que leva a intermináveis discussões sobre como, quando&amp;nbsp;e quem paga pelo resgate dos sistemas financeiros e dos&amp;nbsp;países atingidos pela crise.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;CORECON/RS - A crise ameaça a economia mundial?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Scherer -É importante ter em mente que o sistema financeiro mundial é, hoje, constituído por uma ‘teia’ de relações que ‘enozam’ os diversos produtos financeiros em&amp;nbsp;escala mundial. A globalização produtiva, embora em ritmo mais lento, também propaga o impacto de uma queda&amp;nbsp;da atividade econômica na Europa para os demais continentes. Para o Brasil, o melhor cenário possível é uma intervenção governamental na Europa que, embora não solucione, ao menos evite um agravamento maior da crise.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse cenário, as economias do centro (Europa, EUA e&amp;nbsp;Japão) continuam estagnadas, mas permitem ao eixo ora&amp;nbsp;dinâmico da economia mundial, capitaneado pela China,&amp;nbsp;a continuidade de seu crescimento, ainda que em ritmo&amp;nbsp;menor. Isso reduz, a médio prazo, as disparidades entre os&amp;nbsp;países desenvolvidos e as economias emergentes. Para a&amp;nbsp;economia brasileira, a grande questão é se a economia da&amp;nbsp;China (e, consequentemente, o preço das commodities)&amp;nbsp;será impactada negativamente pela crise européia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;CORECON/RS - O Estado injetará recursos?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Scherer - A intervenção do Estado na salvação do sistema&amp;nbsp;financeiro é uma imposição da realidade concreta. Do&amp;nbsp;contrário, levaria a enorme depressão mundial, com consequências político-sociais graves. A questão é que a intervenção em grande escala, se necessária, não pode repetir erros de 2008, quando deixou praticamente intocado o&amp;nbsp;modus operandi das finanças que haviam levado à crise.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;CORECON/RS - Quais as principais consequências?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Scherer - Nós, aqui na FEE, desde 2007, já alertávamos&amp;nbsp;que a crise que se iniciava seria de longa duração, levando&amp;nbsp;à desintegração do neoliberalismo que prevaleceu desde&amp;nbsp;os anos 80. &amp;nbsp;É o que vem ocorrendo em um processo que&amp;nbsp;agora começa a se acelerar. O debate público sobre as&amp;nbsp;causas da crise e os beneficiários do sistema, que se intensifica com a ampliação da pressão popular nos países&amp;nbsp;desenvolvidos, levará a uma reorganização institucional a&amp;nbsp;partir de mudanças políticas. Acredito em maior presença&amp;nbsp;do Estado na economia, preocupação com a economia&amp;nbsp;produtiva e com a inovação e políticas ativas, visando à&amp;nbsp;redução das desigualdades de renda. Isso somente será&amp;nbsp;possível com um controle estrito sobre os fluxos internacionais de comércio e de capitais, que permita uma nova&amp;nbsp;divisão internacional do trabalho. Ou seja, o oposto do&amp;nbsp;que marcou a economia mundial nos últimos 30 anos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-8854577982064427964?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/8854577982064427964/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=8854577982064427964' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/8854577982064427964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/8854577982064427964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/10/crise-financeira-mundial-crise-ampliara.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL:  &quot;Crise ampliará a presença do Estado&quot;; por André Scherer'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-2238913790932972300</id><published>2011-10-20T00:46:00.001-02:00</published><updated>2011-10-20T13:22:27.669-02:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL:   O ESTADO E A HEGEMONIA DAS FINANÇAS. Por Enéas de Souza</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;Coluna das quintas&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;1&lt;/strong&gt;) Embora o leitor Felipe X ache que coloco a China como a grande novidade dos Estados no atual capitalismo financeiro porque ela está por cima, a realidade não é esta, é outra. A China está por cima porque na dinâmica da economia mundial, com a crise financeira americana, o eixo único que unia todos os países, inclusive a China, desarticulou-se e se transformou em dois eixos, o americano e o chinês com grande crescimento deste último. E no processo, os dois Estados participam de maneira distinta, por causa da sua estrutura política. Dito de outra maneira, a relação das finanças com o Estado americano – e com o Estado inglês, e com os Estados da Europa, e com os Estados da América Latina, etc. – é totalmente diferente da relação com o Estado chinês. Como se a mesma árvore frutífera desse muitas peras e uma singular maçã. Cada Estado tem uma relação peculiar, específica com o capital hegemônico. São todas peras diferentes, mas são todas peras. Só que a China se relaciona de modo totalmente diferente, é maçã. Vejamos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;2&lt;/strong&gt;) A grande diferença é que, no caso americano, as finanças de origem nativa, absolutamente mundializadas, impõem uma determinada forma estrutural ao Estado, que marca, mesmo no auge do triunfo dos Estados Unidos, um modo de desenvolver a sua estratégia econômica e política de país, de nação, definida pelo setor privado financeiro. Já na China, mesmo antes dos anos 2000, a estrutura do Estado estava acima tanto do setor bancário como do setor produtivo, porque as grandes empresas de ambos os ramos são fundamentalmente estatais. Ou seja, quem define a política econômica, a estratégia geopolítica e geoeconômica dos chineses é o Estado. Então lá, ele sempre esteve por cima, mesmo quando houve a crise asiática dos anos 1990. E agora, o Estado chinês continua por cima, só que, neste momento, ocupa uma posição de destaque mundial. Por ocasião da expansão do eixo único americano, no dobrar do século, a China assumiu, por duas razões, um lugar impar na mundialização. A primeira, porque na busca de produtos que barateassem o custo da mão de obra, sobretudo americana, as multinacionais, principalmente dessa origem, se deslocaram para produzir na China. A segunda, porque o Estado chinês, ao decidir transformar a sua economia numa grande economia exportadora, com base multinacional, optou igualmente por uma política de saldos comerciais, o que permitiu que ela fosse a grande financiadora estrangeira do Tesouro americano. Foi, como no tênis, o saque do set.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;3&lt;/strong&gt;) Então, leitor atento, vamos seguir os passos. Continuo aqui a desenvolver, nesta passagem, também uma pergunta que o amigo Marino Boeira fez lá atrás, sobre o sucesso da China. Foi o Estado que decidiu que a China se tornaria uma economia exportadora e que financiaria uma parte da dívida americana. Foi o Estado quem organizou a entrada das multinacionais na China, as formas delas se instalarem lá, a negociação da transferência de tecnologia, os possíveis níveis de associações entre empresas estrangeiras e chinesas. E tudo isso dentro de uma visão estratégica de nação, onde a política econômica global era definida pelo Estado, onde as empresas (bancos, indústrias, companhias comerciais exportadoras, fundos soberanos) agiam e agem dentro da liderança do Estado. E num dos elementos fundamentais da política econômica, a questão monetária, o controle do Estado é total, pois tem o poder de manejar a taxa de câmbio segundo os seus interesses. Aliás, essa é uma das reclamações dos neoliberais americanos, como se o dólar fosse só fruto das decisões de mercado e os Estados Unidos não se valessem dele por ser americano e moeda mundial. Mas o fato é que o Estado chinês tem o comando da economia chinesa e da sua relação com exterior. Trata-se de ver que essa é a posição original da China na dinâmica econômica financeira e produtiva da mundialização.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;4&lt;/strong&gt;) A diferença está, portanto, na unidade do Estado, que proporciona a capacidade de definir e articular, tanto a sua estratégia geopolítica como a sua estratégia econômica, gerando a China o seu lugar na confraria/contenda das nações do planeta. Trata-se de uma postura de união de uma política nacional com uma política econômica. E cabe dizer, nesta passagem, que esta política econômica, no caso da China, é global. O que quer dizer isto? Quer afirmar que a gestão chinesa abarca todas as políticas de Estado, ou seja, a política monetária, a política cambial, a política fiscal, a política financeira, a política industrial, a política agrícola, a política tecnológica, a política de salários, a política social, etc., etc. E é por isso que, quando o leitor fala na questão da crise dos quatro bancos chineses, a aparência é de que a solução do tema passou pela mesma forma dos Estados Unidos. Num sentido sim, noutro não. Sim, porque o Estado teve que entrar em campo para salvar os bancos. Não, porque o Executivo salva as instituições financeiras sem precisar pedir autorização para o Legislativo, como no lado americano. O que faz com que as absorções dos prejuízos sejam socializadas através de decisões internas ao próprio Executivo, embora com repercussões nas bolsas e no sistema financeiro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;5&lt;/strong&gt;) Agora, queridos amigos, vejam a diferença com o Estado Americano. Em primeiro lugar, esse Estado não tem unidade. A sua estrutura está separada politicamente, desde logo, por causa da independência constitucional do Banco Central americano, o FED, fato que marca, na prática, a vinculação do banco com as finanças. Ou seja, configura-se uma independência estrutural. E faz com que esse Banco reja a política monetária fora da unidade do Estado, pois é este que tem que se adequar à política daquele. Em segundo lugar, a escolha do secretário do Tesouro é um cargo fundamental, pois se um secretário, como Timothy Geithner, for relacionado com as finanças, toda a estrutura econômico- financeira (Banco Central e Tesouro) veste as cores do setor dominante. Olhe-se a flor do jardim: ela chama-se hegemonia das finanças. Somam-se a isso, mais dois fatos decisivos. Um deles é que as decisões de alterações de leis como a do sistema financeiro (New Finantial Regulatory Law), como a Lei dos Empregos Americanos (American Jobs Act), etc., passam pelo Congresso, onde os bancos e as indústrias têm lobbies expressivos. E o Congresso pode paralisar o Executivo, como paralisou no caso do teto da dívida e do corte dos gastos. E o segundo fato é que a política econômica do Estado americano é parcial; macroeconomicamente, ele só define a política monetária – que, no caso americano, já é cambial – e mais as políticas financeira e fiscal. O resto é definido de forma microeconômica pelos mercados. Por tudo o que expus, a conclusão é que o Estado americano é um Estado fragmentado. E, por conseqüência, a estratégia nacional americana para as ordens da política e da economia mundial passa por dificuldades inúmeras em função desse múltiplo fatiamento. E isto que nós não estamos analisando a segmentação, que pode se ampliar, quando se pensa o poder militar do Pentágono, em função de seus objetivos bélicos e, até mesmo, políticos próprios, quando antagônicos a outros objetivos estatais. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;6&lt;/strong&gt;) Nós, os leitores e eu, não estamos discutindo aqui a questão política da democracia ou da ditadura do Estado. O que estamos apontando, na atual geopolítica e geoeconomia, é a capacidade de agir unitariamente diante das questões postas pelas citadas ordem econômica e ordem política mundial. O que disse em outro artigo foi que a China era a grande novidade nesta hegemonia do capital financeiro, porque ela não estava submetida ao império das finanças. Ao contrário, era ela quem, através do Estado, comandava o desenvolvimento centrado na produção com presença das finanças. O que tenho expressado aqui é que se abriu uma fenda, um corte, na unidade do antigo eixo americano. De um lado, temos um eixo americano dominado pelas finanças que, subordinando o Estado, o leva de arrasto no seu declínio, o conduz, meio desastradamente, à decomposição do neoliberalismo. E, do outro lado, outro eixo que é um capitalismo de Estado, onde o setor produtivo, o setor financeiro, o setor externo funcionam para o desenvolvimento do capital (e no limite, para o da sociedade), porém com liderança estatal. E claro que, neste eixo, apenas o Estado unitário é o chinês, mas é.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;7&lt;/strong&gt;) E nos comentários que tenho feito, o objetivo é de mostrar que o novo na dinâmica do capitalismo financeiro mundial é esta presença do Estado para contrarrestar a imposição das finanças. O espinho encravado no mundo neoliberal. E como o Estado na China organiza unitariamente a sua ação, construindo este capitalismo de Estado (o que não exclui contradições e lutas nas esferas burocráticas, na hierarquia do Estado, e no conflito Estado e Partido, etc.), a crise da economia mundial desloca o polo dinâmico para a China, sobretudo porque ela pode puxar a realimentação da produção. Está instalada na China a possibilidade da reversão da hegemonia financeira para uma nova hegemonia produtiva, reenquadrando os Estados Unidos para outro tipo de liderança, na direção de um novo padrão de acumulação com profundas transformações tecnológicas. Isto não quer dizer que, se o aprofundamento da recessão do eixo americano (Estados Unidos–Inglaterra–Europa) chegar a uma recessão, a China e o seu eixo não serão afetados. Claro que serão! Mas as decisões que deverão ser tomadas são mais fáceis de serem tomadas num Estado que seja unitário do que num Estado fragmentado. Assim, tudo é uma questão de tempo, de ritmo, de rupturas e de metamorfoses. Esta é a hora, assim poetizaria Fernando Pessoa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;8&lt;/strong&gt;) E o que tenho dito também é que o êxito, mesmo que relativo, da China – seja consigo mesma, seja com os demais países – certamente é um incentivo as outras nações a pensarem em aumentar o poder do Estado na economia. E mais, digo agora, os grupos sociais hegemônicos podem até clamar pela intervenção estatal. Aqui no Brasil não temos visto, as forças econômicas, mesmo disfarçando críticas, endossarem as ações do Estado? E a idéia do Estado europeu não tem sido algo que tem aparecido, aceita ou não, no horizonte da solução da crise na Europa? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;9&lt;/strong&gt;) Uns falam da ditadura do capital nos Estados Unidos, outros da ditadura do Partido e do Estado na China. Por isso, não podemos escapar – olhando a crise e perscrutando o futuro dos dois eixos aqui falados – da pergunta fatal: como é que fica a democracia no mundo? Aqui, neste meu artigo, tenho apenas uma intenção: instrumentar os leitores para a percepção de alguns signos que estão presentes e que vem surgindo à nossa vista, como os filmes de Martin Scorcese, candentes. E então, como no cinema, o meu texto muda de enquadramento e põe um plano aberto em cada leitor: como é que você responderia esta questão? (Não deixar de observar, no fundo do cenário, os movimentos sociais estourando nas cidades, praças, ruas e bairros do mundo inteiro: do Egito a Londres, de Nova York a Barcelona! Falam em “revoluções”. Mas este fenômeno é mesmo o quê? Qual é o seu efeito sobre a financeirização?).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Bom dia, Felipe X! – obrigado pelo comentário.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-2238913790932972300?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/2238913790932972300/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=2238913790932972300' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/2238913790932972300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/2238913790932972300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/10/crise-financeira-mundial-o-estado-e.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL:   O ESTADO E A HEGEMONIA DAS FINANÇAS. Por Enéas de Souza'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-6354259903038636279</id><published>2011-10-13T00:44:00.000-03:00</published><updated>2011-10-13T11:05:21.297-03:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: PARA ONDE VAI A CRISE FINANCEIRA? Por Enéas de Souza</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;Coluna das quintas&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;A crise capitalista continua forte, intensa e assustadora, ao mesmo tempo, que se agrava e maltrata a sociedade. A ruptura passa por eminente, como uma ponte pênsil sobre o abismo. A gente se preocupa e teme, mas ela é ainda transferida para amanhã, como tem ocorrido nos últimos meses. Existem até agora medidas que servem para ganhar tempo. O problema se centra na queima de capital e na reorganização da economia e da política como um todo. Digo queima de capital porque, quando ele constrói um aumento excessivo de produção e de acumulação financeira, há a necessidade profunda do sistema se despojar do que está a mais. Um sintoma de que o capital precisa se renovar e encontrar um novo formato. Quer dizer que o negativo está apontando para um possível positivo: uma nova economia. Todavia, não sem problemas, não sem barulhos. Por essa razão, o capital faz uma sangria no próprio corpo. E isso só ocorre porque a mudança é como se fosse uma passagem de um dia para outro, com uma noite de permeio, garantindo o trânsito. Só que a noite da Europa está com uma voz cada vez mais escura de tempestade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;CRISE: ABUNDÂNCIA E CARÊNCIA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;A primeira coisa que ocorreu na crise capitalista foi, sem dúvida, a ruptura do único eixo que dominava a economia mundial, “a exuberância irracional” da economia americana. A crise de 2007/08 permitiu ver que tínhamos passado de um eixo singular para um duplo. O eixo único tinha se quebrado em dois. E a economia mundial, com essa ruptura, revelou que tem agora duas partes: uma dinâmica, a economia chinesa, e outra em decomposição, que é a economia americana-européia. E como um relâmpago, ficou muito claro a emergência do eixo chinês-asiático – insistente, se reformando em velocidade inimitável, de um modo geral em grande movimento, invejadamente ativa, mas incapaz de reanimar a economia mundial como um todo. E o outro eixo da economia americana-européia, coitado, tem que queimar capital de forma lenta e dolorosa. Ignácio Rangel, o fantástico economista brasileiro, dizia que o grande problema das economias seria como reorganizá-las, como reenlaçar o que ficou separado durante a crise. Porque essa deixa, de um lado, abundância de recursos, e do outro, carência deles. Não é o que está acontecendo com a China, com grandes saldos de reservas, e os Estados Unidos-Europa, numa crise de liquidez e, em alguns casos, de insolvência? Por que não se faz um laço entre os dois eixos? É que aqui, o problema está além do quintal, ele é geoeconômico e geopolítico. Pois os Estados Unidos temem a invasão chinesa, temem o domínio de empresas e bancos nacionais pela China. Seria dar vantagem no jogo estratégico. Vejam o caso da SUNOCO que o Congresso americano vetou a venda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;O QUE É QUE A CHINA TEM DE DIFERENTE?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Há que registrar, nesta crise, a profunda novidade da China dentro do capitalismo financeiro. Inúmeros economistas e políticos de diversos países não entendem porque o pólo chinês resistiu à crise neoliberal. Acusam a China de manipulação do câmbio, etc. etc. Os Estados Unidos estão até aprovando uma lei que permite sanções contra países que não praticam o livre mercado. Quá, quá, quá. Claro que isso vai perturbar as relações sino-americanas, mas a questão é outra. A questão é que China não sofreu os problemas dos ocidentais, porque ela tem um Estado atento à sua segurança, à sua capacidade de desenvolvimento, à sua constante expansão. Um Estado desenvolvimentista. E um Estado desenvolvimentista é um Estado que planeja a atividade econômica, que comanda o câmbio, que dirige o comércio exterior e que trabalha para recompor a estrutura produtiva e financeira quando uma crise ocorre. E, nas crises, o Estado tem, como um moto no trânsito, uma capacidade e uma rapidez de resposta que é muito maior que a instabilidade desordenadora da economia de livre mercado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;A RAPIDEZ DO ESTADO, A RAPIDEZ DOS CAPITAIS&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Isso quer dizer que o processo de acumulação de capital tem como regulador intrínseco o próprio capital. E entra em atividade disparando seu lado corretivo quando há superacumulação, seja produtiva, seja financeira. Emerge, assim, no cenário, a necessidade de repor as coisas em ordem. Fazer uma faxina na casa. E uma crise se resolve através de duas forças maiores: pelo mercado e pelo Estado. De um modo geral, conjugadamente, só que dirigidos por uma delas. Quando a direção vem pelo Estado, o planejamento global e a rapidez das iniciativas ocorrem com mais eficiência (para usar a palavra neoliberal) do que quando são feitos sob direção e inspiração exclusiva dos capitais. Por que? Porque o Estado pensa sempre em termos do capital em geral, sendo ele, Estado, o árbitro das disputas e das discórdias das frações empresariais. E pode sempre sair pelo incentivo ao investimento – público, privado ou misto – que acaba por disparar a lucratividade privada e amparar o crescimento do emprego. Com isso, acaba também, por causa dos seus instrumentos e sua amplitude de atuação, resolvendo, com menos dores, os problemas de toda a sociedade. O que não quer dizer que alguns grupos sociais não possam ser afetados fortemente. Mas quando são os próprios capitais que decidem, os mercados levam tempo para reativar os lucros das empresas, a demanda só reaparece quando a eficiência marginal do capital sobe. Na crise, o capital é muito lento para escolher o que é melhor para si. Depende da fricção entre a concorrência capitalista. E a coisa piora muito para a sociedade. O leitor pode ver o tempo que demora para que o emprego retorne a níveis aceitáveis. Nos Estados Unidos, a taxa de desemprego, nos melhores momentos, ficou todo o tempo ao redor de 9%.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;PARA ROMPER COM A CONTAMINAÇÃO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Então, partiu-se o eixo único, ficaram dois eixos, o americano e o chinês. O eixo americano vive o momento fundamental de inflamação completa. E mais, ocorre um circuito vicioso. Os Estados Unidos contaminam a Europa, agora a Europa está na eminência de contaminar os Estados Unidos. Tudo isso faz parte do processo de queima de capital. Pois, quando se fala em recapitalização nada mais se busca do que novos sócios, novos aportes de capital, de tal maneira que o capital se conjugue, se concentre, se centralize e possa enfrentar, com galhardia, a nova etapa do processo de acumulação capitalista. Porém, a crise se estendeu por todo o Ocidente. E estamos num processo de renovação do capitalismo em todo o planeta. Então, há que destruir o que se embaraçou, o que se complicou. Por exemplo, há que impedir que o capital especule do jeito que especulou. Nos Estados Unidos temos a chamada “emenda Volker”, para que os bancos sejam, grosseiramente dito, divididos em bancos de depósitos e bancos de investimentos financeiros, ou seja, bancos dedicados à especulação. Embora a questão chave para mim esteja na idéia das finanças como crédito. O que hoje se precisa é crédito para a produção, para a produção que possa dar emprego. E também que haja crédito para a tecnologia, seja para pesquisa, seja para inovação, seja para apoio à instalação de indústrias em setores avançados. É essencial impedir que o crédito vá sempre para a especulação. E nesse sentido, o Estado tem uma capacidade maior de fazer direcionar o elemento creditício para os setores fundamentais. Uma vez que pode absorver o rendimento de juros baixos ou juros negativos ou conceder juros privilegiados. O crédito é um dos pontos decisivos de uma política econômica. E o mercado não tem política econômica.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;A ASFIXIA DO ESTADO PELA DÍVIDA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Então vejamos o que aconteceu com a relação Estado/capital financeiro no capitalismo neoliberal. A mudança foi substituir, em grande parte, o financiamento do Estado através do imposto pelo financiamento através da dívida pública. Ou seja, para fazer transformações profundas, ele tem que se endividar. Ora, é por intermédio da dívida, principalmente pública, que as rendas dos capitais financeiros se substancializam. Mas essa idéia de dívida também foi inoculada na sociedade como um todo. Ou seja, todo mundo faz dívidas para comprar seja carros, apartamentos e residências, seja para adquirir meios de produção, matérias primas, ou vender produtos. É a dívida que potencializa a valorização do capital. Portanto, nos dias de hoje, não se pode retornar aos impostos, porque todo mundo está endividado. Dessa forma, quando um Estado entra numa crise fiscal, a economia balança, e quando temos um conjunto de Estados endividados, acrescidos de uma crise bancária, chegamos à crise sistêmica. Não é um pouco o que Trichet dizia da Europa?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O único setor que não está endividado é o dos mais ricos – a classe alta e a classe média alta – e que ganharam como nunca. No entanto, dado o poder político destas classes, aparece o impedimento de encaminhar uma taxação expressiva sobre eles. Acabar com o neo-liberalismo é sim acabar com a especulação financeira; é sim acabar com a diminuição do Estado; mas, fundamentalmente, acabar com o financiamento estatal através da predominância da dívida sobre os impostos. Só nessa linha estratégica pode-se conduzir o Estado a ser o orientador e o líder de um planejamento social que se sustente no investimento e que, por conseqüência, traga empregos. Sem isso, ficamos nesta ronda incendiária da crise dos bancos, da crise dos Estados (chamada apenas de dívida soberana) e de nova crise dos bancos, como está ocorrendo na Europa e se avizinhando nos Estados Unidos. O mundo só mudará quando os financistas, quando a sociedade, perceber que tem que alterar este modelo de acumulação financeira. A solução para os diversos países e os diversos capitalismos não é necessariamente uma incondicional presença do Estado, mas as finanças não podem fazer do poder do Estado, do poder coercitivo dele, um benefício exclusivo para si. É o conjunto de forças da sociedade, sem a ditadura de qualquer classe – a financeira, principalmente – que poderá levar o atual capitalismo a um novo estágio econômico, com uma política econômica que encaminhe e desenhe um novo padrão de acumulação. É importante levantar a asfixia do Estado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A realidade é profundamente política. É na política que vai se resolver a mudança do modelo que falamos acima. Para isso, os financistas têm que se dar conta de que o seu modelo chegou ao fim. E eles estão com esta consciência? Sim, e não. Quando o Morgan Chase diz que, para as recapitalizações dos bancos na Europa, são necessários 148 bilhões de euros, ele está dizendo que houve uma queima enorme de capital. Quando se fala que os bancos estão “perdoando” as dívidas, também estamos falando de queima de capital. Quer dizer que todos esses planos de resgate de países e de bancos são a busca de quem vai pagar por essa queima de capital, de quem vai perder a corrida capitalista. E o que torna ainda mais violento e contundente a situação é que essa derrapada não se dá somente com empresas financeiras. Tal acontece igualmente com o setor produtivo, alcança o setor estatal (diminuição de funcionários e conseqüente diminuição da qualidade dos serviços, decréscimo do consumo do governo, inexistência de investimento público) e chega ao paroxismo com a população (diminuição de empregos, de salários, de aposentadorias, de assistência social). Meu caro amigo Franklin Cunha, é isso que está acontecendo com a Grécia, ela é o elo mais fraco do Ocidente: Estado bichado, receita caindo, impostos aumentados mas sonegados, queda de salários, desemprego público e privado, bancos em desgraça, indústrias quebrando. E é tão desastroso que o desastre grego se torna um desastre europeu e, talvez, americano, pois está contaminando bancos de outros países, e vai criar problemas para outros Estados. A chuvarada na Grécia vai levar tudo numa enxurrada. Parece a hora de todos os segmentos do planeta pensarem e negociarem um outro caminho. Já existe um, que é o da China. Mas o Ocidente ainda não demonstrou ter chegado a uma estratégia, a um itinerário.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;E...&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;E tem solução para o Ocidente? Tem. Duas! Uma: a profunda anarquia: deixar o barco correr para ver o que sobra, que é a chamada solução de mercado. Uma solução prolongada e desastrosa. E a outra: a solução política que começa por negociar a recomposição do Estado, a impossibilidade de salvar todos os capitais, a necessidade de promover um bem-estar social de melhor qualidade, a visão da necessidade de fazer investimentos e proporcionar empregos, visando começar a reativar as economias, pois, isso também contamina. Para tal é preciso derrotar politicamente os que insistem em ganhar financeiramente à custa dos Estados, da especulação e em detrimento dos benefícios sociais, etc. E isso é uma luta profunda, uma batalha permanente e um desforço social imenso. Nesse objetivo, é preciso ter bem claro que o que importa são alguns aspectos decisivos. E quais são eles?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;PARA ONDE PODEMOS IR?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Destaco agora aspectos decisivos para a mudança da economia. Cabe considerar os seguintes pontos:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;1) os Estados tem que se proteger construindo barreiras – fiscais, financeiras e monetárias – ao furacão da crise. Devem estar sempre abertos para se encaminhar na direção do desenvolvimento produtivo e social. E não necessariamente financeiro;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;2) a idéia política tem que ter um alvo seguro: transformar o modelo de acumulação, saindo do financeiro para o produtivo. E, nesse caminho, alterar o padrão produtivo de produção em massa – baseado na industria automobilística e regida pelo petróleo - para um novo padrão de acumulação, baseado na microeletrônica, na internet, nos novos materiais, etc. Está na hora de construir o padrão de acumulação sustentado pelas indústrias da informação e da comunicação;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;3) a busca de tornar dinâmica a competição dos dois eixos, o americano e o chinês. Para tal, é preciso estabilizar a profunda instabilidade e desordem do eixo americano, principalmente, detendo a crise européia, impedindo-a de fazer um rebote sobre os Estados Unidos;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;4) a consciência de que o processo continuará sendo capitalista, com profundas mudanças no produtivo, que, obviamente, alcançará a necessidade de transformação da finanças, passando para a geração de crédito à produção e confinando a especulação ao próprio setor financeiro. Com isso, impedindo que ele avance sobre a produção e sobre o Estado;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;5) a necessidade de uma transformação profunda do Estado: controle democrático e Estado unitário (comandando o Ministério das Finanças e o Banco Central). Essas alterações seguem na construção de uma economia desenvolvimentista, com investimento indo à frente e com o emprego sendo fundamental. E, como conseqüência imperiosa dessa metamorfose, a nacionalização e estatização daquilo que o neoliberalismo capitalizou: educação, assistência social, saúde, e cultura. Essas políticas públicas deverão estar à serviço do país e da sociedade e não do lucro ou da imagem das empresas;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;6) a necessidade de construir ou reconstruir instituições políticas que acompanhem e regulem a dinâmica de expansão do capital na ordem financeira e multinacional. Portanto, reformas do FMI, OMC, do Banco Mundial, etc., etc., para que estejam a serviço da coletividade. Essa tensão entre capital multinacional e Estado nacional requer ser projetada para pensar e executar soluções criativas, lógicas e dinâmicas. Considere-se o caso da Europa: há que ter um Estado político, um Tesouro Europeu, um Banco de Desenvolvimento Europeu, um Banco de Resgate Financeiro Europeu, acompanhando esse já criado Banco Central Europeu, que está só ligado às finanças.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O desafio é claro: ou o capitalismo avança – e os capitais mais frágeis serão destruídos ou aglutinados – ou ele atravanca o seu próprio desenvolvimento. E, com isso, poderá ficar à deriva por muito tempo. Isso se não fizerem besteiras, como as aventuras de guerra. Os pretextos estão aí, pululando, se oferecendo para os pensamentos mal cheirosos. E hoje, o panorama ainda é confuso. As finanças não têm projeto, a não ser quebrar Estados e bancos mais frágeis (os gregos, por exemplo) e fazer a população pagar. O seu projeto de futuro é não ter futuro. Por isso, que “Occupy Wall Street” avança. Essas manifestações populares com presença eletrônica ainda são muito tímidas, sem perfil político definido. Mas, estão aí. Já o capital produtivo está cindido entre o capital velho, que está mais para as finanças do que para um futuro; e um capital Steve Jobs, um capital Google, um novo capital para a área de comunicações que pensa, sim, numa outra sociedade. Será melhor? Ninguém sabe. As ameaças podem ser muitas. Mas, se o capitalismo sair, ele vai sair por esse canto. E o Estado pode ter futuro se se der conta de seu lado desenvolvimentista, mas também de seu lado social. E isso vai se decidir na luta política e social que está em curso. Como sempre digo a amigos: o mundo vai para o caos, mas para os cientistas sociais (economistas, sociólogos, politólogos, etc.), a realidade atual é sempre assustadora e inquietante, porém excitante e novidadeira. E o que se sente: o rio do futuro está forçando a ruptura das barragens do passado e do presente. Mas, por enquanto, só se vê esse passado indigesto da financeirização em ruínas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-6354259903038636279?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/6354259903038636279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=6354259903038636279' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/6354259903038636279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/6354259903038636279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/10/crise-financeita-mundial-13-de-outubro.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: PARA ONDE VAI A CRISE FINANCEIRA? Por Enéas de Souza'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-7030705633892745188</id><published>2011-10-11T10:02:00.000-03:00</published><updated>2011-10-11T10:04:02.128-03:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Palestras e repercussões do evento "A América Latina frente ao Pós-Neoliberalismo"</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.fee.tche.br/sitefee/pt/content/eventos/perspectivas-da-america-latina-frente-pos-neoliberalismo.php"&gt;slides das palestras&lt;/a&gt;&amp;nbsp;proferidas na FEE&amp;nbsp;&amp;nbsp;e &lt;a href="http://sul21.com.br/jornal/2011/10/economistas-debatem-integracao-latinoamericana-no-pos-neoliberalismo/"&gt;algumas entrevistas&lt;/a&gt; realizadas com os pesquisadores latino-americanos&amp;nbsp;podem ser obtidas nos links acima. Destaque para a entrevista com &lt;a href="http://sul21.com.br/jornal/2011/10/neoliberalismo-abriu-caminho-para-o-narcotrafico-no-mexico/"&gt;Gabriel Pichardo&lt;/a&gt;&amp;nbsp;sobre o neoliberalismo e o narcotráfico no México e também sobre a situação e o significado das&amp;nbsp;revoltas estudantis&amp;nbsp;&amp;nbsp;no Chile, com &lt;a href="http://sul21.com.br/jornal/2011/10/para-economista-gratuidade-do-ensino-no-chile-e-viavel/"&gt;Cláudio Cortés&lt;/a&gt;.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os vídeos dos debates estarão disponíveis no site da FEE em breve.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-7030705633892745188?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/7030705633892745188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=7030705633892745188' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/7030705633892745188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/7030705633892745188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/10/crise-financeira-mundial-palestras-e.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Palestras e repercussões do evento &quot;A América Latina frente ao Pós-Neoliberalismo&quot;'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-3407406870948270389</id><published>2011-10-05T23:25:00.001-03:00</published><updated>2011-10-06T19:38:06.352-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;CRISE FINANCEIRA MUNDIAL&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;06 de outubro de 2011&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;Coluna das quintas&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;EUROPA: A ALEMANHA &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;ESTÁ JOGANDO DE MÃO&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Por Enéas de Souza&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A Europa está em chamas, mas os bombeiros neoliberais estão ali presentes, jogando água para amainar o fogo. E a coisa continua sendo política. Primeiro, não se acertam sobre a forma de solucionar a liderança política; segundo, não se acertam sobre o caminho a seguir; terceiro, não se acertam sobre as instituições a construir; quarto, não se acertam no modo de se relacionar com os demais países fora da comunidade; quinto, não se acertam para desenhar um papel geoeconômico e geopolítico na ordem mundial.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A questão européia continua um problema político, a começar pela liderança. De um modo geral, se pensa que há uma condução dividida entre a França e a Alemanha. E embora isso tenha sido uma realidade, penso que, neste momento, o tema se complica porque os resultados obtidos economicamente mostram um avanço da Alemanha sobre a França, situação bem visível na taxa de juros básica de empréstimos europeus, onde a taxa padrão é a cobrada para os empréstimos da Alemanha. Essa diferença se baseia num Estado altamente controlado em termos de déficit fiscal e dívida pública, numa indústria mais desenvolvida do que a francesa, numa situação privilegiada do comércio exterior, que é superavitário, numa situação bancária inquietante, mas muito menos vulnerável que a da França. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Isso permite pensar que a Alemanha tem um projeto de organização da Europa diferente daquele da França. E todo o seu lento movimento na questão européia serve de indicador para conjeturar como que ela pensa o destino do velho continente. Trata-se de uma tentativa de organização dos Estados da região a partir da sua concepção de nações disciplinadas fiscalmente e com controle rígido de gastos, com cortes de despesas estatais, se necessário, e com comando político para deter salários, buscando aumentar a produtividade empresarial. E a Alemanha tem jogado muito bem, no apoio às suas multinacionais e, principalmente, aos seus bancos, na expansão sobre o espaço da Comunidade, com inserção também no espaço americano. Na Europa, a Alemanha marca uma influência financeira em vários países e tem uma presença forte na orientação do Banco Central Europeu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A Alemanha não pensa numa solidariedade política. Pensa numa Europa dos capitais, numa Europa onde a liberdade das finanças seja apoiada e organizada pelos Estados nacionais e pelo Banco Central Europeu. Ela não projeta, a meu ver, no momento, qualquer Estado da Comunidade Européia. Continua a pensar a Europa como um espaço de expansão dos capitais (alemães, em primeiro lugar, obviamente), sem controle supranacional. Por isso, reorganizar o equilíbrio fiscal dos países é decisivo. E o seu objetivo é, portanto, assumir claramente a liderança dessa Europa e, de maneira nenhuma, ficar voltada para a organização de uma Europa política. E nesse jogo, ela pensa, sem dúvida, no apoio francês, mas não num grau de paridade. Ou, pelo menos, não no projeto político e estratégico da França, seja da França direitista, seja da França de esquerda. De qualquer modo, os passos para a Europa que estamos falando, segundo a Alemanha, seguem firmes, barco velejando na direção de uma disciplina fiscal dos Estados e não na constituição de um Tesouro Europeu. E muito menos, no momento, num Estado único. A Alemanha vislumbra, não resta dúvida, um projeto de uma ordem econômica e política de Estados nacionais. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Claro, o fortalecimento do Banco Central Europeu é muito importante, por causa da necessidade de garantir a liquidez e, até mesmo, a solvabilidade dos bancos da região, como aconteceu na crise de 2007/2008. Os bancos alemães, aliás, foram os primeiros a serem salvos pelo BCE. E temos também o Fundo de Resgate, que se caracteriza pelo objetivo de amparar e salvar os bancos, sendo possível ser usado para solucionar alguma coisa ligada à dívida soberana dos países. Com isso pode, dado a modéstia de seus recursos – 440 bilhões de Euros – ainda em processo de aprovação, ser, quando muito, um aliviador quase efêmero das tensões do mercado financeiro. Mas, é óbvio, que ele não está apto para resolver as próprias dívidas soberanas, já que o Fundo não é um Banco de Resgate Europeu. Dentro do processo atual, admitindo uma crise intensa, a saída será sempre o Banco Central Europeu, que pode, por diversos mecanismos financeiros e, sobretudo, com sua articulação com os demais bancos europeus do mundo, alcançar uma espécie de japonização da Europa, amorcegando os títulos podres e tornando os bancos verdadeiros zumbis. É claro que ninguém quer essa solução, mas ela poderá ser empregada como uma tentativa de impedir a ruptura total, o que não quer dizer que, com isso, a economia escaparia facilmente da depressão. Escaparia, apenas, da quebradeira. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Já a estratégia dos capitais e do Estado francês é outra. O objetivo imediato é envolver a Alemanha numa parceria de poder, pois, para a França, é vital o domínio do Estado europeu; só através dele é que ela poderá conquistar um espaço que vem perdendo aceleradamente. Até mesmo o lançar-se na aventura guerreira da Líbia foi um reforço para sublinhar à Alemanha uma superioridade geopolítica particular, que a França tem e a Alemanha não tem. Mas, na França, a relação Estado/bancos é muito mais umbelical e a situação dos bancos franceses é desesperadoramente pior. É só ver a relação dos bancos a perigo. E só ver o que está acontecendo agora com o Dexia. Tudo isso afeta a força do próprio Estado. E existe, inclusive, o constante rumor da baixa de nota da França pelas agências de ratings. Portanto, a saída da França é desenvolver mais nitidamente o caráter estatal da União Européia. A própria esquerda, é o caso de Martine Aubry, tem procurado pensar num Banco Europeu, ao estilo do FMI, para resolver a questão dos Estados Nacionais. Portanto, a França busca uma saída, via Europa, via uma liderança da Europa política. Outro dia, Laurent Fabius, ex-ministro da Fazenda de Jospin, na TV-5, dizia que o grande problema da Europa é que não existe uma direção nítida para a sua construção. Claro, se referia, a meu ver, no fundo, à hesitação aparente da Alemanha em seguir o caminho do Estado europeu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;E então? Temos dois projetos antagônicos. A Alemanha procurando uma hegemonia via soluções nacionais no campo político e um ou mais órgãos de controle para ajudar a expansão dos capitais. Um projeto de Europa unida só lá diante, quando a Alemanha tiver um controle político e econômico mais claro, mais definitivo, quando ela liderar este conjunto de nações aferrado à austeridade, sem maiores aventuras. Por isso, seu projeto de poder é miúdo e pequeno, nacional, e, de mais longo prazo, quem sabe, europeu. A sua estratégia envolve um conserto da situação fiscal dos países e nenhum keynesianismo de prontidão. Gastar o mínimo possível. Mas traz embutido um projeto para o euro, o velho sonho de transformar o euro num marco ampliado, uma fortaleza, e, se possível, se transformar numa das moedas de reserva do mundo, na mesma proporção que o dólar e, quem sabe, o yuan. E de outro lado, temos a França com uma economia combalida, que constrói um projeto para reativar o seu poder via soluções européias. Ou seja, uma Europa para a França avançar. Ora, esses dois itinerários são antagônicos. E é dentro dessa rivalidade de estratégias que a questão vai seguir e, quem sabe, se solucionar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Laurent Fabius dizia que, para ele, a Europa tinha que começar a se resolver com a Alemanha e a França se entendendo. E ele propunha principiar pela questão energética, na qual ambas estão com problemas. Depois, seria preciso fazer um processo de integração que agregasse, no primeiro momento, países mais ou menos no mesmo ritmo, para formar um núcleo consolidado diretivo, com a Holanda, por exemplo. E, numa segunda etapa, com a integração do resto dos países mais fragilizados. E num terceiro momento, e no futuro mais distante, incorporar outros países do tipo Turquia. O que importa dessas idéias de Fabius é perceber que o projeto da Alemanha é muito distante do que pensa a França e a França já está percebendo, e está tentando se adaptar. Tudo parece, no entretanto, que o sonho da Europa dos capitais é que terá a possibilidade de progredir e se expandir. Claro, claro, se a crise econômica permitir. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;E agora, qual é a situação? Antes, de mais nada, é preciso que os Estados Unidos mantenham a crise no fogo lento. E parece possível, pois eles esperam o resultado da eleição de 2012. Há uma parada para acumular forças. Claro, que se os republicanos ganharem, o software neoliberal pode ser substituído por outro piorado. Mas, até lá, a Europa pode ganhar tempo. O problema será sempre o de assegurar, por mecanismos financeiros e/ou econômicos e/ou políticos, que o carro não caia no despenhadeiro, que não desabe ribanceira abaixo, que consiga dar uma estabilizada. As tarefas são claras. A Alemanha está jogando de mão. E então, o mais grave problema é a decisão sobre a Grécia. E aí a questão tem que ser iluminada. A Grécia não vai ter condição de pagar; será, no mínimo, forçoso reescalonar a dívida, salvar os bancos e, principalmente, se tiverem peito, dar a solução mais adequada: o perdão dessas dívidas envolvendo bancos e Estados. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Mas isso seria um formidável passo. Só que as finanças são um bando de investidores, de abutres, loucos para tirar o máximo de uns ou passar o mico para outros. Então, talvez seja preciso inventar um megaprocesso de incorporação dos títulos podres em alguma ou várias instituições estatais, para-estatais, européias e/ou internacionais. Mas a coisa também pode se conservar no interior do Banco Central Europeu, que irá congelando, por um tempo, os títulos podres, privados e públicos. Ou, quem sabe ainda, uma ampliação notória do Fundo de Resgate. Mas, seja como for, a Alemanha vai preparando o seu salto político, para absorver a liderança européia, deixando de lado o sonho de uma Europa grandiosa, poderosa política e economicamente, rival dos Estados Unidos e da China, mas consolidada em termos de orçamento, de déficit, de dívidas. E, portanto, uma Europa dos países e dos capitais, capaz de ter uma moeda forte, para dar uma expansão às empresas produtivas e financeiras alemãs e européias com segurança. Nada de audácias keynesianas. E, enquanto isso, prepara alianças internacionais fortes com os Estados Unidos, com a China e com a Rússia, para trabalhar uma Comunidade dos 27 à sua feição. Muito na lenta, muito na retranca, muito na austeridade, muito numa tentativa, em menor escala, de fazer de sua indústria e de seus bancos uma determinada liderança no continente e, se possível, no mundo. E, para isso, a Alemanha está disposta a pagar o que a França vale e não o que ela pede e diz que vale. Ângela Merkel não está dando moleza para o Sarkozy. E se tudo isso der no riscado, no longo prazo, quem sabe a Alemanha pense na construção da Europa do Estado Único, à sua moda?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-3407406870948270389?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/3407406870948270389/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=3407406870948270389' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/3407406870948270389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/3407406870948270389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/10/crise-financeira-mundial-06-de-outubro.html' title=''/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-5373507185177618195</id><published>2011-10-04T12:04:00.004-03:00</published><updated>2011-10-04T12:04:55.319-03:00</updated><title type='text'>Debate sobre a América Latina frente ao Pós-Neoliberalismo terá transmissão online</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-DpVWKGtTp7w/ToMUZVSCk-I/AAAAAAAAAPk/W_Bx3Wv-WLI/s400/Cartaz-FEE-eventoAL.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-DpVWKGtTp7w/ToMUZVSCk-I/AAAAAAAAAPk/W_Bx3Wv-WLI/s320/Cartaz-FEE-eventoAL.jpg" width="228" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O &lt;a href="http://www.fee.tche.br/"&gt;site da FEE&lt;/a&gt;&amp;nbsp;estará transmitindo ao vivo e online as palestras do evento "A América Latina frente ao Pós-Neoliberalismo", que ocorre amanhã e quinta-feira no auditório da FEE a partir da 9:30 hs da manhã.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim, quem não tiver condições de comparecer poderá acompanhar de casa ou do trabalho esse importante evento.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-5373507185177618195?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/5373507185177618195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=5373507185177618195' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/5373507185177618195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/5373507185177618195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/10/debate-sobre-america-latina-frente-ao.html' title='Debate sobre a América Latina frente ao Pós-Neoliberalismo terá transmissão online'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-DpVWKGtTp7w/ToMUZVSCk-I/AAAAAAAAAPk/W_Bx3Wv-WLI/s72-c/Cartaz-FEE-eventoAL.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-2685311840206980889</id><published>2011-09-28T21:44:00.003-03:00</published><updated>2011-09-29T16:36:52.924-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;CRISE FINANCEIRA MUNDIAL&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;28 de setembro de 2011&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;Coluna das quintas&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;DILMA&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;E O GRANDE LANCE DIPLOMÁTICO&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Por Enéas de Souza&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;1&lt;/strong&gt;)Tinha comentado o discurso da Dilma na parte que toca a ONU e o capital financeiro, falando de sua estréia como estadista, na semana passada aqui no Sul21 e no blog do Econobrasil. Tratava-se de desvendar a atitude da presidente diante de algo decisivo, o impasse da economia mundial, ao menos no tocante à necessidade de dominar a fera solta do século, o capital financeiro. E ela não teve dúvidas, mostrou que o Brasil tem clareza do que fazer e sabe que a questão é política. Política ao nível do Estado, política ao nível dos grupos dominantes, política ao nível da mundialização e, principalmente, ao nível das finanças. E o seu lance foi um toque de espada, porque revelou, por contraste, que os Estados Unidos estão perdidos. Estão sem lance e sem idéias. Ou estão, pelo menos, na geladeira até 2012, ano da eleição presidencial. E, até lá, o governo está dominado, à direita, pelas finanças e, à ultra-direita, pelo Tea Party. Logo, a Casa Branca está esgarçada, prisioneira como um carro nos engarrafamentos das seis da tarde. Embora, no palco americano, ainda haja outro personagem – o Pentágono e os exércitos de aluguel, as empresas de serviços militares – que, atiçando fogo, estão saindo ao mar pela via da super-ultra-direita. O melhor que pode acontecer é chegarmos ao porto com um governo de centro-direita. E por essa raia que Obama pensa triunfar. Imaginem vocês se os Republicanos ganham. Trata-se de um partido com uma combinação potencialmente explosiva, e que entra no alerta da Dilma, de que pode haver “uma grave ruptura política e social”. Daí se pode perceber quão importante e percuciente foi a sua intervenção na ONU, tocando a melodia do sussurro diplomático. Colocou um asterisco na liderança dos Estados Unidos. E legou uma caixa de mapas onde estão ali os caminhos a serem percorridos, a serem examinados, tão luminosos como o copo de leite de Hitchcock em “Notorius”. Foi o que tentamos mostrar na semana passada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;2&lt;/strong&gt;) O lance diplomático da Dilma foi contundente, exibido como uma flor de lírio, porque disse, em todos os subtextos, que o Ocidente está nu, e que tem que haver uma grande sinergia – ela chamou de cooperação – para que a economia mundial possa se resolver. Mas, não apenas a economia, a política também. Dois problemas avultam na face extremamente grave do cotidiano planetário. E é a partir daí que tudo pode começar a ser resolver. Pelo lado econômico, a dívida soberana e o capital financeiro; pelo lado político, a questão da Palestina e do Oriente Médio. O primeiro toca a Obama, pelo emperramento da economia de Tio Sam, e também a Ângela Merkel, em sua resistência a avançar na questão européia, seja em termos de fundo de resgate, seja em termos de ações solidárias. E o segundo, toca aos Estados Unidos, ao Pentágono, a OTAN e a Israel. Na questão européia, está imerso também o “senhor da guerra”, Sarkozy, mas Ângela Merkel é a principal responsável, uma vez que ela guia os alemães que projetaram e projetam uma Europa dos capitais. E uma Europa sem instituições que refreiem os ditos agentes é como uma Europa descoordenada, descerebrada pelos capitais voláteis e instáveis. E Dilma bateu forte e isso vale para todos os dirigentes: há que ter cooperação, há que ter invenção para encontrar as novas instituições multilaterais, nova governança e nova coordenação política.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;3&lt;/strong&gt;) Embora, não se pusesse como a líder dos BRICS, mas como uma dos líderes dos países emergentes, propôs a colaboração dos desenvolvidos e dos emergentes, mas não levou aliviado todos os emergentes. Disse algo para Hu Hintao (e Wen Jiabao). Olha aqui, se tu manténs esse teu câmbio fixo, cara, não vamos ter saída. A guerra cambial vai ficar mais forte e aguda. Os americanos vão enlouquecer. E aí o que é que eles vão fazer? O que já estão fazendo: protecionismo. Vamos ter que nos entender. Sei que estás jogando de mão, mas estás aguçando as contradições, A China já ganhou muito desde 2001 e principalmente, depois da crise. Agora, joga um pouco mais nas concessões. Não encurta demais a corda!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;4&lt;/strong&gt;) E aí logo aparece: Dilma tenta alargar a fonte de decisões, a coisa coletiva da coordenação política, da governança mundial. Dilma não escondeu e mostra os impasses: a fraqueza e a prepotência americana, que quer sempre pôr no colo dos outros o restos a pagar; a teimosia dos jogos de longo prazo do câmbio fixo chinês, a incapacidade dos europeus em tratar da dívida dos países da região.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;5&lt;/strong&gt;) E veja, intrigado leitor, na Europa temos a evidência mais profunda da estratégia destruidora do capital financeiro. Seu domínio sobre o Estado gera uma política dominada pelo financiamento do setor público, prioritariamente por meio da dívida pública, e não através de impostos. O capital financeiro não quer café sem açúcar. O objetivo é a possibilidade da extração máxima de renda do tomador dos empréstimos. E as dividas vão subindo assustadoramente, e assustadoramente se dá a elevação escandalosa dos juros. Assim, ao se esgotarem os recursos do Estado e quando, como agora, os Estados (Grécia, Portugal, por exemplo) estiverem suportando as dívidas de bancos nacionais, não há mais jogo. A dívida sobe de patamar e a própria sociedade não tem mais como financia-los. Todos estão endividados, das famílias à entidade estatal. Mas a roda da fortuna circula, se move, roda, gira e, então, a nação pede auxílio para os órgãos multilaterais, tipo FMI. Se esses não têm condições, a demanda vai para os outros Estados, ou para um pool de organismos e nações. E a espiral segue perigosamente o mesmo caminho. Para efeito do nosso argumento, botamos um fim de linha, uma peça becketiana: na impossibilidade de se encontrarem recursos públicos nacionais e internacionais para a salvação dos Estados, aonde chegamos?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;6&lt;/strong&gt;) Minsky falava numa economia onde o Estado funcionava como emprestador em última instância. Estamos, portanto, aqui e agora, no inverso. Nesta fase do capital financeiro, o Estado, em verdade, não mais opera como emprestador, mas como o tomador de empréstimo em última instância. Passa-se de credor para devedor. Temos assim, numa linguagem dialética, uma inversão lógica. E por isso, por essa inversão, o capital financeiro é um capital autodestruidor. Destrói a si, ao Estado e à sociedade. Como a Grécia. A dívida tem um limite que é a impossibilidade de pagamento. E, nesse ponto, ocorre uma segunda inversão. Na proposição de Schumpeter, uma economia produtiva, nas modificações cíclicas oriundas da crise, promove uma criação destrutiva. Dissolve-se um padrão de acumulação dando origem a outro, com o surgimento de novas tecnologias, altamente lucrativas. Mas quando a hegemonia é financeira, e ela não é desfeita, a dinâmica é substancialmente contrária, dispara um movimento, uma onda devastadoramente autodemolidora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;7&lt;/strong&gt;) Sintetizando: neste capitalismo, onde o Estado é o tomador de empréstimo em última instância, por causa da dívida, o que o move, no limite, é a autodestruição dos capitais. O que leva de arrasto o Estado e a sociedade, e os próprios capitais. Por isso é que só há uma solução, na palavra de Dilma: “a cooperação política”. E, a meu ver, se o combate não for suspenso e a autodestruição desempenhar seu papel de fúria, o desastre será a exaustão da desvalorização de capital ao extremo. O recomeço da economia e da sociedade se fará a partir de um patamar muito baixo. É fundamental antecipar a solução. Ao contrário do movimento cego da destruição, o movimento racional da negociação política. Só ela pode resolver antes do desastre. E é preciso negociar em globo, e país por pais, uma vez que as situações diante da destruição e do futuro são diferentes. Uns terão que cancelar dívidas (como a Grécia); outros terão que aumentar impostos, como os Estados Unidos. E, assim, o ritmo da crise de 2007 chegou à crise fiscal, que vai atingir o coração do Estado. Portanto, está na hora da re-invenção do político. Um Estado não quebra, chegamos ao limite de Hobbes, e todos passarão a ser contra todos. Por isso, trata-se de afastar-se deste limite e tentar uma solução. No fundo, Dilma está falando sobre isso, quando diz que podemos cair numa “grave ruptura política e social”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;8&lt;/strong&gt;) Por que é fundamental a cooperação política? Porque chegamos, nesta época do capital financeiro e da mundialização, a uma situação paradoxal. Os capitais têm um espaço de atuação mundial, mas os Estados, um espaço nacional. E a única forma de domar as finanças e as multinacionais é uma solução concertada entre os Estados, uma governança mundial. Só que esta não está construída; precisa, ao menos, um momento de união para desnucar o poder quase insuperável do financeiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;9&lt;/strong&gt;) Mas os homens e os países serão tão sensatos como Dilma propõe?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;10&lt;/strong&gt;) Olhe-se o outro lado da questão, a faceta geopolítica. Dilma aí, também avançou com fluência de linguagem, lamentando não ver o pleno direito da Palestina de ser membro da ONU. E por esse lado, estamos observando o lance denunciador de Abbas: Nem Israel nem os Estados Unidos querem solução. A direita israelense avança para ampliar a situação estratégica, para aumentar a apropriação de terras, para a construção imobiliária nas áreas palestinas. E mesmo divididos, os palestinos deram uma resposta altiva e, novamente, mundializando o conflito. E o Brasil, e Dilma, agiram com a alerta fundamental: até para Israel a solução palestina traria paz e desenvolvimento. Mas, quer a direita sionista esta solução?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;11&lt;/strong&gt;) O Brasil tornou o discurso de Obama um discurso pobre, melancólico, triste, submisso às forças internas americanas, sobretudo ao lobby sionista, e portanto, governado pela direita israelense. O ponto fundamental do discurso foi dizer que o rei está nu. Mas, também, diz algo muito forte: a urgência da situação requer soluções coletivas e imediatas. E não postergações. Só que Obama e os Estados Unidos não podem e não estão em condições de saltarem para a organização do mundo. Os Estados Unidos estão rasgados ao meio com esta crise econômica e, agora, numa crise política de solução inencontrável em 2011.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;12&lt;/strong&gt;) E, então, como é que fica a coisa? A política é, antes de mais nada, conflito, combate, disputa e, no limite, quando a rosa se torna despetalada, o homem lobo do homem. Só que o contrato social (leiam o belo artigo de José Luís Fiori na Carta Maior) não tem funcionado; ao menos na Europa, ele está se desfazendo. Como nos diz Zé Luís, as utopias se foram. Não há como não olhar no olho da fera. Há que reinventar a política, sem que aumente as rixas, as destruições e os desastres sociais. A besta fera do final do século está solta. Só que as pessoas ainda não acreditam. E Dilma falou disso, de modo suave, com palavras-guia, palavras-rumo. Trouxe antigas e velhas e verdadeiras palavras, como democracia, justiça, direitos humanos e liberdade. Ora, isso supõe que Aristóteles tenha razão: o homem é um animal racional. Mas, é como dizia o meu amigo Costa: “sim, sim, animal racional. Racional quer dizer capaz de soluções. Mas, então, Enéas, de onde vem a estupidez? Ah! Do animal. Do lado animal do animal racional.”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;É, ponto para o meu amigo Costa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;13&lt;/strong&gt;) Aconteça o que acontecer, Dilma pôs os termos da equação, mostrando, inclusive, como, nas condições miseráveis do mundo, a mulher, sob a forma de mães, tem sido o elemento central das políticas de distribuição de renda. Ela apontou para várias novidades do mundo de hoje: a ascensão dos emergentes, inclusive do Brasil, a presença fantástica das mulheres, a disposição de várias forças para a criação de novos horizontes. Não sei se é um discurso otimista. Mas usa o otimismo para demarcar a zona de horizonte onde se pode dar a solução pacífica e ordenada da crise mundial. Ou seja, quando o poder chega a um grau de deterioração, e o caminho da força passa a ser um pensamento para a decisão irracional, há que se deter um momento para a construção de acordos. Dilma disse serenamente isso. Logo, quando passam pela cabeça dos dirigentes políticos essas coisas dementes do tipo “bombardeio humanitário”, a gente percebe que o bumbo do tambor das contendas está ali, novamente intacto, um fósforo pode ser o relâmpago. E o que Dilma fez, em nome de um país sem poder de organizar o mundo, foi dizer: “olha, turma, ou nós tratamos de pensar soluções coletivas, ou a ruptura está aí”. A energia das transformações pode ficar sem do controle. E a fera solta do século XX já está esfomeada, goela aberta, como Saturno, para comer os seus filhos. Goya está mais vivo do que nunca no anúncio desses tempos. Dilma, como estadista, vai contra o limite, e diz a palavra firme do Brasil, modesto na sua possibilidade de resolver situações, palavra que corta e pontua uma situação. E como estamos dormindo com o inimigo, como o apocalipse está sentado no nosso colo, a pergunta que orienta a organização do mundo é esta: pode-se regular o capital financeiro? Não há como torná-lo de destrutivo, criativo? Ou o seu caminho de autodestruição é inevitável?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Fazer perguntas – e boas perguntas – como sempre fala o meu amigo Pedro Almeida, são os sapatos da estrada das respostas. E esta alma dos horizontes e das florestas, dos computadores e dos skypes, foi o grande lance diplomático de Dilma. Afirmar questionando – o único caminho possível para o Brasil. E direto no ponto. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-2685311840206980889?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/2685311840206980889/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=2685311840206980889' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/2685311840206980889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/2685311840206980889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/09/crise-financeira-mundial-28-de-setembro.html' title=''/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-5754133861932366112</id><published>2011-09-28T09:35:00.000-03:00</published><updated>2011-09-28T09:35:09.561-03:00</updated><title type='text'>DEBATES FEE: A América Latina e o Pós Neoliberalismo - Seminário internacional</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Imperdível o seminário internacional que vai acontecer na FEE na próxima semana. Grande evento, excelente programação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-DpVWKGtTp7w/ToMUZVSCk-I/AAAAAAAAAPk/W_Bx3Wv-WLI/s1600/Cartaz-FEE-eventoAL.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="400" width="285" src="http://1.bp.blogspot.com/-DpVWKGtTp7w/ToMUZVSCk-I/AAAAAAAAAPk/W_Bx3Wv-WLI/s400/Cartaz-FEE-eventoAL.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-5754133861932366112?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/5754133861932366112/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=5754133861932366112' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/5754133861932366112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/5754133861932366112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/09/debates-fee-america-latina-e-o-pos.html' title='DEBATES FEE: A América Latina e o Pós Neoliberalismo - Seminário internacional'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-DpVWKGtTp7w/ToMUZVSCk-I/AAAAAAAAAPk/W_Bx3Wv-WLI/s72-c/Cartaz-FEE-eventoAL.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-1569964507192565828</id><published>2011-09-22T05:25:00.003-03:00</published><updated>2011-09-22T16:25:05.970-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;CRISE FINANCEIRA MUNDIAL&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;21 de setembro de 2011&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;Coluna das quintas&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;DILMA. &lt;/span&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;A ONU &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;E O CAPITAL FINANCEIRO&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Por Enéas de Souza&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;1&lt;/strong&gt;) Dilma subiu para a tribuna da Assembléia Geral da ONU na dinâmica de algumas modificações históricas da sociedade contemporânea. Do ponto de vista social, está escudada na ascensão da mulher no século XX; do ponto de vista econômico, ela fala da crise com a credencial de quem vem de um país que tem o crescimento dos emergentes; do ponto de vista político, ela se manifesta no momento de uma crise de governança e de coordenação política na mundialização, propondo democracia, justiça, direitos humanos e liberdade. E como estadista – essa foi a sua estréia – ela diz nitidamente: não faltam recursos financeiros, o que faltam são recursos políticos e até, às vezes, clareza de idéias. Na verdade, sua proposta tem como objetivo uma dupla flor: a coesão política e a coordenação macroeconômica.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;2&lt;/strong&gt;) Quando Dilma olha o panorama do presente, ela sente que a falta de coordenação política está girando em torno da flutuação que passam os Estados Unidos. Não é ela quem diz, sou eu. Mas não tenho dúvidas que ela percebe, senão o tombo americano, ao menos, o deslocamento que o país sofreu com a crise econômica e com o cerco e a prisão de Obama pelas finanças e pelo Tea Party. Isto quer dizer que há uma pane na liderança do mais poderoso país do mundo. E é por isso que Dilma sugere que haja uma intensificação dos esforços de coordenação entre as nações integrantes da ONU e as demais instituições multilaterais, tais como o G-20, o FMI, o Banco Mundial, etc., para superar, pelo menos até as eleições de 2012, este vácuo de poder. Conclama que o rumo da solução política se acorde com uma visão econômica, com rapidez e através de soluções coletivas e imediatas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;3&lt;/strong&gt;) Dilma não tem dúvidas que a política tem que conduzir a uma ação econômica geral, de tal modo e com tal vigor que os países desenvolvam ajustes e estímulos fiscais, duas operações que se encaminham no sentido da recuperação econômica e do processo de desenvolvimento. O resultado efetivo dessas operações carrega uma estratégia vigorosa, que traz, ao cenário da economia, um providencial aumento da demanda e um retorno do crescimento. Pois o desafio está visível, está candente, abusivamente doloroso, são 205 milhões de desempregados no mundo. Portanto, um Brasil marginalizado na expectativa de amparo estatal e de uma política econômica que dê soluções. Dilma sabe bem quem é o inimigo: é o sistema financeiro, desregulado, solto, e que se aproveita de políticas monetárias excessivamente expansionistas, caso dos Estados Unidos, para navegar no mar da especulação. Logo, o remédio é claro: regulamentar o setor. E com uma manobra insinuante, cujo toque se projeta na reforma das instituições financeiras multilaterais. Naturalmente, a idéia de regrar o sistema se acompanha de uma segunda, a desvinculação do poder das finanças dos seus instrumentos de coerção, que são esses organismos internacionais. Daí fica claro a prioridade da economia mundial para Dilma: a crise da dívida soberana de alguns países e a reversão do presente quadro recessivo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;4&lt;/strong&gt;) Obviamente, as finanças não devem estar de acordo. Pois elas trabalham num padrão de acumulação que, embora esteja se desmanchando, permite alucinados vôos especulativos. O que instabiliza mais ainda, como diria o Minsky, uma economia já instável. E elas radicalizam um processo coercitivo de redução da política econômica de vários Estados. Ficam apenas com as políticas monetária, cambial, financeira e fiscal, que são as que lhe interessam. Claro, elas recusarão a proposta da Dilma. Só que a carta que a presidente está pondo na mesa de jogo não é uma carta apenas econômica, tem conteúdo político. No vácuo da desintegração do eixo unipolar dos Estados Unidos, ela está insistindo numa multipolaridade coletiva. E essa pressão política incrementada pelo Brasil – colocando um fogo da urgência, já que a crise não espera – se concretiza na idéia de ajuda dos emergentes, dos BRICS, em verdade. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;5&lt;/strong&gt;) E nisso – aí, é uma opinião minha – não vai se estabelecer uma multipolaridade, mas sim uma bipolaridade, USA/China, que a Dilma nem toca. E em torno dessa, uma pluralidade de nações ficará oscilando entre essas duas. Nesse sentido, jogando a idéia de universalidade da contribuição de todos os países e da transformação do cenário e da organização política de instituições multilaterais gerida pelas finanças e pelos Estados Unidos, o que Dilma está propondo é a metamorfose do quadro geral. Com isso, em primeiro lugar, deseja avançar pelos trilhos da atual inércia e paralisia americana. (Pode-se incluir, neste balaio, o imbróglio político europeu). Em segundo lugar, tenta retomar a questão mundial pelo lado dos Estados, desnucando o espaço privado do jogo das finanças. Em terceiro lugar, e por conseqüência, busca reforçar a política nas definições das soluções econômicas, ou seja, os ajustes e os estímulos fiscais consolidarão os Estados no enquadramento das finanças. E, em quarto lugar, projeta um pontapé inicial por meio da boa situação dos emergentes. “Podemos e queremos”. Só que é preciso que a China compreenda que a teimosia excessiva do câmbio fixo pode causar danos e problemas ao itinerário da solução da crise. Então, a gente consegue entender porque contra a guerra cambial e o protecionismo, Dilma queira o câmbio flutuante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;6&lt;/strong&gt;) Todavia, a Dilma não deixa de perceber que a crise tem força, que vem, pelo menos, para descarregar o desemprego sobre os trabalhadores e a dívida sobre os Estados. E claro, ameaça, como um vento danado, derrubar os alicerces dos países. Por essa razão, Dilma propõe uma política que misture cortes e controle dos gastos públicos com superávits gigantescos; dispêndios estatais com gastos privados; investimento e consumo com uma política econômica de fortalecimento do mercado interno. E Dilma não está apenas procurando resistir à crise; visa também ir adiante, e distribuir renda e fazer inovações tecnológicas. Trata-se de uma estratégia de se preparar para o surgimento de um novo padrão de acumulação. O que vejo é a busca de uma nova articulação. Estado, capitais, trabalhadores e novas tecnologias. E com isso, aumentar o que Keynes chamava da eficiência marginal do capital, ou seja, fazer subir a lucratividade esperada dos novos investimentos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;7&lt;/strong&gt;) E, diante da paralisia americana, Dilma sobe à tribuna para reivindicar, igualmente, uma mudança política na ONU e no coração poderoso dessa instituição, o Conselho de Segurança. O mundo é outro e o Conselho, no entanto, é ainda um Conselho do imediato pós-guerra, um Conselho vigente na Guerra Fria, um Conselho que não se alterou. Dilma, no fundo, propõe e reitera, como outras nações, a sua reforma. No curso desse itinerário, inscreve uma proposição de política internacional: guiar-se pelo desenvolvimento, pela paz e pela segurança. Isso porque, alerta, está na hora de encarar no olho esta crise econômica, uma inflamação que pode transformar-se numa labareda e num incêndio demolidor. Se tal ocorrer, terríveis desabamentos políticos e sociais afetarão intensamente homens e mulheres e múltiplos países. Não se pode evitar: todos têm o direito de participar das soluções. Trata-se de uma constatação e de um chamamento, inclusive em termos de valores. E o Brasil postula, como valores decisivos, os da democracia, da justiça, dos direitos humanos e da liberdade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;8&lt;/strong&gt;) Está muito claro, resumindo, que a visão da presidente Dilma passa pela decomposição momentânea dos Estados Unidos e da Europa; pelo crescimento dos BRICs; pela necessidade de reposicionar as finanças na organização da economia; pela alteração da postura dos Estados diante do sistema financeiro; pela reformulação da dependência dos Estados em relação às finanças, sobretudo no ponto principal: a dívida; pela reformulação fiscal do Estado, equacionando uma política de recuperação da demanda e do crescimento; e pela reorganização da ONU e das instituições para-estatais. Contudo, a proposta mais vigorosa está no escapamento do Estado do setor financeiro para permitir que haja uma nova ordem da economia mundial, organizada por uma articulação de países ricos com países pobres, através de políticas coordenadas de estímulos, com a finalidade de diminuir as desigualdades. Claro que, aqui, vem a famosa pergunta do Garrincha: já combinaram com o adversário? Só que, em política, o jogo se faz pelo embate de idéias e de forças, E o que Dilma está construindo é a colocação de um outro e diferente ângulo para desenhar o conjunto da combinação política e economia, visando traçar uma linha para uma outra época.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;(O discurso da Dilma foi trabalhado numa dimensão que conteve uma pluralidade de pontos. Uns dialogando com outros, esses fazendo distinção daqueles, e muitos contrastando com diversos, e assim por diante. A clareza do texto não ocultou a múltipla tonalidade da emoção. Contudo, o meu comentário fixou-se nos contornos da crise, demorando-se nas chamas e na luminosidade que atravessaram, direta ou indiretamente, os temas da ONU e do capital financeiro).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-1569964507192565828?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/1569964507192565828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=1569964507192565828' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/1569964507192565828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/1569964507192565828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/09/crise-financeira-mundial-21-de-setembro.html' title=''/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-8026527790750997141</id><published>2011-09-15T05:27:00.001-03:00</published><updated>2011-09-16T15:40:05.685-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;CRISE FINANCEIRA MUNDIAL&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;15 de setembro de 2011&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;Coluna das quintas&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;O TEATRO POLÍTICO &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;DE BARACK OBAMA&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Por Enéas de Souza&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;O CERCO DE OBAMA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Ontem falava com um amigo: Obama está mais para Carter do que para Clinton, Isto quer dizer que está perigando o seu segundo mandato. Como um principiante, cometeu tantos erros desde que chegou ao poder. Dois deles são exemplares. Logo nos primeiros momentos de sua posse, fez um segundo pacote de salvamento dos bancos (o primeiro foi no governo do Bush Jr) e não exigiu quase nada em troca. E depois de ter os banqueiros na mão, deixou de obter no Congresso uma regulamentação financeira forte. Foi derrotado por um lobby dos financistas, de modo absolutamente extraordinário. Obama viu quem é que de fato tem a hegemonia e quem tem o poder. Logo de saída já se tinha observado,ele estava cercado por todos os lados. Era gente das finanças, ou ligado a elas, desde o seu secretário do Tesouro até o conselheiro econômico da Casa Branca. Portanto, o primeiro erro foi não ter posto o sistema financeiro no seu lugar. E com isso, respeitou a ordem neoliberal, ele que era um liberal nato. E tal ordem contém tem um ponto muito severo: a retirada do Estado do controle da economia – o que significa manter à solta a desregulamentação das finanças. Primeira derrota de Obama.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;A PRISÃO DE OBAMA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O segundo erro exemplar começou quando não conseguiu manter o controle do Congresso, sobretudo pela sua atuação tíbia em relação aos financistas, pela inexistente ação do Estado na reativação da economia produtiva - o que os economistas americanos chamam de estímulos fiscais - e que culminou na aceitação de uma taxa de desemprego muito alta, taxa que ainda não baixou de 9%. Enfim, Obama ficou enredado na ideologia e no poder neoliberal. Porém, a primeira perda do controle do Congresso, que já era dramático na questão das finanças, levou-o a uma segunda derrota. Se Obama estava cercado nos primeiros momentos de seu mandato – um cerco econômico - agora ele não está mais cercado, ele está prisioneiro. E sua prisão se deve a uma derrota política de grande efeito, foi batido pela direita extrema, pelo grupo do “Tea Party”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Só que de uma forma quase humilhante. O Congresso, atiçado pelo referido Tea Party, impôs dois limites contundentes. De um lado, avocou a si o controle estrito do limite do endividamento do Estado, e de outro, através de uma comissão paritária assumiu o poder de definir quais os gastos que o Estado deve cortar. Assim Obama perdeu o controle da dívida e da despesa pública, Ora, a prisão de Obama se deu, na verdade, por uma quase paralisia do Estado. O domínio da dívida impede que ele possa pensar em fazer programas de investimento público e que venha a criar empregos. Já a perda do manejo do gasto detém ações que possam dar mínimos movimentos na flexibilização do dispêndio público, uma liberdade que lhe poderia trazer benefícios sociais de algum valor e lhe proporcionar uma queda menor de seu prestígio político. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;(Então, veja o leitor a camisa de força que Obama está metido. Pelo lado econômico, amarrado pelos financistas; pelo lado, político pela extrema direita. Seu projeto é tentar a saída pelo centro, pelo centro direita, o que vai lhe trazer o possível afastamento do centro-esquerda e da própria esquerda.)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;O CONTRA-ATAQUE DO EMPREGO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Obama não se deu por vencido. Cercado e prisioneiro, procura resistir, tentando “vender” a sociedade americana, que a sua derrota política foi uma traição nacional dos republicanos. E se esses não são traidores, eles devem aprovar o plano do governo de gastar 440 bilhões de dólares na criação de novos empregos. Ora, a oposição já acusa Obama de usar este plano como um plano eleitoral. Mas, é claro que é eleitoral. Numa disputa política democrática, há muito pouca coisa, se é que existe, que não seja eleitoral. O contra-ataque de Obama tenta desesperadamente reconquistar a posição que tinha antes da sua eleição. Um estadista capaz de aglutinar as figuras de Lincoln, de Roosevelt e de Kennedy. Estamos longe disso, Obama, apesar de sua simpatia, foi um desastre neste primeiro mandato.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;O RETORNO DA DIREITA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Um dos temores maiores dos democratas do Ocidente é que Obama não seja re-eleito. Para entender estes temores, devemos pensar alguns pontos. Vou simplificar. Em primeiro lugar, os Estados Unidos são divididos antropológica e politicamente entre os liberais e os totalitários, estes que por baixo da defesa da liberdade jogam a carta da guerra. Essa foi uma idéia que pude constatar num filme do americano George Cukor chamado “O fogo sagrado” (Keeper the flame), filme de 1942, em plena guerra contra o nazismo. Cukor não se enganou. Basta ver Bush e seu combatente Dick Cheney, o defensor das torturas, promulgavam democracia e livre comércio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;E de outro lado, um ex- embaixador brasileiro, dizia outro dia que a alma americana era dividida em duas partes: uma parte de nacionalismo guerreiro e outra de religiosidade fundamentalista. Então, leitor arguto, faça uma mistura dessa química explosiva, e teremos uma eleição extremamente intensa, com muita dinamite na mesa. E não é a troco de nada, que se fala muito hoje no retorno do orgulho americano, não aquele que Obama trouxe com “Yes, we can”, que era um orgulho liberal. O que pode vir, vem do velho oeste para emplacar a próxima eleição, trata-se do orgulho da força, do povo eleito, do povo com missão histórica. Seguramente, a direita bélica vai ter um ponto a batalhar nesta eleição, porque ela tem um projeto: a reorganização geopolítica do mundo do ponto de vista militar. E para tal pode fazer novamente aliança com o sistema financeiro, como ocorreu nos tempos da guerra do Afeganistão e do Iraque . Pode até ser um pacto tácito, um pacto de confluência dos seus interesses próprios associados numa luta pela retomada do que chamei uma vez de “neoliberalismo de guerra”. Só que num novo patamar. Invertendo a frase de Marx, poderia dizer que a história, que nesse caso se fez como farsa, se faria agora como tragédia - se isso acontecesse.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;O RECURSO DO ESTADISTA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Há um episódio dramático nesse momento. Veja-se o quadro. Vamos somar e combinar: 1) a recusa das nações européias de um projeto político constituindo os Estados Unidos da Europa; 2) a falta de um Tesouro Europeu para resolver os problemas fiscais e monetários da região; 3) a presença de um Banco Central muito limitado para a amplitude da crise; 4) a crise vigorosa de diversos Estados (Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha, Itália); 5) a incompetente direção da França e da Alemanha na condução do processo político e econômico do continente; 6) a continuada e persistente batalha das finanças e das agências de ratings aos Estados e aos bancos europeus.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O que é que dá este torpedo? Este conjunto faz da Europa a bola da vez. Ou como se diz noutra linguagem, o elo mais fraco da geopolítica e geoeconomia mundial. Neste sentido, pode existir aí um momento Obama. De um lado ele diz que a Europa é “a preocupação mais imediata” e de outro envia Geithner para discutir na reunião dos ministros da Fazenda europeus, nesta sexta-feira na Polônia, uma tentativa de tratar de um plano de reativação da economia mundial. Junto com essa preocupação esta outra mais americana e mais fácil: evitar um risco de contágio dos Estados Unidos. Por isso a tentativa é válida: trazer de fora um apoio para resolver a incapacidade da Europa de solucionar a sua própria questão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Mas, este é também um projeto desesperado de Obama para assumir a ponta das questões candentes na posição de estadista. Só que para realizar um caminho deste porte, as dificuldades dele são grandes. A paralisia do Estado americano e o aprisionamente do seu presidente, como já foi dito noutra parte do artigo, revelam possibilidades muito limitadas da ação dos Estados Unidos, cuja melhor contribuição ainda é a liquidez que o FED proporciona aos bancos e aos Estados da Europa, à beira da iliquidez e da insolvência..Mas de outro lado, se Obama conseguir evitar o contágio dos Estados Unidos já será um grande êxito. Portanto, tudo depende de política, de negociação, de imaginação e de mídia. É um caminho muito estreito, se não inexistente, mas ele precisa tentar. Tudo será bem vindo se evitar que a farsa do neoliberalismo termine em tragédia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-8026527790750997141?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/8026527790750997141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=8026527790750997141' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/8026527790750997141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/8026527790750997141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/09/crise-financeira-mundial-15-de-setembro.html' title=''/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-7666933523963154787</id><published>2011-09-09T10:39:00.000-03:00</published><updated>2011-09-09T10:39:56.655-03:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Entrevista com François Chesnais, FSP, 15/08</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana, helvetica, sans-serif; font-size: 14px; line-height: 18px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div id="articleDate" style="color: #cc3300; font: normal normal bold 10px/normal verdana, helvetica, sans-serif; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 20px; text-align: justify;"&gt;5/08/2011&amp;nbsp;-&amp;nbsp;05h30&lt;/div&gt;&lt;h1 style="font: normal normal bold 27px/32px tahoma, helvetica, sans-serif; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;Crise financeira mostra regime em beco sem saída, diz Chesnais&lt;/h1&gt;&lt;div id="ad-180x150-1" style="float: right; height: 165px; margin-bottom: 15px; margin-left: 15px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; width: 180px;"&gt;&lt;div class="adLabel" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; font: normal normal normal 10px/normal arial, helvetica, sans-serif; padding-bottom: 1px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 1px; text-align: justify; text-transform: uppercase; width: 180px;"&gt;PUBLICIDADE&lt;/div&gt;&lt;div id="DEBtDivExp2" style="height: 150px; position: relative; width: 180px; z-index: 1000;"&gt;&lt;div id="DEBtDivExp1" style="clip: rect(0px 270px 150px 90px); height: 225px; left: -90px; position: absolute; text-align: justify; top: 0px; width: 270px; z-index: 1000;"&gt;&lt;object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=9,0,0,0" height="225" width="270"&gt;&lt;embed src="http://bn.imguol.com/1109/coelho/folha/02/Coelho_fonseca_180x150_expan_setbrooklin_mundo.swf" flashvars="clicktag=http%3A//bn.uol.com.br/event.ng/Type%3Dclick%26FlightID%3D149498%26AdID%3D357277%26C%3D0%26TargetID%3D597%26ASeg%3D%26AMod%3D%26AOpt%3D0%26Segments%3D15%2C138%2C244%2C385%2C417%2C440%2C500%2C523%2C544%2C566%2C866%2C882%2C1159%2C1959%2C2254%2C2409%2C2412%2C2414%2C2871%2C3172%2C3680%2C4415%2C4780%2C4986%2C6149%2C6591%2C6761%2C6844%2C6891%2C6936%2C6945%2C7472%2C8197%2C8198%2C9185%2C12420%2C14005%2C14014%2C14037%2C14195%2C14403%2C14413%2C14925%2C14934%2C15449%2C15518%2C15526%2C15532%2C15656%2C15657%26Targets%3D4%2C456%2C482%2C597%2C883%2C2481%2C4361%2C7708%2C8341%2C8690%2C12110%2C17630%2C22140%2C23097%26Values%3D51%2C60%2C85%2C100%2C150%2C200%2C209%2C211%2C349%2C364%2C379%2C382%2C390%2C407%2C484%2C719%2C958%2C998%2C1039%2C11585%2C12349%2C12370%2C12404%2C12591%2C14716%2C14724%2C14779%2C15612%26RawValues%3D%26Redirect%3Dhttp%3A//mfa.clhdfnsc.predicta.net/mrm-ad/ad/url/%3F%3Bc%3D1223%3Bsc%3D120%3Bp%3D20%3Bb%3D43684%3B" quality="high" allowscriptaccess="always" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" type="application/x-shockwave-flash" width="270" height="225" wmode="transparent"&gt;&lt;/object&gt;&lt;iframe frameborder="0" height="0" id="DEprvwIfrm" marginheight="0" marginwidth="0" scrolling="no" src="http://mfa.clhdfnsc.predicta.net/mrm-ad/ad/pc/?;c=1223;sc=120;p=20;b=43684;" width="0"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="articleBy" style="font: normal normal normal 12px/normal Verdana, Helvetica, sans-serif; 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O modelo de crescimento baseado em endividamento, seguido nos países ricos, está num beco sem saída. E o calcado em exportações de insumos --como o do Brasil-- pode não funcionar por muito tempo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A análise é do economista marxista francês François Chesnais, 77, professor emérito da Universidade de Paris 13 e autor de "A Mundialização do Capital" (1996) e organizador de "A Finança Mundializada" (2005).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para ele, os protestos em Londres, no Chile e no Oriente Médio são expressão "de uma doença mundial criada pelo caminho tomado pelo neoliberalismo e pela dominação das finanças". Numa época de valorização do consumismo, são "reações ao extraordinário abismo social", afirma.&lt;/div&gt;&lt;table class="fe300" style="-webkit-border-horizontal-spacing: 0px; -webkit-border-vertical-spacing: 0px; border-collapse: collapse; float: left; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; margin-right: 20px; margin-top: 0px; text-align: justify; width: 300px;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="fo1c" style="font: normal normal normal 10px/normal arial, helvetica, sans-serif; line-height: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: right;"&gt;Juca Varella-25.mai.04/Folhapress&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;img alt="O economista e professor da Universidade Paris 8 François Chesnais é especialista em globalização de mercados" border="0" src="http://f.i.uol.com.br/folha/mundo/images/11227104.jpeg" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: #cccccc; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; border-bottom-style: none; border-color: initial; border-left-style: none; border-right-style: none; border-top-style: none; border-width: initial; display: block; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;" /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="fo1l" style="border-bottom-color: rgb(0, 51, 102); border-bottom-style: solid; border-bottom-width: 3px; border-left-color: rgb(0, 51, 102); border-right-color: rgb(0, 51, 102); border-top-color: rgb(0, 51, 102); font: normal normal normal 11px/normal arial, helvetica, sans-serif; line-height: 16px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;O economista e professor da Universidade Paris 13 François Chesnais é especialista em globalização de mercados&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Folha - Qual a natureza da crise atual?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;François Chesnais&lt;/b&gt;&amp;nbsp;- O momento atual é um novo episódio na crise mundial. Ela começou há cinco anos, teve seu ponto mais crítico em setembro de 2008, com a quebra do Lehmann Brothers, e não tem um final à vista. Foi prenunciada pela crise asiática (1997-1998) e, no campo das finanças, pela quase quebra do Long Term Capital Management, no início da crise financeira russa. Eventos-chave nos anos 2000 e 2001 lançaram as bases para a eclosão da crise: o crash da Nasdaq, a resposta norte-americana ao 11 de Setembro, as guerras no Iraque e no Afeganistão, muito custosas política e financeiramente, e a entrada da China na Organização Mundial do Comércio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Quais são as causas?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O funcionamento da economia mundial desde o início dos anos 2000 se baseou em dois pilares: o regime de crescimento guiado pela dívida, adotado pelos EUA e pela Europa, e o regime de crescimento orientado por exportações globais, no qual a China é a principal base industrial, e o Brasil, a Argentina e a Indonésia são os provedores-chave de recursos naturais. A crise representa o beco sem saída, o impasse absoluto do regime guiado pela dívida. O segundo pilar está levemente melhor, mas o crescimento baseado em exportações globais não poderá funcionar por muito tempo sem uma forte demanda externa, especialmente dos EUA e da União Europeia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Por que há tensão nos mercados?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os investidores financeiros estão extremamente preocupados. Há a perspectiva de um segundo mergulho da economia dos EUA, uma crise em forma de "W" nas economias avançadas. Outro risco é a vulnerabilidade do sistema bancário europeu, na zona do euro e também no Reino Unido. Há também o perigo de que o lento crescimento faça com que empréstimos públicos e privados sejam cada vez mais difíceis de serem recuperados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Qual a situação na Europa?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na União Europeia, desde abril de 2010, tem havido um contínuo fluxo de dinheiro público para alguns governos e para os bancos. Isso tem sido acoplado a políticas de austeridade muito drásticas em alguns países, que os arrastou à recessão (-4% na Grécia). Com isso, fica impossível o repagamento da dívida soberana. Provoca a quebra de empresas, além de levar os sistemas bancários na Grécia, na Itália e na Espanha para uma cada vez maior proximidade do colapso. Isso ameaça bancos nos países do coração da zona do euro, especialmente na França.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A situação dos bancos é preocupante?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os eventos nas Bolsas estão sendo subordinados a situações bancárias críticas. Em 2008, a ameaça às finanças globais veio dos bancos de investimento dos EUA e das grandes seguradoras. O próximo episódio financeiro maior acontecerá quando um segmento do sistema bancário da Europa entrar em colapso na Grécia, Espanha ou Itália. A atual turbulência nas Bolsas é a expressão do pânico do investidor, que tenta antecipar esse tipo de evento. Seu principal efeito é contribuir para a efetiva ocorrência de um desastre em algum lugar. Isso afeta o comportamento do consumidor de renda mais alta e desencoraja investimentos da classe média.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Nos seus livros, o sr. descreve os detalhes do avanço das finanças. Como avalia o atual momento na história do capitalismo?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É possível traçar paralelos com o passado. Mas em nenhum período anterior foram tão elevados a quantidade de ações e títulos, os ganhos dos rentistas e nem foi tão grande a quantidade em circulação do que eu chamo de "capital monetário elevado à enézima potência". Nunca os lucros financeiros foram tão altos em comparação com a atividade produtiva. Há as consequências da globalização neoliberal contemporânea. Nunca as finanças foram tão desreguladas. Nunca a capacidade dos governos de recuperar o controle sobre as finanças foi tão fraca. A extrema fraqueza da liderança política é uma consequência direta disso. Mas há uma nova dimensão da história do capitalismo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Qual é?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa nova dimensão é a crise ambiental, começando com as mudanças climáticas, que se desenvolve em paralelo à ascensão das finanças e de sua crise. Por isso, entramos nas piores condições possíveis numa era em que a civilização --como a concebemos, no Ocidente e no Oriente-- está patinando. Nossa era é uma em que as enormes e concentradas forças econômicas estão sendo chamadas a agir em tempos de crise, o que Naomi Klein chama de "a doutrina do choque": setores poderosos da sociedade não apenas protegem eles mesmos, mas usam catástrofes para ampliar sua dominação. A forma como o furacão Katrina foi tratado em Nova Orleans mostra que isso vale para grandes eventos ambientais. Alguma coisa muito perturbadora ocorreu silenciosamente na França e, imagino, em outros lugares: a "luta contra a mudança climática" foi substituída pela "adaptação à mudança climática".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Os governos deveriam jogar mais dinheiro nos mercados financeiros?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As políticas fiscais anunciadas ou já decretadas são fortemente pró-cíclicas. Elas acentuam o beco sem saída do regime de crescimento e a incapacidade que a elite dirigente tem de imaginar qualquer outra maneira de reger a economia. Não haverá fim para a crise mundial enquanto os bancos e os investidores financeiros estiverem no comando, fazendo políticas totalmente dirigidas pelos interesses dos rentistas e dando respostas à crise dominadas por tentativas de dar sobrevida ao regime guiado pela dívida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O que precisaria ser feito para a retomada da crescimento?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos EUA e na Europa a recuperação requer o reestabelecimento do poder de compra das classes baixas e médias, a recriação e expansão da capacidade dos Estados de fazer os investimentos sociais e ambientais necessários e o estabelecimento de um sistema monetário internacional estável, não subordinado ao capital financeiro. As condições para isso vão incluir o cancelamento de boa parte da dívida soberana, assim como de boa parte da dívida doméstica; o reestabelecimento de uma taxação correta para a renda das finanças e do capital (um retorno aos níveis de 1970 seria um começo); o reestabelecimento de um verdadeiro controle público do sistema de crédito; um controle restrito dos fluxos de capital e uma luta efetiva contra os paraísos fiscais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Qual sua visão sobre o poder das agências de classificação de risco?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O poder das agências de classificação de risco apenas espelha o quanto os governos foram colocados nas mãos das finanças. Mostra a extensão da abdicação do poder dos governos, que mudaram as finanças públicas de uma forma baseada em impostos para uma baseada em dívida. Meu livro mais recente, "Les Dettes Illégitimes, Comment les banques ont fait main basse sur les politiques publiques" (2011) [As dívidas ilegítimas, como os bancos fizeram para manipular as políticas públicas, em tradução livre], enfatiza que, em 1980, a dívida pública da França era de 5% do PIB. Mostro que o crescimento é consequência da diminuição dos impostos para os de renda alta, os ricos em patrimônio e lucros, e dos gastos em programas públicos de financiamento custosos, que se tornaram elefantes brancos, como o Rafale que nenhum país comprou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;E o que ocorre agora?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As agências de risco estão pressionando a elite política francesa para aprofundar as políticas de austeridade. Isso no contexto de uma situação de quase recessão --0% de crescimento e desemprego acima de 9%. A recessão mundial de 2008-2009 mostrou a fraqueza da indústria francesa e os efeitos desastrosos do jogo no mercado da União Europeia. O que é necessário é uma política industrial e tecnológica comum, um sistema de intervenção comum. É possível que, nos próximos meses, ocorra na França uma reação popular contra os próximos cortes de orçamento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;As revoltas no Norte da África e no Oriente Médio, o movimento dos "indignados" na Espanha e agora os protestos em Londres têm alguma ligação?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu adicionaria à lista as enormes marchas em Tel Aviv, com 200 mil pessoas, e em outras cidades contra a alta nos preços dos alimentos e o desemprego. E também esse extraordinário movimento dos estudantes no Chile. Cada um desses movimentos precisa ser analisado com cuidado. São obviamente expressão de uma doença mundial criada pelo caminho tomado pelo neoliberalismo e pela dominação das finanças.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O que os movimentos têm em comum?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eles têm em comum o fato de terem sido estimulados pela juventude. Em muitos casos são liderados por jovens líderes que estão emergindo do movimento. São todos reações ao extraordinário abismo social num tempo em que o consumismo é projetado mundialmente pela tecnologia contemporânea e pelas estratégias de mídia. Cada um tem suas idiossincrasias nacionais e suas trajetórias políticas. Em cada caso há uma diferente mistura de um componente fundamental democrático, com conteúdo anticapitalista. Reagem ao fato de a eles ter sido negada a posse de bens que outros da sua mesma geração possuem no seu cotidiano. A crescente percepção da corrupção politico-financeira atiça a indignação e, no caso dos jovens mais pobres, os faz usar os únicos métodos que têm à disposição.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Como os partidos conservadores, social-democratas e a esquerda estão reagindo a essa situação?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para os partidos conservadores, é sempre sobre "lei e ordem". Os social-democratas estão em profunda confusão. As forças da esquerda têm sido fortemente puxadas para o jogo institucional. Tomara que a duração, a severidade e os altos riscos da combinação entre as crises econômica e ambiental permitam o renascimento de uma forma de atividade política que comece a realmente desafiar o sistema. Na Europa, foi na Grécia que a mobilização de massa da juventude mostrou o conteúdo político mais profundo. Espero que seja o modelo para outros países.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-7666933523963154787?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/7666933523963154787/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=7666933523963154787' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/7666933523963154787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/7666933523963154787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/09/crise-financeira-mundial-entrevista-com.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: Entrevista com François Chesnais, FSP, 15/08'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-964625059916391861</id><published>2011-09-08T04:44:00.003-03:00</published><updated>2011-09-08T17:49:46.361-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;CRISE FINANCEIRA MUNDIAL&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;08 de setembro de 2011&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;Coluna das quintas&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;O DESAFIO &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;DO CAPITAL &lt;/span&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;FINANCEIRO &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Por Enéas de Souza&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;1&lt;/strong&gt;) O economista francês Robert Boyer numa entrevista recente dizia: “É preciso, então, recolocar o diabo das finanças na sua caixa. Salvo que a operação é muito delicada: o capital financeiro é internacional e, então, difícil de controlá-lo. E ele se tecnificou de tal modo que os ministros das Finanças (no Brasil, chama-se ministro da Fazenda) são incapazes de apreender a matéria, afim de melhor enquadrá-las. Assistimos a uma perda de poder e de expertise dos políticos”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;2&lt;/strong&gt;) O grande centro da política econômica, no Brasil e no Ocidente, no momento, é a ruptura com o neoliberalismo. O que significa trazer de volta o Estado ao comando da economia. Dito de outra forma, a política deve liderar, indicar, controlar, fiscalizar, apoiar, financiar, incentivar, etc., as atividades econômicas. E como nós não estamos no pós-crise, mas numa crise que pode levar ao pós-neoliberalismo, o que nos interessa aqui é esse passo robusto do fortalecimento democrático do Estado. Só que esse fortalecimento vem pela aglutinação das partes seccionadas pelas finanças. Pois na era do capital financeiro, todo o Estado, embora fragmentado, funciona como uma reserva de caça para as finanças. É preciso que o Estado reformule-se e volte-se para uma concentração de poder que favoreça a sociedade como um todo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;3&lt;/strong&gt;) A reserva de caça funcionou e funciona assim: em primeiro lugar, o Estado se afasta da direção, da regulação, do planejamento, do financiamento, do investimento e da produção da economia, deixando que toda a política microeconômica dos capitais dirija a macroeconomia, sustentando apenas numa política econômica parcial e reduzida, que permita um ambiente macro de estabilidade para as aplicações financeiras. É a festa do cassino e do espetáculo do carrossel dos títulos privados e públicos. No fundo, o que interessa ao capital hegemônico é, somente, política monetária, política cambial, política financeira e política fiscal. Ou seja, o alvo era e é criar uma arquitetura de organização financeira da moeda, dos juros e da fiscalidade do Estado. E claro, controlar os dois quindins estatais, os dois órgãos sublimes, a Fazenda e o Banco Central. Para que? Para que esta política esteja a serviço de um modelo de acumulação financeira. Se a gente olhar bem, esta estapafúrdia taxa de juros do Brasil, que ninguém compreende, só tem sentido se ela foi e é fixada pelo Banco Central com a finalidade de permitir rendimentos elevados aos bancos nacionais e às finanças internacionais, bem como aos investidores individuais ou da tesouraria das empresas. É uma política do capital para o capital. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;4&lt;/strong&gt;) Na economia, todo mundo tem lado. E o lado do Banco Central sempre foi o das finanças. Mas é preciso dizer que existem enormes teorias tentando demonstrar que a economia matemática e estatística constrói uma tecnologia adequada para conduzir o Estado com neutralidade, eficiência e em benefício social. Isso não se comprova facilmente porque a economia brasileira passou mais de vinte anos tendo um crescimento medíocre. E os bancos – não se sabe bem porque – cresceram furiosa e audaciosamente. Qual será a razão?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;5&lt;/strong&gt;) O movimento recente do governo Dilma avançou num ponto decisivo. Esta já é uma das grandes novidades do seu mandato. Ela está dando continuidade e ampliando a retomada da unidade do Estado, começada no governo Lula. Estruturalmente, como é que funciona isso? De um lado, está reunindo e consolidando o que esteve separado: o Executivo, a Fazenda e o Banco Central. Lula conseguiu reaver a segunda, mas o terceiro ele só se aproximou e conseguiu, no máximo, dar um bom cerco no Meirelles, sobretudo com a ajuda da Fazenda. E isso que a crise permitiu um solavanco no Banco Central, que continuou e continua representante das finanças, mas que percebeu que a estratégia do governo na crise de 2007/8 deu resultados magníficos. Em vez de sucesso das finanças, aumento de consumo para a população.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;6&lt;/strong&gt;) E aqui está o ponto que o texto de Boyer permite compreender bem. No final ele diz: “Assistimos a uma perda do poder e da expertise dos políticos”. Chegamos a um ponto central, uma praia nova. Claro, Boyer está falando principalmente da Europa e dos ministros da Fazenda europeus. No entanto, pode-se ampliar a visão. A gente pode sustentar que, de um modo geral, os políticos estão distanciados do que é, de fato, esta economia financeira que está dinamitando o mundo. Sabem apenas que ela está, mas de um modo racional não têm idéia de como funciona e do que fazer para sair do buraco. O que me parece claro, como um girassol num canteiro, é que o grande lance do Brasil é que ele tem teoria para saber o que está acontecendo. E tem estratégia, e tem tática, e tem condições de dialogar e decidir por quais caminhos seguir. E isso permite uma unificação, tanto quanto possível, do Executivo e, inclusive, do Banco Central sob o comando da Presidência. Tudo parte de diagnósticos muito semelhantes da crise, sem que isso impeça o desempenho autônomo e criativo dos órgãos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;7&lt;/strong&gt;) O passo importante para tal é a unidade do Estado, a tentativa de que os órgãos do governo sigam uma trajetória projetada de ação política e estratégica que venha do centro político e econômico do Executivo. Existem, a meu ver, dois pontos a serem examinados nessa unidade. De um lado, a recuperação da liderança do Estado na condução da política e da economia do país. E, de outro, a prioridade do investimento sobre a especulação financeira. Ora, a condução da política começa quando se tem um projeto de nação, mesmo diante da mundialização do capital financeiro. Pois, o governo Lula, desde cedo, lançou, com eficácia e talento, uma política externa que tornou não só o presidente como o ministério de Relações Exteriores e o país, respeitados em toda parte. E, no correr da carruagem, quando os constrangimentos externos da dívida brasileira foram diminuindo e cessaram, ocorreu um processo de recuperação da integridade do Estado. Começou, sobretudo com o aparecimento da crise, uma atuação econômica forte do setor público. Voltou-se a pensar em política econômica, em planejamento, em financiamento, em apoio à produção. E, desde cedo, o governo Lula fez uma política coerente de atendimento da população, desde aumentos reais de salário mínimo até um programa de habitação como Minha Casa, Minha Vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;8&lt;/strong&gt;) Houve o reaparecimento, ideológico e real do investimento e do emprego e do desenvolvimento econômico. E apesar do PAC, do retorno da Petrobrás ao campo estratégico da nação, a especulação continuou a ser uma atividade do setor bancário, mas contrabalançada, principalmente na crise, por um movimento significativo do sistema bancário público (Banco do Brasil, Caixa e BNDES). Essa resistência, diante do tumulto que veio dos Estados Unidos e da Europa, foi não só uma atitude ativa/reativa do governo brasileiro, e que mostrou capacidade de pensar a economia e de agir com rapidez, como força para aglutinar as classes sociais em torno da sua estratégia nacional.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;9) O Brasil tem mostrado capacidade de pensar a economia. E pensar a economia no contexto da próxima expansão do capitalismo. O resultado disso foi compreender o primeiro ponto: o Brasil está preparado minimamente para o novo padrão de acumulação ou para a nova economia do século XXI, como dizem alguns. Emergem o petróleo (com o pré-sal, como a alavanca de Arquimedes), a produção de alimentos e as matérias primas minerais, para compor basicamente a infra-estrutura energética e alimentar do mundo. O segundo ponto está na tentativa de defender o Brasil em termos de sustentação das indústrias disponíveis (algumas ameaçadas), bem como avançar nas áreas de tecnologias médias e, se possível, entrar nas altas tecnologias, sempre observando a concorrência multinacional. Obviamente, surge a importância de fazer um mix de exportação e de mercado interno, extremamente aceitável para que o país não retorne a uma certa primarização da economia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;10&lt;/strong&gt;) Todavia, o que me parece significativo por parte do governo é ter na jaqueta o cuidado de pensar o Brasil como um todo. Daí a necessidade de situá-lo politicamente no planeta e ter clara a posição que o Brasil vai ter nesta próxima etapa. E lógico, armar uma postura política e estratégica, construindo uma solidez diplomática e militar do tamanho de nossa realidade, de nossas possibilidades e de nossa ambição. E ressalta uma questão fundamental: a articulação da política e da estratégia do país com um diagnóstico e uma proposta de ação que avalie o preparo da nação para a amplitude da crise. Essa combinação de política e de economia, quem sabe, responda às questões de Boyer sobre o capital financeiro, sua tecnicalidade e sobre a capacidade política dos governantes de preparar uma visão ampla das soluções para o mundo. O Brasil parece que está em condições de cometer esta audácia. Porque audácia, de vez quando, é bom e anima a moçada. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;11&lt;/strong&gt;) Nesse sentido, a correção do diagnóstico e das respostas, que o governo brasileiro tem proposto para a sua proteção na crise, levou o próprio Banco Central a perceber a necessidade de afinar a sua atuação na mesma pauta do Executivo. E veja como a Dilma tem agido: ela tem falado sempre em crise, e que o Brasil está preparado para o que vier. E, de outro lado, cabe sublinhar uma aceitação do que me parece a grande lição de Getúlio, a grande lição de Lula, que a política brasileira só avança socialmente se existe uma articulação entre a produção e os trabalhadores. E, se em tempos de diagnóstico e de preparação, o governo não bate de frente com o setor financeiro – até procura orientá-lo – o que importa nisso tudo é cimentar mais um tijolo na unidade do Estado. E ela se amplia quando atrai o Banco Central para uma política e para uma economia nacionalmente mais coerente e mais coesa – mesmo numa época onde este modelo de acumulação financeira não foi posto na caixa. Diria Machado de Assis, mesmo quando ele não foi devolvido à caixa de Pandora. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;12&lt;/strong&gt;) A análise de Boyer nos permite fazer uma boa radiografia do Brasil, na medida em que temos uma conjuntura de maior afirmação da estratégica coerente e tendencialmente unitária do Estado brasileiro. É possível medir os avanços do governo do nosso país com os do governo americano, onde a Presidência quer ir para um lado, as finanças para outro e o Pentágono, ora se aliando a essa, ora pondo em questão diretamente o Executivo. Pode-se medir com o governo dos alemães, cuja incompreensão da Europa é tão absurda, que chega a não entender que a Alemanha está metida até os ossos na crise do continente. Sem os demais países, a Alemanha não escapará. Talvez a sua crise possa ser menor, mas será irremediável, pois apesar da não solidariedade dos Estados europeus, a União Monetária os jogou na solidariedade do desastre. Então percebemos que, de fato, os políticos estão distanciados de um conhecimento da dimensão do capital financeiro, da sua crise e das soluções para minorá-la. As finanças parecem outra montanha, alta e inatingível. Por isso, a impressão e o temor que as populações e mesmo os mercados têm, a cada instante, de pane nos países desenvolvidos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;13&lt;/strong&gt;) Já a China talvez seja, no momento, um dos Estados que tenha mais capacidade de entender o que está acontecendo. Talvez as suas dificuldades sejam da impossibilidade de não ser suficientemente grande para tornar-se a locomotiva do mundo. Para isso, precisariam ter uma moeda que pudesse disputar a posição de reserva de valor com o dólar. Cuidamos, agora, em assinalar uma segunda e importante deficiência: a sua incapacidade de conduzir uma liderança tecnológica necessária para que se forme um novo padrão de acumulação produtivo. Já o terceiro ponto de carência, porém com solução ao seu alcance, é o encaminhamento de uma reorganização interna da sua economia, ameaçada por problemas produtivos, por problemas de disputas entre as províncias, pela difícil solidificação do seu sistema financeiro, pela crise imobiliária que está vindo, etc. E, dentro da reformulação chinesa, podemos enxergar, igualmente, a sua dependência nas questões vinculadas ao comércio exterior (exportações e importações) à ampliação da sua articulação produtiva na Ásia, à gerência de possíveis perdas das suas reservas internacionais no caso de uma crise forte da economia mundial. E, como um sinal vermelho, a pergunta fatal: numa crise do Ocidente, a China entrará também em crise? De qualquer modo, se o touro pegá-la, a gente sabe que a China – se valer o que fez até agora – tem um perfeito entendimento do capitalismo que está nascendo, mesmo porque o próximo capitalismo, como diz meu amigo André Scherer, vai vir com um Estado muito forte. E isso a China já tem. O seu problema será como desenvolver a sua espada principal. Ela também tem estratégia – e muito visível: a de ser um pólo antagônico aos Estados Unidos. Só que ela deseja enfrentá-lo com melhores condições políticas, econômicas e sociais que as do momento. O que pensa o leitor: será possível? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;14&lt;/strong&gt;) Então, Boyer nos conduz a perceber uma multiplicidade de aspectos inscritos no atual momento, como, por exemplo: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;I) a distância entre a política e a economia;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;II) a tremenda dificuldade do eixo americano (USA-Inglaterra-Europa) em conseguir compreender o que está acontecendo, pelo relativo despreparo dos seus dirigentes e dos Estados em encarar e enfrentar a realidade do capital financeiro. O problema maior é a sua insistência em manter as instituições sob o figurino neoliberal;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;III) a história recente dos Estados dos países emergentes (Brasil e China, por exemplo) talvez dê a essas nações uma preparação mais adequada do que aos desenvolvidos para enfrentar a crise. Sobretudo porque, para sobreviver, elas tiveram que ajustar uma concepção do papel do Estado fora da visão neoliberal. O que não quer dizer que esses países não serão afetados pelo desdobrar da economia em pendente negativa;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;IV) a saída da crise partirá da tentativa de compreende-la analiticamente, de armar uma defesa para o curto prazo e de tentar buscar ligar a trajetória da conjuntura presente ao longo alcance da economia capitalista, através de um projeto de conexão e transformação do atual padrão para o novo padrão que virá;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;V) a parte central do projeto é uma modificação da posição das finanças e do banco central no conjunto do Estado, trabalhando a economia para recompor a produção e construir um novo padrão de acumulação;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;VI) nesse caminho de fortalecimento do Estado, nessa trajetória da passagem de um padrão de acumulação para outro, o encaminhamento das questões sociais serão decisivas, e sobretudo, virá com mais força, dada a perspectiva do Estado forte, a questão das liberdades, da distribuição da renda, da cultura e da democracia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O presente está em ebulição. A pergunta é: como será a face do futuro? Para que você, arguto leitor, possa responder, é preciso considerar, pelo menos, a inclinação da geopolítica para um antagonismo USA e China, os desafios do capital financeiro à economia e à política, as necessidades de unidade do Estado e da mudança de sua estrutura, e a exigência de reformulação e metamorfose da própria política diante da complexidade do mundo contemporâneo e da sua crise de civilização.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-964625059916391861?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/964625059916391861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=964625059916391861' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/964625059916391861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/964625059916391861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/09/crise-financeira-mundial-08-de-setembro.html' title=''/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-3879393949780780055</id><published>2011-09-05T23:32:00.000-03:00</published><updated>2011-09-05T23:32:20.278-03:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: UBS e o custo do fim do Euro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Relatório de hoje do banco suíço UBS mostra que o custo do fim do Euro será significativamente maior do que o custo de salvamento dos países mais fracos a partir de uma União fiscal. mas a questão está longe de ser decidida com base em uma suposta racionalidade econômica &lt;i&gt;strictu sensu&lt;/i&gt;. Uma União fiscal tem problemas políticos para se dar agora, ainda mais na velocidade que seria necessária.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O engraçado é que são bancos de investimento e fundos &lt;i&gt;hedge &lt;/i&gt;dos dois lados do atlântico&amp;nbsp;que impulsionam a espiral fatal para o Euro até o momento. E, a cada dia se torna mais difícil - e custosa - sua reversão. De qualquer forma, vale a pena ler o documento da UBS.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pt.scribd.com/doc/64020390/xrm45126" style="-x-system-font: none; display: block; font-family: Helvetica,Arial,Sans-serif; font-size-adjust: none; font-size: 14px; font-stretch: normal; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; line-height: normal; margin: 12px auto 6px auto; text-decoration: underline;" title="View xrm45126 on Scribd"&gt;xrm45126&lt;/a&gt;&lt;iframe class="scribd_iframe_embed" data-aspect-ratio="0.706697459584296" data-auto-height="true" frameborder="0" height="600" id="doc_34042" scrolling="no" src="http://www.scribd.com/embeds/64020390/content?start_page=1&amp;amp;view_mode=list&amp;amp;access_key=key-2gvd5fej4p8m6z2lzbhq" width="100%"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;(function() { var scribd = document.createElement("script"); scribd.type = "text/javascript"; scribd.async = true; scribd.src = "http://www.scribd.com/javascripts/embed_code/inject.js"; var s = document.getElementsByTagName("script")[0]; s.parentNode.insertBefore(scribd, s); })();&lt;/script&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-3879393949780780055?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/3879393949780780055/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=3879393949780780055' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/3879393949780780055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/3879393949780780055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/09/crise-financeira-mundial-ubs-e-o-custo.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: UBS e o custo do fim do Euro'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-813092879850587850</id><published>2011-09-04T23:58:00.000-03:00</published><updated>2011-09-04T23:58:25.687-03:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: O FMI cansou da austeridade fiscal</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chrsitine Lagarde &lt;a href="http://www.telegraph.co.uk/finance/financialcrisis/8740736/IMF-global-economy-faces-a-threatening-downward-spiral.html"&gt;afirmou&lt;/a&gt; que a política de austeridade fiscal vai custar uma recessão na Europa que agravará ainda mais as condições financeiras da região. Mas, tudo indica que agora é tarde, pois a Alemanha parece estar fechando as portas para novos resgates... Caso isso se confirme a o efeito-dominó financeiro, a gravidade da situação bancária e o tamanho das dívidas público-privadas vai varrer o Euro da Grécia à França em pouco tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;Faz bem o Brasil em se preparar para o pior, mas, será suficiente?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-813092879850587850?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/813092879850587850/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=813092879850587850' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/813092879850587850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/813092879850587850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/09/crise-financeira-mundial-o-fmi-cansou.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: O FMI cansou da austeridade fiscal'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-8214950921223147353</id><published>2011-09-01T02:00:00.002-03:00</published><updated>2011-09-01T16:03:52.406-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;CRISE FINANCEIRA MUNDIAL&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;01 de setembro de 2011&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;Coluna das quintas&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;O RITMO DA CRISE&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;E &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;A PREPARAÇÃO DO BRASIL&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Por Enéas de Souza&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;1&lt;/strong&gt;) A noção de crise econômica é muito engraçada. Alguns pensam que a crise é uma coisa abrupta, que acontece e o mundo despenca. Não é uma ideia que vem da história, talvez seja uma que venha dos mercados financeiros. Porque o mercado é assim, sobretudo o das bolsas, vai subindo, vai subindo, oscila um pouco, mas sobe constantemente, e depois, bumba meu boi, leva um tombo prá valer. E para se recuperar leva tempo. Às vezes, nem se recupera, mas as finanças vendem – via sua linha auxiliar, a mídia – que o mercado se recuperou, para tentar novamente especular. Olhem as bolsas, nenhuma sequer voltou ao nível de antes da crise de 2007/08. Então, uma crise no mercado financeiro não identifica uma crise econômica, e muito menos crise social. Apenas indica. Só que desta vez, ela não só apontou como se derramou pela economia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;2&lt;/strong&gt;) Pois o primeiro aspecto que temos a considerar é que a crise é um processo histórico e um processo social, e se dá na longa duração do capitalismo e na desestruturação de um padrão de acumulação. Então, o que importa dizer, curioso leitor: a crise é um processo; e um processo dentro de um padrão de acumulação. E um processo, na verdade, que exibe uma dinâmica que enlaça patamares, degraus, pendentes, trânsitos, passagens. E como ele é cíclico, constrói momentos ascendentes, momentos descendentes. E nesses, observam-se rupturas, caídas lentas, caídas bruscas, previsíveis umas, imprevisíveis outras, surpreendentes muitas vezes, mas que seguem uma tendência, um sentido, uma direção. E, graficamente, como os ciclos são curvas, há pontos que sobem, pontos que descem, pontos de máximos, pontos de mínimos. E, principalmente, pontos de inflexão e pontos de reversão. E um processo de base econômica encadeia também aspectos sociais e políticos, por isso a dialética geopolítica e geoeconômica faz parte constante da construção da longa travessia secular do capitalismo. Ou pode inscrever as possibilidades de surgimento histórico de um desmanchar desse capitalismo. Foi o que ocorreu com o surgimento do socialismo/comunismo, desafio que durou significativamente até o final dos anos 1980, início dos 1990. Mas é o que se viu: o que não mata, rejuvenesce. Ou engorda. Da ameaça do socialismo veio o nefando, sobretudo para os pobres, neoliberalismo financeiro e de guerra, glória dos financistas e deste maligno Dick Cheney, que terminou dizendo, na sua autobiografia, que a tortura é legitima porque salva vidas... (sic!). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;3&lt;/strong&gt;) Pois estamos em crise. As finanças vieram abaixo em 2007/08. E a crise que ali se instalou, iniciou um processo de queima de capital financeiro e produtivo, na direção de um novo capitalismo da informação, ou, como gostam de dizer alguns, o capitalismo cognitivo. E por consequência, também uma crise na hierarquia dos Estados. Bem, essa crise é exuberantemente insistente, porque a reprodução do capital não pode ser mais como era. E então, como uma casa que não serve mais, vai ter que se tirar o sofá da sala, vai ter que se alterar o desenho interno da residência, o projeto requer mudanças, ampliações. E enquanto o projeto não sofre alterações, por muitas razões, a bagunça continua, a ventania aparece de vez em quando, e entra pela janela entreaberta do nosso capitalismo, varrendo ambições e esperanças. E a solução desse quebra-cabeça e dessas palavras-cruzadas não se resolve facilmente. Os homens vão ter que suar muito, gastar o cérebro, pensar o quadro de maneira diferente, projetar novos dinamismos. E como já sabemos, não são os capitais, por eles mesmos, que vão resolver assim no mais. Dependem, para que não haja uma destruição em massa, de um suicídio avultado, prejudicial a muitos capitais e à sociedade, do Estado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;4&lt;/strong&gt;) Fiz toda uma volta sobre a noção e a realidade de uma crise, para nos colocarmos novamente, como num avião, diante do panorama em face. O sentimento é de que estamos, no momento, numa pausa. Não se sabe como ela vai continuar, mas, ao mesmo tempo, as pessoas sentem medo, sobretudo quando pensam ou quando ouvem notícias. E vejamos como as coisas estão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;5&lt;/strong&gt;) Olhando o eixo americano, as coisas estão assim: crise fiscal descambando, como um passe errado da meia-cancha, para a crise política. O Tea Party sacudiu o Congresso e colocou o governo no córner. Temos a limitação do teto da dívida, logo, o governo não pode gastar; e se desencavou na luta parlamentar uma queda de gastos públicos, controlada pelo Legislativo. Isto bate tanto no consumo do governo como no consumo da população. Ora, o efeito da demanda em queda é um movimento de recessão. Bernanke, o homem do FED, com sua barba de fauno grego, medita, medita e está pensando em botar mais dinheiro na economia. Em nome técnico: vem aí o “quantitative easing”, agora de número 3, já que lançou dois. Ora, o que Bernie (olhem o meu grau de amizade com ele!) está pensando é: o dinheiro está escasseando, quem tem não empresta, não põe no interbancário, não dá crédito para a produção, nem para o consumo. Então, vamos jogar dinheiro pelos os bancos. Mas aí é que está: dinheiro que passa pelos bancos não significa crédito para investimento, para consumo. Geralmente, significa dinheiro para especulação. E hoje, dinheiro até para ficar em caixa. Keynes chamou isso de “preferência pela liquidez”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;6&lt;/strong&gt;) E o que faz o Executivo americano? E o que faz o Obama? Em princípio, o Tea Party, pelo caminho da resolução do Congresso, com a união moderada (sic!) de republicanos e democratas pela direita, amarrou o Executivo. Ele tem ajuda do FED para controlar, minimamente, o mercado financeiro, inclusive bloqueando a tentativa desesperada de capitais europeus para conseguir algum no mercado americano, e também, para amparar o Banco Central Europeu pondo dólar, sob forma de “Swaps”, na Europa. God bless América! Fora disso, o Executivo está tentando fazer um jogo de troca de passes, gastando o tempo, até que surja alguma oportunidade, uma abertura no muro da crise. A grande novidade é trazer Alan Krueger, um especialista em trabalho, para o Conselho Econômico de Obama. Chega de gente como Lawrence Summers! Mas, de qualquer forma, é uma inclinação muito pequena. Há que achar urgentemente um meio de baixar esta taxa de desemprego de 9%. Será que Alan vai dar alguma sugestão alvissareira? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;7&lt;/strong&gt;) Enquanto isso, o treinador do time, o popular Obama, não jogou a toalha, deixou-a no banheiro da Casa Branca, e saiu para as ruas. Vai combater cidade por cidade os adversários. Agora mesmo conseguiu a oportunidade de falar no Congresso Americano no dia em que estará em jogo mais uma rodada da disputa de candidatos a candidato do Partido Republicano. O panorama da luta está dado: até 2012 teremos uma batalha duríssima, pior que aquela de Stalingrado na segunda guerra mundial. Obama vai ter que doar sangue para conseguir atrair o povo americano. Vejam “A Árvore da Vida”, que além de filme místico, mostra como a família dos Estados Unidos profundo não tem como compreender a crise, e como os homens da grande metrópole, herdeiro da família dos anos 50, também estão perdidos na cidade fluida, na arquitetura líquida da época do capital financeiro. Eles estão todos perguntando: que mundo é este? Os Estados Unidos é um grande povo místico tentando responder, pragmaticamente, à crise. Só que, para resolvê-la, não basta pragmatismo, tem que ter teoria. Foi assim nos anos 1930, quando Roosevelt começou a saída e Keynes escreveu a sua “Teoria Geral”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;8&lt;/strong&gt;) Por isso, Obama saiu para as ruas. Porque uma teoria social só pode ser aplicada se tiver sustentação política. Soluções à direita e à esquerda até podem existir, mas só se ganha se tiver povo na defesa do governo que aplica a teoria. Povo e classes sociais. Vejam o discurso de Obama no Estado da Nação, logo depois da eleição, e ali estava posta uma direção de política e de política econômica. Povo, Obama até teve, mas classes sociais não. As finanças não foram, a produção muito pouco, e a classe média centrista e direitista, o pessoal da “Árvore da Vida”, abominou. Talvez agora ele possa ter população e grupos sociais a seu favor, sobretudo porque as próprias finanças estão novamente ameaçadas. O Bank of América, da estratégia “to big to fail”, está mais perto do fail, mesmo sendo big. E já podem sentir que ficar na mão da política do “Tea Party” é um passaporte para não poder usar o recurso do “risco sistêmico”, a ajuda do Estado em caso de desastre como 2007/08. Ou seja, podem explodir sem que o Estado possa ajudá-los.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;9&lt;/strong&gt;) Já a Europa é aquela fragilidade dos Estados e dos bancos. Podem morrer abraçados. E o Banco Central Europeu tenta dar um jeito, com ajuda do Banco Central Americano, com esse Fundo de Estabilidade, que é uma barreira de areia de praia diante do oceano. A solidariedade dos países europeus não existe, um plano de avanço político e social – como, por exemplo, a criação de um Tesouro Europeu, um projeto de Estados Unidos da Europa – parece fora de cogitação. Então, a solidariedade não é um personagem do teatro da política européia. Nem mesmo para lançar Eurobônus, porque esses títulos teriam por garantia os Estados Nacionais. E a Alemanha não está afim, Ângela Merkel tem mesmo enormes dificuldades internas para ir adiante nessa idéia do Eurobônus. Então, o barco está indo meio à deriva, com Trichet do BCE remando, monetariamente, numa crise que além de monetária, é fiscal. Conseguirá driblar as questões que vem dessa área? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;10&lt;/strong&gt;) Atualmente, o que se nota no movimento geral do capital, europeu ou americano, é uma tentativa de buscar refúgio na preferência pela liquidez – da qual já falei lá em cima. Pois, todos estão tentando escapar de comprometimentos maiores em face da recessão, que já está dançando os primeiros rocks, as primeiras músicas, há uns três/quatro anos. Falam de uma crise em W, esta de 2011 seria o segundo V. Na verdade, não é uma crise em W; na verdade, é a continuação do processo da crise americana, da crise do capitalismo, um processo de desvalorização do capital fictício e do capital real, seja das empresas financeiras, seja das empresas produtivas. Esta crise não é uma oscilação, nem uma pequena queda e nem mesmo uma segunda seguindo a primeira. Trata-se de uma crise duradoura, aquela da mudança de um padrão de acumulação. Precisa-se destruir um e começar outro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;11&lt;/strong&gt;) Pois o Brasil – diante deste quadro, pintado desta forma – percebe que o estouro vai chegar aqui por algum lado que não se tem certeza. Numa certa medida já está vindo pela área comercial, mas pode vir também pela área dos bancos. Bem, de qualquer maneira que chegue a estratégia do governo brasileiro me parece clara: proteger e fortificar o Estado de todas as formas possíveis. Pois é claro, só um governo forte, econômica e administrativamente bem postado, pode rebater os golpes, diminuir os impactos e apoiar a economia, sejam as empresas, seja a população. Veja-se: o Brasil é um país emergente, mas não é um país determinante na crise. Os pontos fortes dela são os Estados Unidos (e a Inglaterra) e a Europa, negativamente; e China, positivamente. Só que a avalanche da crise vem, até agora, pela decadência do eixo dominante, o americano-europeu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;12&lt;/strong&gt;) Em face disso, o governo, que é uma entidade econômica, além de política, tem que se preparar e dar conta de sua possível resposta. Como o cara que vai competir no surf e mostra a sua competência ao dançar numa onda, assim o Brasil, cria sinalizações importantes: mantém altas reservas internacionais, aumenta do superávit primário, previne aos bancos de que jogar contra o dólar e a favor da valorização do real pode ser a sua fatalidade, trata de canalizar os investimentos para a produção interna, tenta manter o projeto dos programas sociais de forma ativa e permanente, etc. Observação: a questão do superávit primário não se trata de medida neoliberal. Se trata de medida de autoproteção. E como é que se sabe isso? Nenhuma medida é liberal ou desenvolvimentista em si, uma decisão só tem sentido dentro de uma estratégia. Então, se vê a questão do superávit primário ligando uma à outra. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;13&lt;/strong&gt;) E dentro da coisa mais geral, o governo Dilma não tem estratégia neoliberal de deixar a regata correr sem apontar direções, sem proteger ativamente a própria posição econômica do Estado. Numa economia capitalista financeira, onde o capital tem liberdade para se expandir, o limite dessa ação – se o governo também defende a população – consiste no impedimento de que as finanças – no caso brasileiro, os bancos – joguem expressamente contra os outros agentes econômicos, contra o Estado, contra os assalariados em geral e, inclusive, contra si. Assim, numa crise, a forma de um governo atuar começa com a sua capacidade de ter fortaleza, de ter instrumentos, enfim, de ter bala para disparar os seus tiros. A economia é um western, um filme de bandido, um filme de guerra, um filme de assalto, onde quem não tem arma de boa qualidade, dança. E dança feio, porque no jogo da economia, não só dança o Estado como dançam todos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;14&lt;/strong&gt;) Dessa forma, o superávit primário tem que ser olhado no conjunto das medidas já tomadas ao longo dos últimos tempos, desde o corte de gastos até a manutenção das reservas internacionais para nos defendermos contra a fuga dos capitais. Porque a estratégia da construção de um futuro para o Brasil, no novo cenário geopolítico/geoeconômico, está num momento tático decisivo: defender o país dos danos de uma crise que vem de fora, que vem dos Estados Unidos e da Europa, sem perder a visão do longo prazo. Essas medidas podem até levar a diminuição do crescimento do PIB. A gente pode sentir, a demanda está se inclinando para baixo, seja pelo consumo privado, seja pelo investimento privado, seja pela descida dos preços das commodities (em função de uma certa diminuição do crescimento chinês e da queda da especulação financeira nestes mercados), etc. Mas trata-se de uma tática de prudência numa estratégia de longo alcance, enquanto o panorama e a direção e o andamento da “destruição criativa” do capitalismo, como falava Schumpeter, não estiver claro. A destruição, efetivamente, tem dado sinais sonoros em quase todas as partes, mas o lado criativo, as perspectivas para sair na direção de um novo padrão de acumulação, não. Talvez um pouco na área da informática, nas atividades da Google, da Apple, etc. Mas um ciclo é uma tensão entre forças que trazem a economia para baixo e forças que tentam jogar a economia para cima. Por enquanto, a incerteza é a única mulher a querer dançar. A música parou, mas o baile continua. Não está claro o que se vai tocar em seguida. Não se trata só de rock, tem outros sons. A única coisa certa e fundamental é que os Estados, sobretudo os dos países emergentes, têm que estar se preparando para o furacão que pode chegar. E esse furacão não se chama Irene, se chama capitalismo em crise. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;PS&lt;/strong&gt; – Não acreditava que o Banco Central fosse, ontem, quarta-feira, baixar a taxa Selic. Me enganei. Ela desceu meio ponto percentual. Isso aponta a meu ver para duas coisas. Uma primeira: a presente decisão sugere um fortalecimento maior do Estado brasileiro, inclusive com uma pequena diminuição do custo da dívida. E, revela também que a Dilma está conseguindo articular o Executivo e o Banco Central para a mesma direção. E o que pode ser uma grande novidade: para uma mesma visão da crise. Contudo, os problemas de unificação do Estado brasileiro por parte da presidente encontram dificuldades na organização e no desembaraço da política no Legislativo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Já a segunda coisa que quero salientar está no fato de que a baixa da taxa de juros e a aproximação do Banco Central podem levar igualmente a um entrosamento mais sólido, político e econômico, com o setor produtivo privado. E daí, quem sabe, a possibilidade de investimentos empresariais, num tempo mais cedo do que se poderia pensar, como resposta à crise. E isso sem afetar os programas sociais!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-8214950921223147353?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/8214950921223147353/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=8214950921223147353' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/8214950921223147353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/8214950921223147353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/09/crise-financeira-mundial-01-de-setembro.html' title=''/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-7445173146239788424</id><published>2011-08-28T14:43:00.001-03:00</published><updated>2011-08-28T14:46:01.869-03:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: A incrível "interpretação" tucana sobre a crise; por André Scherer</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O iFHC reuniu toda a plumagem nessa quinta-feira para um seminário intitulado "Transição incompleta e os destinos da (macro) economia brasileira". &amp;nbsp;Nome pomposo para mais uma demonstração pública do autismo que vem caracterizando o partido de FHC após nove anos de ausência do poder. Não que seja surpreendente. Dentro dele, seus diagnósticos sobre o Brasil e o Mundo já primavam por frases de efeito sem sentido ou aderência com a realidade &amp;nbsp;("o preço do dólar se forma do mesmo modo que o preço da banana"; "nós não merecemos a punição que o mercado está nos impondo porque somos bons alunos", etc...); mas agora há uma superação da forçação de barra subserviente ao mercado financeiro que lhe é própria, agravada pela emergência da crise financeira mundial de 2007.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No referido seminário, além da sempre presente proposição de que o "Estado gasta muito e gasta mal", uma bobagem que tentam introjetar no cérebro dos desavisados pela repetição incessante&lt;i&gt; à la Goebbels&lt;/i&gt;, e que "por isso os juros são elevados"; ainda se disse que "a crise financeira mundial explicitou os limites do Estado de bem estar social promovido por meio do gasto público".&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;É até difícil comentar proposições que colocam os "progressistas" tucanos brasileiros em posição alinhada ao &lt;i&gt;Tea Party, &lt;/i&gt;aos conservadores fiscais da BCE "alemã" e aos articulistas mais conservadores do &lt;i&gt;Telegraph, &lt;/i&gt;jornal anti-europeu londrino. Ou seja, àqueles que têm se caracterizado por tentar jogar todo o peso da crise sobre os funcionários públicos, os aposentados e os mais pobres, condenando os gastos sociais como desperdício e louvando o "salvamento" do sistema financeiro tentando se eximir de pagar os custos.&lt;br /&gt;Mas, tentando ser breve, alguns questionamentos se impõem:&lt;br /&gt;- quem "administrou" mal os recursos que lhes foram confiados, foi o Estado ou o"eficiente" sistema financeiro privado?&lt;br /&gt;- quem deixou vários trilhões de rombo que tiveram de ser absorvidos pelos Estados, nos EUA e na Europa, deixando em situação terrível os cofres daqueles países no momento em que a crise econômica dificulta a manutenção ou o aumento da receita fiscal?&lt;br /&gt;Dizer que a crise financeira expõe os limites do &lt;i&gt;welfare state&lt;/i&gt;&amp;nbsp;é dizer que a população tem de ser punida pela imprudência e ganância dos financistas. Explicitar isso como uma tentativa de compreender a realidade contemporânea é, além de faticamente incorreto, um alinhamento completo com as forças que desejam aproveitar a crise para forçar a redução de direitos dos trabalhadores a fim de que se coloque mais água no moinho do sistema financeiro. O que terá como resultado apenas a postergação e o agravamento futuro da crise, como vimos dizendo nesse blog junto com o Enéas.&lt;br /&gt;O lado bom é que com interpretações e programas como esses discutidos nesse seminário, a chance desse pessoal voltar ao poder no Brasil está cada vez mais reduzida. O lado ruim é que caso essa infelicidade ocorresse, a população brasileira estaria muito mal parada. Fiquemos com o lado bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-7445173146239788424?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/7445173146239788424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=7445173146239788424' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/7445173146239788424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/7445173146239788424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/08/crise-financeira-mundial-incrivel.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: A incrível &quot;interpretação&quot; tucana sobre a crise; por André Scherer'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-655908078130611188</id><published>2011-08-25T17:19:00.002-03:00</published><updated>2011-08-29T11:34:30.894-03:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: SEMINÁRIO UNDESA-IPEA-IPD: Managing the Capital Account and Regulating the Financial System, no BNDES, RJ</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: #444444; font-family: 'Helvetica Neue', HelveticaNeue, Helvetica, Arial, sans-serif; font-size: 14px; line-height: 19px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="post_title" style="font-size: 22px; font-weight: bold; line-height: 1.3; margin-bottom: 0px; margin-top: 0px !important; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: 0px;"&gt;&lt;a href="http://agencia.ipea.gov.br/index.php?option=com_content&amp;amp;view=article&amp;amp;id=10145&amp;amp;catid=4&amp;amp;Itemid=2" style="color: #444444; margin-bottom: 0px !important; margin-top: 0px !important; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: 0px;"&gt;Brasil é pioneiro no controle dos derivativos&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px !important; margin-top: 10px; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: 0px;"&gt;&lt;div class="titulo_artigo" style="margin-bottom: 10px; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: 0px;"&gt;Brasil é pioneiro no controle dos derivativos&lt;/div&gt;&lt;div class="linha_fina" style="margin-bottom: 10px; margin-top: 10px; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: 0px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Especialistas estrangeiros reunidos no RJ acreditam que país acertou ao taxar as operações especulativas&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 10px; margin-top: 10px; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: 0px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Brasil foi mais longe que outras nações ao taxar a entrada de capital especulativo e as operações de derivativos cambiais. Essa afirmação foi feita pela professora da Universidade de Columbia (EUA) Stephany Griffith-Jones, nesta quarta-feira, 24, durante a coletiva pública que encerrou o seminário&amp;nbsp;&lt;em style="margin-bottom: 0px !important; margin-top: 0px !important; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: 0px;"&gt;Managing the Capital Acount and Regulating the Financial Sector: A Developing Country Perspective&lt;/em&gt;.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 10px; margin-top: 10px; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: 0px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O governo brasileiro estabeleceu recentemente uma taxa de 1% sobre operações com derivativos e obrigou as instituições financeiras a registrar suas posições líquidas nesses papéis na Bovespa. Dessa forma, o Ministério da Fazenda pretende reduzir a entrada de capital especulativo e ter informações sobre esses instrumentos, que foram uma correia de transmissão da crise financeira global em 2008.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 10px; margin-top: 10px; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: 0px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na época, empresas exportadoras do Brasil acumularam grande endividamento com a desvalorização do real. Elas especulavam firmando operações de hedge muito superiores às suas receitas com exportações, apostando na apreciação da moeda nacional.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 10px; margin-top: 10px; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: 0px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“As medidas adotadas pelo Brasil não são uma bala de prata que vai resolver os problemas causados pelo fluxo de capital, mas são importantes e pioneiras, pois permitem regular e obter informação em um mercado que está à sombra, não pode haver instituições financeiras sem regulação”, argumentou Gryffith-Jones.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 10px; margin-top: 10px; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: 0px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Y.V. Reddy, ex-presidente do Banco Central da Índia, concorda. Para ele, a maneira ideal de se lidar com o capital especulativo é criar um mix de políticas fiscais e regulação. “Taxar as operações, mesmo que simbolicamente, é importante para consolidá-las, monetizar os papéis e obter informações. São medidas que caminham na direção certa”, explicou. Para ele, a partir dessa base, as autoridades do país têm espaços para adotar novas medidas, inclusive, se necessário, elevar a taxação para desestimular algumas práticas.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-top: 10px; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: 0px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O seminário&amp;nbsp;&lt;em style="margin-top: 0px !important; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: 0px;"&gt;Managing the Capital Acount and Regulating the Financial Sector: A Developing Country Perspective&lt;/em&gt;&amp;nbsp;foi organizado no Rio de Janeiro pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (&lt;strong style="margin-bottom: 0px !important; outline-color: initial; outline-style: none; outline-width: 0px;"&gt;Ipea&lt;/strong&gt;) em conjunto com o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (Undesa). Durante dois dias, especialistas e formuladores de políticas de diversos países debateram as necessidades e os meios de se regular o mercado financeiro e controlar o fluxo de capitais especulativos.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-655908078130611188?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/655908078130611188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=655908078130611188' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/655908078130611188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/655908078130611188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/08/crise-financeira-mundial-seminario.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: SEMINÁRIO UNDESA-IPEA-IPD: Managing the Capital Account and Regulating the Financial System, no BNDES, RJ'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-5023229611116176604</id><published>2011-08-25T17:08:00.000-03:00</published><updated>2011-08-25T17:08:23.709-03:00</updated><title type='text'>CRISE FINANCEIRA MUNDIAL:  Quem salva quem na Europa? (obrigado Thobias)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-zNkb0saD4Aw/TlarsFCFnlI/AAAAAAAAAPU/F0D4H_vOBEE/s1600/Crise+europeia.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="184" src="http://2.bp.blogspot.com/-zNkb0saD4Aw/TlarsFCFnlI/AAAAAAAAAPU/F0D4H_vOBEE/s320/Crise+europeia.png" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-5023229611116176604?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/5023229611116176604/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=5023229611116176604' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/5023229611116176604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/5023229611116176604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/08/crise-financeira-mundial-quem-salva.html' title='CRISE FINANCEIRA MUNDIAL:  Quem salva quem na Europa? (obrigado Thobias)'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-zNkb0saD4Aw/TlarsFCFnlI/AAAAAAAAAPU/F0D4H_vOBEE/s72-c/Crise+europeia.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-2846761620979655394</id><published>2011-08-24T22:57:00.001-03:00</published><updated>2011-08-25T16:11:36.894-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;CRISE FINANCEIRA MUNDIAL&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;25 de agosto de 2011&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;Coluna das quintas&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;A EUROPA NUNCA SE ACABA?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Por Enéas de Souza&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Como Zaratustra de Nietzsche, um economista vai ao mercado e vê a Europa se balancear no trapézio, pronta para se esborrachar no chão. Terrível. A Europa foi o grande engodo das finanças. As finanças e, em particular, os europeus sonharam dar o grande pulo do leão. Sim, o do leão e não o do gato, porque o pulo europeu seria vasto, mais vasto que o do próprio gato, pois esse seria muito pouco para a ambição européia. Era a astúcia do capital financeiro em plena Europa a querer saltar por cima das nações e abrir e constituir um espaço amplo, à frente, uma face já no futuro, independente dos Estados nações, puxando a sua própria valorização. A Europa dos capitais. Uma valorização imantada pela atividade especulativa solta, selvagem, desordenada; o capital só se relacionado consigo próprio, dinheiro chamando dinheiro, como diria o velho alemão Karl. Todos os capitais estavam vibrando: pouca regulamentação, nenhum controle europeu, apenas um Banco Central, posto por eles mesmos – uma lição de JP Morgan, o banqueiro que inventou o Banco Central. Surgiu então o BCE com esta alma, com esta postura transnacional, atravessando praticamente todo o continente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;2&lt;/strong&gt;) Mas os capitalistas vão de arrasto no movimento dos capitais. Pensam que são eles que criam o dinamismo deste; é o contrário, eles são criados pelos capitais. E o sonho do capital era o de avançar num espaço aberto, sem amarras, especulando; ou seja, a renda alcançando dimensões notáveis, superando fortemente a categoria do lucro. Todo mundo é rentista, inclusive você. Pois bem, quando a economia cresce, o ciclo sobe como uma pipa, como uma pandorga, tudo vai bem. Mas os ludibrios são tantos, que se colocam em jogos financeiros tantos títulos e hipotecas sem nobreza, vagabundos, que a desconfiança chega; e traz o vento desagradável do inverno econômico. Na Europa, com um agravante, o incesto capital privado e Estado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;3&lt;/strong&gt;) Onde está o furo desse capitalismo financeiro? Onde está o furo desse eixo Estados Unidos – Inglaterra – Europa ? Onde está o furo do eixo americano? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;4&lt;/strong&gt;) Vamos sempre pensar como é que se dá a dinâmica desse capitalismo financeiro. Ela começa com a especulação puxando a valorização, a proporcionar renda aos investidores, faz com que o capital-dinheiro saia pelo escoadouro do consumo e a importação de produtos necessários para a reprodução da economia E só aí é que a economia pensa no futuro; só aí vem o investimento. Vejam o primeiro equívoco deste sistema: o investimento é variável dependente. O segundo ponto – na verdade, o primeiro – todo esse processo é feito sob o olhar de Carolina: o Estado fica na janela vendo o banco passar. O banco é a banda do Chico. E a economia se faz sem regulação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;5&lt;/strong&gt;) Pois vejam a ambição: a economia estaria nas mãos das finanças que puxaria os links do consumo, do comércio internacional e, no fim, dava uma chance para a produção. E isso sem controle, sem a presença, a não ser muito discreta, do Estado, do FED praticamente, pois o resto do Estado ia tratar, no caso americano, da Guerra ao Terror, na verdade, a Guerra Santa do Petróleo, a Guerra da Predação. Uma aliança Pentágono – Indústria Bélica – Indústria da Construção Civil – Indústria Energética.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;6&lt;/strong&gt;) Continuo a me fixar na questão da dinâmica, porque é preciso entender que o centro geográfico do comando da acumulação de capital era os Estados Unidos, mas, via os fluxos de aplicação financeira, abria-se uma dupla mão que avançou a expansão do capital pela Inglaterra e pela Europa. Quando o Lehman Brothers e a economia das finanças americana desabaram, a Inglaterra e a Europa foram juntas. E aí se viu o escuro da luz. Pois o Estado não estava a serviço da nação, estava do lado das finanças. Mais que o Rhum Creosotado, quem salvou o capital da bronquite foi o Estado, mas deixou a população com a enfermidade, o desemprego, é claro. E, ao mesmo tempo, a peste foi mais longe: não havia coordenação estatal entre Estados Unidos, Inglaterra e Europa, o tal de G-7 era uma drágea de paracetamol e, com isso, os capitais ficaram no pânico. E todos correram para os seus Estados. Será que deu pra ver que o eixo Estados Unidos – Inglaterra – Europa se corroeu, e cada parte ficou meio que isolada, tentando resgatar o lado estatal de sua praia? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;7&lt;/strong&gt;) E o que é que aconteceu? As partes foram se isolando. E isso hoje é absolutamente visível. Por falta de coordenação geral dos Estados – até pode haver uma restrita colaboração entre Bancos Centrais – a cadeia dinâmica foi se esfacelando e a Europa cada vez mais tendo que se virar por si mesma, mas, como já temos falado, com aquela fragilidade toda, sem reinventar investimentos produtivos. Então, leitor, veja o que está ocorrendo: os bancos e os Estados se deram as mãos. Os bancos estão mal porque tem títulos do Estado, e os Estados estão no cadafalso porque têm seus títulos colocados nos bancos. Nesse nível, o rastilho da crise funcionou assim: a crise dos títulos podres bateu nos bancos e a crise dos bancos se aconchegou no Estado, e a crise do Estado voltou para os bancos. E então, esse mesmo fenômeno olhado pelo lado dos países, a coisa parece assim: dos Estados Unidos passou pela Inglaterra, e logo, dali aportou na Europa. Só que agora, com a crise européia, os Estados Unidos estão tentando se livrar dela, usando porta corta-fogo. Por exemplo: de um lado as autoridades reguladoras americanas e inglesas estão exigindo dos bancos europeus comprovações cada vez mais rigorosas da sua liquidez; e de outro lado, os americanos estão retirando aplicações feitas no outro lado do Atlântico. Banqueiro escaldado tira a cauda da sala; melhor, tira seu capital dinheiro dos bancos em perigo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;8&lt;/strong&gt;) Entre outros fatores, um dos problemas da Europa, já falamos, é, sem duvida, esse enlaçamento bancos e Estados. Ponhamos nossos óculos de grau para enxergar melhor. Só para se ter uma idéia: os bancos detêm em euros: 98,2 bi da Grécia, 317 bi a Itália, 280 bi da Espanha. Quebra um, ameaça o outro. E aí, essa turma, por esses tempos, fez um acordo geral para resgatar a dívida da Grécia. Fizeram um, fizeram em seguida um segundo acordo. Contudo a Grécia, em desespero total, em crise social imensa, tem que esperar, porque o acordo dos chefes de Estado só vale se for aprovado pelos parlamentos. É claro que a velocidade e agilidade não estão na natureza desse instrumento, só que a Grécia precisa de grana AGORA! Percebe-se logo, a inteligência da situação é crítica: o referido acordo permite – olha só a desordem vinda no outro lado da rua – que haja acordos bilaterais entre a Grécia e um dos signatários. Pois não é que a Finlândia e a Grécia fizeram um concorde rapidinho e tácito, o que enfureceu a Alemanha, que vetou esse negócio? Assim, esses pequenos acertos travam o movimento geral, criam problemas políticos para os diversos países, para a Grécia inclusive. E, no final, ela vai fechar com o pior aceite, pois todo mundo vai querer acabar ganhando nas costas da Grécia. E desaba uma das coisas fundamentais da Comunidade Européia, a união, justamente aquilo que poderia sustentar o objetivo maior. Do jeito que está, ela, a Comunidade, vai se chamar de Desunião Européia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;9&lt;/strong&gt;) E o grave problema – isso é assunto comezinho em nossas análises – é que não existe um Estado europeu, portanto, ninguém manda. Dessa forma, temos grupos contra grupos; a França e Alemanha tentando organizar o mundo do jeito que gostam; e no fundo, estão todos contra todos. A Europa, a rigor, é uma praça de ninguém. O sargento da vez, como na antiga Bolívia, é que dá a direção... Contudo, a coisa é pior, porque as dívidas da Grécia, da Irlanda, de Portugal, da Itália e da França ou já marcharam ou estão para ser postas em causa. Daí a eminência do desastre. Se esses países pudessem fazer parte de um Estado da Europa com um Tesouro único, talvez elas fossem bem manejáveis, pois mesmo diante dos grandes volumes, a dívida seria única e haveria um jogo monetário com o Banco Central e um jogo fiscal com o Tesouro Europeu. No caso atual, a desordem é absoluta: os Estados não confiam nos Estados, os Estados não confiam nos bancos, os bancos não confiam nos Estados, e os bancos não confiam nos próprios bancos – talvez até acreditem menos ainda.. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;10&lt;/strong&gt;) Com toda essa atmosfera envolvendo a cena européia tudo, o ambiente fica péssimo. Os especuladores ameaçam os Estados, os bancos fecham o interbancário, e a preferência pela liquidez impede que a fluidez venha, senão da Europa para a Europa, ao menos, dos Estados Unidos. Mas a sinistrose está a caminho, pois o boomerang está se armando. Quem diz que essa bomba americana, que foi posta no colo dos europeus, não volta para os Estados Unidos, dado que tudo está interligado, como rede de metrô ou uma rede da internet? E obviamente, não tendo Estado, nem tendo Tesouro, a Europa, meio alquebrada, vai tentar se equilibrar com o Banco Central Europeu. Esse vai tentar dar liquidez ao time, só os Tesouros dos Estados Europeus, vão ser todos ameaçados – quem sabe até o da Alemanha – e não vão poder fazer nada sozinhos. Resta, então, o superestimado Fundo de Estabilidade (EFSF) que vai surgir somente para cobrir as necessidades do trio Grécia – Irlanda – Portugal. Se Itália e Espanha precisarem, os dois países liquidarão esse fundo, porque ele só tem, e precisa ainda ser aprovado, 440 bilhões de euros de recursos. Portanto, a Europa está pela bola sete. Ou a Europa se reinventa ou ela volta para as Cruzadas. Imagine se ela fosse como os Estados Unidos: teto da dívida controlado e despesas também? Shakespeare poderia dizer: Europa, teu nome é fragilidade. E mais ainda quando soubesse que a Alemanha quer aprovar para todos os demais Estados a estultice liberal por excelência: igualdade da receita e da despesa. E ficaria mais espantado quando descobrisse que a Alemanha já aprovou para si essa pérola, com a possibilidade que a segunda supere a primeira em um ligeira flexibilidade de 0,35%. Que liberalidade, hein, Angela Merkel?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;11&lt;/strong&gt;) Enfim, aqui está a espiral explosiva. Dívida, austeridade de gasto, aliança banco–Estado, queda da atividade produtiva, crescente incapacidade das finanças de especularem e desemprego larvar e contudente. Tudo o contrário do que seria a receita fundamental. Vejamos: Estado europeu, Tesouro europeu, aumento do déficit, aumento da dívida, fortes gastos públicos e privados em investimento, retomada da produção, aumento do emprego, aumento de receitas, pagamento das dívidas, e um novo caminho. Isso para retomar e reativar as atividades econômicas. O que, no entanto, seria só o recomeço pois seria decisivo ver qual a forma como a indústria européia poderia se integrar no novo padrão de acumulação dominado pelas novas tecnologias do conhecimento, da comunicação, da informação. Mas este é um outro problema. Ou a Europa vai para a depressão ou ela vira o jogo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;12&lt;/strong&gt;) E ela pode? Seria preciso discutir o rumo político do continente. E a pergunta decisiva é a seguinte: com tantos países rumando para a direita (não esqueçam a Inglaterra e mesmo a batalha americana de 2012), cujo objetivo é o conservadorismo paralisante, expresso por corte de gastos, equilíbrio orçamentário, corte de despesas sociais, exclusão de emigrantes, etc., permite que eu faça a você esta indagação: qual é a sua opinião, leitor, sobre o futuro de nossa amada Europa? Será que a coisa não está tão feia, pois 16 milionários franceses (seguindo a linha do americano Buffet) estão dispostos a serem taxados para ajudarem a crise do Estado? E basta essa atitude de cortar as unhas para ficarem os anéis em dedos polidos? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;13&lt;/strong&gt;) Enrique Vila-Matas, admirável escritor espanhol, escreveu entre belos livros, um que se chama “Paris no se acaba nunca”. Faço meu este título e o amplio para a economia, só que o ponho como questão: “A Europa nunca se acaba?”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-2846761620979655394?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/2846761620979655394/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=2846761620979655394' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/2846761620979655394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/2846761620979655394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/08/crise-financeira-mundial-25-de-agosto.html' title=''/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-4326984434900496871</id><published>2011-08-18T02:28:00.001-03:00</published><updated>2011-08-18T15:01:26.170-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;CRISE FINANCEIRA MUNDIAL&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;18 de agosto de 2011&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;Coluna das quintas&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;AS RAÍZES DO FUTURO DO BRASIL&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Por Enéas de Souza&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O Brasil está fazendo um movimento amplo de transformação de sua sociedade. Um movimento que ocorre no meio de uma crise profunda da economia mundial. Pois a coisa é assim mesmo. Na transição da geoeconomia e da geopolítica planetária, os momentos de ruptura, de esgarçamento, de destruição, de mudanças de formas, etc., alteram a posição de vários países, em função de inúmeros fatores. No caso brasileiro, o que estamos vendo é uma tríplice manobra do governo Dilma, com tal força e com tanto ímpeto, que, muitas vezes, os analistas não percebem. Na minha opinião, temos uma política e uma estratégia nacional que abarca pelo menos três aspectos fundamentais: 1) construir uma atitude unitária do Estado brasileiro; 2) compor uma resposta coordenada do Brasil diante da crise; e 3) inclinar a economia brasileira na via de uma trajetória de desenvolvimento e de integração mais ampla na economia mundial.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;A LIDERANÇA POLÍTICA DE DILMA &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;E A UNIDADE DO ESTADO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;1&lt;/strong&gt;) Esses três movimentos se fazem em simultâneo, mas o principal é, sem dúvida, a construção de uma nova fase do Estado. Trata-se de uma manobra sutil, o que não quer dizer secreta. E ela está em busca do reencontro de uma unidade que estava perdida na política brasileira, a unidade do Estado nacional. Pois o atual período, a época que transitamos, é aquele que corre para um desassombrado gesto de tentar erradicar instituições e/ou procedimentos neoliberais. O que vai se fazendo com passos até agora precisos. Dito de outra forma, essa unidade política se dá tendo como base a recomposição da unidade econômica do Estado. Pois olha-se a Presidência, a Fazenda e mesmo o Banco Central e percebe-se um posicionar semelhante diante dos fatos econômicos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;2&lt;/strong&gt;) A ameaça de que a crise venha estourar no Brasil faz com que essas três instituições se entrelacem e se encaminhem para um funcionamento articulado, o que ratifica o comando e a liderança da Dilma, que tem um agudo senso estratégico. Ele aparece no caráter mais visível e imediato da preparação para o pulo do gato da saída do colapso da economia mundial. E essa possível ação faz parte de uma estratégia de longo prazo, que chamo da passagem do modelo de acumulação financeira para o modelo de acumulação produtiva dentro da construção de um novo padrão da acumulação planetário. E esse jardim não se fará sob a noite da unipolaridade americana, mas sob a regência, ainda sem cor, da bipolaridade geopolítica dos Estados Unidos e da China, que tramam dois eixos econômicos em emulação e conflito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;3&lt;/strong&gt;) A primeira proposição, portanto, dessa estratégia, como dissemos, é o reforço do Estado, posição que começou lá em 2006 com o lançamento do PAC, que independentemente dos resultados quantitativos e puramente econômicos, foi uma torção política extraordinária, reintroduzindo uma idéia de comando unitário na política econômica, repondo um pensamento de planejamento e trazendo, para o centro estratégico do governo, a Petrobrás. Agora, está sendo dado mais um passo, diríamos mais um degrau, chegando a um outro patamar. A fragmentação do poder público, começada por ser anulada no governo Lula com a recuperação da Fazenda, enfrenta neste momento uma batalha decisiva. O permanente desgarramento e a ampla distância entre Banco Central e governo, ocorrida na época do neoliberalismo, agora parece ficar cada vez menor, a junção cada vez mais próxima. Ou seja, a modernidade neoliberal da Fazenda e do Banco Central de outros tempos, a formarem um duo da canção financeira como nos Estados Unidos, criando problema para a política da Presidência, parece se arrefecer, tomar novo rumo com Dilma. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;4&lt;/strong&gt;) Passamos da desintegração provocada pelo triunfo das finanças para uma reunificação política do econômico na direção de um outro tipo de acumulação. E o resultado e a atração maior, politicamente, é a unidade do Estado, supostamente mais coerente. Esse movimento vai no sentido de alcançar uma política econômica global, se ergue para superar aquela política reduzida, restrita à política monetária, à política cambial, à política financeira e à política fiscal. Nela, regidas pela política financeira e monetária, se davam as avenidas do sonho das finanças. Desde o governo Lula, a recomposição da totalidade da política econômica tem sido um objetivo perseguido. E Dilma tem se esmerado desde a sua entrada na Casa Civil, fornecendo munição para as possibilidades desse itinerário. E a construção da unidade do Estado é uma parte densamente importante, decisiva e construtora, da estratégia global que vai unir as dimensões da política e da economia do Brasil. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;Parêntese 1&lt;/strong&gt; - Podemos nos dar conta dessa aproximação na política econômica através de determinados sintomas, como os pronunciamentos e decisões da presidente, do ministro da Fazenda e do presidente do Banco Central a respeito de uma possível proteção e repercussão dos problemas que viriam da crise do eixo americano (USA-UK-EUROPA). Estamos querendo acentuar que a mágica desses atos é de alcançar uma integração da política econômica global do Estado brasileiro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;Parêntese 2&lt;/strong&gt; - Pode-se perceber, além disso, que na área propriamente política se desenvolve uma linha ainda muito diáfana na manobra refinada do retorno de Celso Amorim ao Ministério. Creio que é possível conjeturar e constatar que a unidade do Estado proporciona uma conexão extremamente importante na área da diplomacia e da defesa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;5&lt;/strong&gt;) Ora, a passagem de um modelo financeiro para um modelo produtivo requer que, por trás da política do Governo, haja ocorrido ou esteja para se confirmar um acordo em termos de economia política. Ou seja, que os grupos sociais que vão sustentar a posição da liderança política nacional sintonizem com a mão que dirige o Governo. Pois, como disse, essa transição e essa metamorfose – de uma hegemonia financeira para uma hegemonia produtiva – está sendo armada pela Dilma já faz algum tempo. O que temos agora na economia globalizada é uma lenta capitulação da área financeira internacional. E embora ela esteja projetando até aumentar a sua presença por aqui, a flor especulativa está murchando, quem sabe no médio prazo será uma outra flor, instalada num outro terreno. E, ao mesmo tempo, fazendo parte e integrada em diferente vegetação, o que garantirá a mudança de figura do crédito, de especulativo para dedicado à produção. Com isso, a flor do financeiro adquirirá uma face distinta e se transformará, porque plantada numa união institucional em favor da área produtiva. Dilma tem dado passos nessa direção e o jardim da economia está sendo pensado de outra maneira. Por esse motivo, a estratégia nacional da unidade do Estado está, como uma serpente prospectiva, se enroscando nas outras dimensões do projeto econômico nacional. Analiticamente, temos o momento da defesa da economia diante da crise e o momento da construção de uma estratégia de desenvolvimento. E a natureza dessa complexa estratégia se materializa numa arquitetura ainda instável que vai nascendo sob a liderança da Dilma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;Parêntese 3&lt;/strong&gt; - Uma coisa é a política profunda das classes sociais, que atravessa complicações conjunturais para estabelecer estruturas que perduram, que tem dinamismo lento, mas que, firmes, acabam por definir trajetórias de longo alcance. Mas essa política é mediada por lutas de diversas ordens, que eleitoralmente se expressam em conflitos de política partidária. Com isso, avulta e emerge algo que ainda não tem uma tendência mais definitiva, e que se dá na relação entre a presidente, o congresso, os partidos, a mídia convencional, a mídia alternativa e a população em geral. É uma disputa que baila na superfície do dia a dia. E tem toda uma configuração, tem muitos lados. Todavia, no caso que nos interessa, trata-se da questão da corrupção. Se de um lado, Dilma tem tomado medidas cirúrgicas contundentes, mostrando o Governo na linha de frente dessa batalha; de outro, a mídia conservadora e os partidos descontentes, no entanto, tentam empurrar a idéia de que o governo da Dilma “está cheio de corruptos”. A própria presidente não está atingida, as bazucas estão assestadas para o desgaste do Executivo; Dilma não é o alvo direto, mas o governo dela. É a tática da política como espetáculo e como escândalo que se constitui como o maior perigo do governo Dilma. Pode até afetar o processo de unidade do Estado. Até agora, é verdade, as ruas apóiam e sustentam a presidente. Mas esse problema não pode deixar de ser considerado na tríplice manobra. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;O VOLUPTUOSO ARCO ESTRATÉGICO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;LIGANDO O CURTO AO LONGO PRAZO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;1&lt;/strong&gt;) Há duas coisas a fazer do ponto de vista econômico, a partir da reconstrução progressiva da unidade do Estado. E essa unidade serve para um lance que se apóia do longo prazo, um fio lançado no espaço do futuro, e que desce até o curto, desenhando, na verdade, uma defesa contra os efeitos maléficos da crise. Por essa razão, a estratégia do Brasil não deixa de considerar os dois tabuleiros, praticando uma partida simultânea, pois não dá para separar no tempo as jogadas, embora visando alvos diferentes. Não se pode ficar esperando para lançar as malhas de amanhã esperando superar detalhes que batem no presente. E nem se pode cuidar da praia sem pensar no alto mar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;2&lt;/strong&gt;) O que me parece ser o movimento mais dilatado, mais extenso e de mais duradoura ambição, tem um foco maiúsculo. Convém que se fale da transformação de uma economia financeira para uma economia produtiva. E se nomeie os lances para o adiante, na preparação, na transição do atual paradigma tecno-produtivo – como dizem certos schumpeterianos – na estrada para um segundo paradigma. Na minha linguagem, a transformação de um padrão de acumulação, organizado a partir do duo petróleo e automóvel, para um padrão que começou a se desenvolver, já nos anos 1970, em torno da indústria da informática, da telecomunicação, da internet, mais popularmente chamado de novas tecnologias de comunicação e informação, exatamente no momento da sinergia dos componentes, numa ascensão cíclica rumo sua fase de maturidade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;3&lt;/strong&gt;) Não se pode deixar de pensar que estas mutações se dão num ambiente geoeconômico balanceado entre o eixo americano e o eixo chinês. O Brasil, que está no ponto de conexão dessas duas linhas, não pode deixar de se situar igualmente na esfera geopolítica tramada a partir dos dois países líderes. Ou seja, o Brasil terá que atuar tanto geoeconomica como geopoliticamente. Ora, a visão se complexifica, o cenário torna-se mais espinhoso e o futuro embrulhado: a atmosfera histórica traz nuvens carregadas e sombrias, inquietantes de ameaça. Dessa forma, a estratégia brasileira põe dois elementos fundamentais: na esfera econômica, investimento e tecnologia; no campo político, busca de uma situação pendular entre Estados Unidos e China. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;4&lt;/strong&gt;) O arpão está lançado no futuro. Não vai para Moby Dick, vai para o padrão de acumulação das novas tecnologias de comunicação e informação. Pois cabe, em primeiro lugar, dar-se conta que essas altas tecnologias estão fora do olhar e da inteligência científica brasileira. Não temos nada em estoque, nem temos condições de financiarmos essas pesquisas. No entanto, pode-se apostar um cartão, dois quem sabe, nesta MegaSena. Porém, uma coisa é certa: a tecnologia acessível vai comandar a reorganização produtiva do patamar pensado. É nisso que o Brasil terá que trabalhar. Mas, economicamente, o decisivo é saber que temos dois objetivos chaves: a ancoragem no novo padrão e o financiamento das propostas de investimento para o nosso desenvolvimento neste percurso. Ou, dito de outra forma, precisamos cimentar a nossa participação na nova divisão internacional do trabalho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;5&lt;/strong&gt;) Na minha opinião, já estamos, felizmente, ancorados nesse novo padrão, no porto específico da construção de sua infra-estrutura. Pois o retorno da Petrobrás ao centro estratégico do governo, as descobertas do pré-sal posicionaram de forma irreversível a nossa inscrição na infra-estrutura energética desse padrão. E isso nos permite saber e refletir que o Brasil terá um papel destacado. E vai além do petróleo, pois tem bala para fornecer matérias primas, onde a Vale estará envolvida, como, igualmente, para alimentar o mundo, através da pujança do agrobusiness. Naturalmente que se requer uma maior industrialização, seja de produtos derivados desses setores, seja de bens oriundos da diversificação indispensável da indústria brasileira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;6&lt;/strong&gt;) Daí a gente entende como é importante o setor de bens de capital, não só maquinário para construção civil, mas máquinas e equipamentos para a produção das indústrias. E o setor de bens de capital tem um papel fundamental porque o dinamismo da economia produtiva vem dele, pois vai à frente distribuindo vigor tecnológico e dinamismo produtivo. Se o investimento é a variável decisiva da próxima ancoragem da economia brasileira no novo padrão econômico, sem dúvida, a expansão do setor de bens de capital é imperiosa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;7&lt;/strong&gt;) E estudos mostram que o Brasil pode estar preparado para a exigência de bens de capital, mesmo na hipótese de altas taxas de crescimento. Por isso, nessa passagem do modelo de acumulação financeiro para o produtivo, o investimento tem que alcançar níveis compatíveis com a pretensão brasileira. Um estudo do BNDES diz que o Brasil, em 2009, estava com uma taxa de 17% em relação ao PIB, muito menos elevada que a da China (45,6%) e dos países asiáticos e da média do conjunto dos BRICs (28,7.%). Todavia, a herança financeira do neoliberalismo nos colocou ainda abaixo do Equador (24,1%), do Peru (24%), do México (21,6%), do Chile (21,4%) e da Argentina (20,9%). E o pior fica evidente: estamos num nível inferior ao da média mundial (19,5%). Um desastre quase completo. É verdade que ganhamos dos Estados Unidos (15,1%), só que este é um pais bem mais financeirizado que o nosso. Todos esses dados nos garantem que o papel do investimento e do financiamento ao investimento no Brasil estará na primeira linha das preocupações. Transformar o crédito à especulação em crédito para a produção é uma alavanca maior para o projeto brasileiro, sabendo-se que será indispensável e inadiável, para o êxito nacional, o investimento em infra-estrutura (energia elétrica, telecomunicação, saneamento, logística, ferrovias, transportes rodoviários, portos) etc. Para tal, o setor público terá que puxar as inversões, seja por meio do orçamento público, de programas públicos, do BNDES, do sistema de bancos públicos, de empréstimos estrangeiros, além dos investimentos privados nacionais e do investimento internacional. Não resta dúvida que, sem uma unidade do Estado, estas perspectivas não sairão do chão. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;POR QUE PORTA A CRISE VAI ENTRAR?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;1&lt;/strong&gt;) Tratamos antes do projeto de desenvolvimento. Algo porém, como uma areia no sapato, como uma barreira na rodovia, incomoda: são as coisas do curto prazo. A resposta desse problema está fortemente arraigada no pensamento, nas táticas e na estratégia de Dilma. Portanto, ela tem um diagnóstico e sabe que a crise está vindo, e tem uma potência destruidora. A primeira pergunta vem fácil: por onde a crise vai chegar? A meu ver, existem dois pontos por onde ela pode surgir. Um deles é o da via comercial, como diz Henrique Meirelles, que seria efeito da queda da especulação em commodities, provocando uma baixa nos seus preços, principalmente no caso de uma crise generalizada. E o segundo, é uma pinta vermelha no nariz, o desdobramento no setor dos bancos nacionais, já que se fala que estão muito expostos lá fora. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;2&lt;/strong&gt;) Naturalmente, que a defesa do curto prazo implica ao menos em duas coisas. Uma se sustenta na defesa dos petardos financeiros que baterão sobre o câmbio e sobre o movimento de capitais. O Brasil já tem experiência nessa área, e acredito que, no limite, está até preparado para o fogo máximo que se dará, se a crise for generalizada. Precisando operar no ponto extremo, o país pode exercer um controle apurado da taxa de câmbio e do fluxo de capitais, chegando inclusive à quarentena do capital estrangeiro. Isso já aconteceu nos anos 1970 e praticado pelo ministro Mario Henrique Simonsen, um economista liberal. Só estamos tocando nesse assunto, porque o tamanho, a envergadura, a audácia da resposta brasileira aos ventos e temporais da crise está na dependência do tamanho dos fatos. E esses são imprevisíveis.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;3&lt;/strong&gt;)Todavia, a defesa da economia brasileira não se trata apenas de medidas financeiras, mas deve se referir a uma segunda questão: o fortalecimento e a competitividade da indústria brasileira (de forma imediata na competição com a importação chinesa). O governo tem feito uma série de medidas desde o Brasil Maior até o Supersimples, objetivando não só reforçar a empresa nacional, dar-lhe espírito de inovação e audácia para exportar, mesmo em situações adversas. O Governo procura garantir financiamento, aumento de competitividade, visando o acréscimo do investimento, mas também a expansão do emprego. Portanto, tentando dar um nível de concorrência alto às empresas dos mais diversos portes – grande, média, pequena e micro – o Brasil se prepara para não só responder aos impactos imediatos da crise, mas também para adicionar a uma trajetória de crescimento as idéias de investimento, de tecnologia e de emprego. É tão importante driblar o furacão do colapso desta fase do capitalismo como, no mesmo tranco, unir os rearranjos do curto prazo à futura plenitude do padrão de acumulação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;CONCLUSÃO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O governo de Dilma tem trabalhado para dar uma perspectiva da economia brasileira no processo de transformação de um modelo de acumulação financeira para um modelo de acumulação produtiva. E essa mudança de forma se dá dentro de um padrão de acumulação que transforma a produção em massa, comandada pelo automóvel e pelo petróleo, numa outra, liderada pela informação e telecomunicação. Para o Brasil é importante disputar uma integração nesse modelo de capital e nesse paradigma tecnológico. Só que as suas possibilidades são condicionadas a sustentar a infra-estrutura desse modelo e desse padrão, através do petróleo, das matérias primas minerais e dos produtos agrícolas. A par dessa posição importante, o Brasil tenta através do investimento, da tecnologia, robustecer a sua participação, se não nos setores líderes, pelo menos em patamares importantes das indústrias mais antigas, porém impulsionadas pela inovação. O que se pode dizer é que nessa nova organização, a indústria de bens de capital do Brasil pode ter uma figura dinâmica bem importante. No entanto, tudo isso só está na eminência de acontecer – só, e somente só – por causa da superação da fragmentação e da destruição do Estado neoliberal. O que o atual governo e, principalmente, Dilma têm conseguido é um processo de reconstrução da unidade do Estado brasileiro. E os arautos podem proclamar: sem unidade, que ainda está em processo de reconstituição, o Brasil não terá a possibilidade de tornar-se um país sério e ativo. O casamento profícuo entre o Estado, o capital, o investimento, a tecnologia, o emprego, a distribuição de renda, a alocação de recursos para a área social, trazem as causas materiais para chegaremos à civilização. E, para chegar lá, precisamos dos condimentos da educação, da pesquisa científica, da saúde e da cultura. Atenção: o Brasil não pode se enganar: não há civilização sem cultura. Só a cultura faz a civilização e o progresso material durar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-4326984434900496871?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/4326984434900496871/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=4326984434900496871' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/4326984434900496871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/4326984434900496871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/08/crise-financeira-mundial-18-de-agosto.html' title=''/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-4927450615231346386</id><published>2011-08-16T15:20:00.003-03:00</published><updated>2011-08-16T15:21:15.943-03:00</updated><title type='text'>Lançamento do Livro "O Divã e a Tela", com Enéas de Souza. Espaço NT, dia 19/08, 19:00 hs</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-kYphcOHt9xs/Tkq068PmXsI/AAAAAAAAAPQ/CL37trlDlmM/s1600/O+DIV%25C3%2583+E+A+TELA+1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="193" src="http://1.bp.blogspot.com/-kYphcOHt9xs/Tkq068PmXsI/AAAAAAAAAPQ/CL37trlDlmM/s320/O+DIV%25C3%2583+E+A+TELA+1.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-4927450615231346386?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/4927450615231346386/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=4927450615231346386' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/4927450615231346386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/4927450615231346386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/08/lancamento-do-livro-o-diva-e-tela-com.html' title='Lançamento do Livro &quot;O Divã e a Tela&quot;, com Enéas de Souza. Espaço NT, dia 19/08, 19:00 hs'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-kYphcOHt9xs/Tkq068PmXsI/AAAAAAAAAPQ/CL37trlDlmM/s72-c/O+DIV%25C3%2583+E+A+TELA+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-2739393788225936562</id><published>2011-08-15T11:47:00.000-03:00</published><updated>2011-08-15T11:47:40.247-03:00</updated><title type='text'>Debates FEE - O Mundo do Trabalho Hoje</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-DTbylTs7RWk/TkkxhN07JwI/AAAAAAAAAPM/ikH4JxkePbo/s1600/Cartaz+Evento+Trabalho" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-DTbylTs7RWk/TkkxhN07JwI/AAAAAAAAAPM/ikH4JxkePbo/s320/Cartaz+Evento+Trabalho" width="233" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21149643-2739393788225936562?l=econobrasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://econobrasil.blogspot.com/feeds/2739393788225936562/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21149643&amp;postID=2739393788225936562' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/2739393788225936562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21149643/posts/default/2739393788225936562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://econobrasil.blogspot.com/2011/08/debates-fee-o-mundo-do-trabalho-hoje.html' title='Debates FEE - O Mundo do Trabalho Hoje'/><author><name>André Scherer e Enéas de Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03259014889378113747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-DTbylTs7RWk/TkkxhN07JwI/AAAAAAAAAPM/ikH4JxkePbo/s72-c/Cartaz+Evento+Trabalho' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21149643.post-730083922681312104</id><published>2011-08-11T08:45:00.003-03:00</published><updated>2011-08-11T17:36:44.891-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;CRISE FINANCEIRA MUNDIAL&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;11 de agosto de 2011&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;Coluna das quintas&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-large;"&gt;TODAS CRISES SÃO UMA SÓ&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Por Enéas de Souza&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;São tantos assuntos a discutir. A crise americana e a crise européia; a situação do Brasil e a sua resposta à crise global; a questão da corrupção, essa flor negra e malcheirosa plantada no jardim brasileiro; e as inúmeras manifestações de violência que assolam várias partes do mundo, desde Santiago do Chile, Noruega, TelAviv até a Síria, até a Espanha e até as mais midiáticas de todas: as explosões das cidades inglesas. Pensava eu, neste momento, escrever sobre o nosso país, depois de ter me centrado na crise americana e na crise européia. Mas vou continuar tratando dessas, dados os acontecimentos dos últimos dias, pois a crise do eixo USA-Inglaterra-Europa está no centro do tráfico do capital financeiro. E aglutina eventos econômicos, políticos e sociais que estão eclodindo como efeito de uma crise mais profunda, mais decisiva, mais devastadora: a crise mundial do capitalismo. Essa sim é a verdadeira crise, aquela que interessa e da qual o Brasil não está isento e da qual faz parte. Prefiro, por essa razão, analisar o quadro mais geral, pois certamente ele tem repercussões e determinações muito fortes sobre todas as regiões. E não poderia ser diferente, afeta também o país de Macunaíma e de Brás Cubas. Ou como diria Glauber Rocha, o país de Paulo Martins. O que é preciso ver é que a crise capitalista tem características gerais que perpassam todas as partes, só que ela tem um rosto que se mostra singular nas figuras históricas de cada lugar e de cada país.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;NÃO EXISTE CRISE ISOLADA, TODO MUNDO ESTÁ NO INCÊNDIO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;1&lt;/strong&gt;) As crises não podem ser tomadas isoladamente. A crise dos Estados Unidos, a crise da Inglaterra, por exemplo. O que está acontecendo é uma crise da dinâmica do capital, levando suas instituições ao limite. Tínhamos, até 2007/08, um único eixo econômico, cujo pólo dominante era os Estados Unidos e que enlaçava todo o mundo. Seu ponto culminante, sua pedra preciosa, seu toque de gênio foi capturar a China para a realimentação do seu capital. E duas foram as conexões: o deslocamento das indústrias americ
